Economia
No Rio Grande do Norte, 53% dos que têm idade para trabalhar estão sem emprego, aponta IBGE
Publicado: 00:00:00 - 29/08/2020 Atualizado: 23:27:57 - 28/08/2020
Ícaro Carvalho 
Repórter

O número de pessoas ocupadas caiu 12,3% no Rio Grande do Norte no segundo trimestre de 2020 em relação ao primeiro trimestre. É o que mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua) levantamento feito pelo Instituto Brasileiro Geográfico de Estatística (IBGE). Além disso, pela primeira vez desde o início da pesquisa, em 2012, o número de pessoas sem trabalho, que não procuram emprego ou querem trabalhar, ou estavam indisponíveis temporariamente no segundo trimestre de 2020, é maior dos que estão na força de trabalho (soma das pessoas ocupadas e as que estavam em busca de trabalho) no Rio Grande do Norte. 

Adriano Abreu
Ezequias Souza, 42 anos, perdeu o emprego durante a pandemia e virou motorista de aplicativo

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Segundo o IBGE, 53% das pessoas do RN de 14 anos ou mais, o que representa 1,5 milhão de potiguares estão sem emprego e não procuraram vaga. Essas informações colocam o RN entre as 10 maiores taxas de desocupação do País.

De acordo com o Supervisor de Disseminação de Informações do IBGE-RN, Flávio Queiroz, embora o número de pessoas ocupadas em todo o Brasil tenha caído, não há uma queda tão alta da taxa de desocupação pelo fato de que houve uma grande queda, também, no contingente de pessoas na força de trabalho, grupo composto por pessoas ocupadas e desocupadas. 

“Em muitos estados do Brasil, a taxa de desocupação do segundo trimestre de 2020 é, inclusive, menor do que no mesmo trimestre do ano passado, apesar de haver menos pessoas trabalhando em relação ao ano de 2019. Ou seja, uma queda na taxa de desocupação, sozinha, não significa dizer que há menos pessoas almejando se inserirem no mercado de trabalho”, diz Queiroz. 

Ainda de acordo com Queiroz, comparando o segundo trimestre de 2020 com o mesmo período de 2019, a estimativa é de que 189 mil potiguares perderam seus trabalhos. Entre abril e junho de 2020 havia 1,14 milhão de pessoas ocupadas no Estado, 161 mil a menos do que no primeiro trimestre do ano. O número de desocupados, assim como a nível nacional, se manteve estável no Rio Grande do Norte, com uma estimativa de 202 mil potiguares em busca de um ofício no segundo trimestre deste ano. A taxa de desocupação ficou em 15%, no RN.

De acordo com o professor e pesquisador do Departamento de Políticas Públicas da UFRN, Anderson Santos, ao analisar a questão do desemprego e desocupação no País, nos momentos de crise, os agentes empregadores buscam manter a liquidez de suas empresas. 

“Os empresários não correm risco como correriam normalmente. Quem tem que assumir esse risco é o Estado. O Estado tem que atuar de várias formas, uma delas é o auxílio emergencial, o refinanciamento de dívidas, de tributos, uma agenda positiva para não ampliar a tributação neste momento, porque a tentação é grande, os cofres públicos sofrem com a crise e sobretudo, o Estado tem que puxar a demanda, através de compras e obras públicas, fazer a economia girar”, comenta, citando ainda o imbróglio entre o ministro Rogério Marinho e o ministro Paulo Guedes, com divergências nas agendas para geração de empregos e gastos públicos. 

Subgrupos
No grupo de pessoas fora da força de trabalho, o subgrupo da força de trabalho potencial teve um crescimento estimado de 54% no segundo trimestre de 2020 em relação ao primeiro. Eram 240 mil pessoas, no trimestre de janeiro a março, e chegou a 372 mil pessoas no trimestre seguinte.

Segundo o IBGE, essas pessoas não fizeram busca efetiva por trabalho, o que não é possível considerá-las como desocupadas. Com isso, o instituto acredita que o número de desocupados que perderam seu trabalho tenha ido para fora da força de trabalho.  

Uma dessas pessoas que perdeu o emprego durante a pandemia de coronavírus é o motorista Ezequias Souza, 42 anos. Ele prestava serviços para uma empresa de ônibus de Natal há oito anos e foi demitido em junho. Sem renda nem emprego, aliado ao fato de que teve dificuldades para acessar seu seguro-desemprego e o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) estava garantido para compra de sua casa, ele resolveu virar motorista de aplicativo para manter as contas em dia. Foi a forma que encontrou para se manter ocupado.

“A empresa começou a demitir e junto comigo saíram outros 59 motoristas. Fiquei de uma maneira que infelizmente as empresas fecharam as portas para todo mundo. Não tive outra opção a não ser, já que eu trabalhava na área de transportes, tive que pegar um carro que eu tinha e dar entrada num carro que tivesse ano para ser motorista de aplicativo”, comenta Ezequias.

A necessidade de Ezequias, no entanto, não é uma regra. Isso porque existe a parcela da população que desiste de procurar trabalho, seja por considerar a situação desfavorável do mercado ou até em virtude da pandemia de coronavírus, para não arriscar a saúde, avalia Flávio Queiroz, do IBGE.

“Em síntese, os desalentados correspondem à parcela da população que desistiu de procurar trabalho por considerar a situação desfavorável do mercado de trabalho”, diz, complementando ainda que o número de desalentados no Rio Grande do Norte foi estimado em 196 mil pessoas no segundo trimestre deste ano, mantendo-se estável em relação ao primeiro trimestre.

Domésticos 
Outro dado disponível na Pnad Contínua é com relação aos domésticos. O número de trabalhadores domésticos sem carteira assinada caiu cerca de 49% no segundo trimestre de 2020 na comparação com o anterior. No primeiro trimestre do ano, o estado tinha 73 mil pessoas, mas esse número despencou para 37 mil pessoas no trimestre de abril a junho. Isso significa que 36 mil pessoas perderam sua ocupação nesse grupo de trabalhadores domésticos.

Subutilização
Segundo a pesquisa, o RN possui a sétima maior taxa de subutilização, que é quando os trabalhadores não estão usando plenamente seu potencial para trabalha, seja por insuficiência de horas trabalhadas (menos de 40 horas semanais), desocupadas ou desistiram temporariamente de buscar trabalho.

“Essa taxa elevada de subutilização do Estado segue uma tendência dos demais estados do Nordeste, que têm as maiores taxas pela baixa dinâmica da economia e do mercado de trabalho nos últimos anos e também pela maior informalidade [a taxa foi 40,2% no RN], no segundo trimestre], que influencia na quantidade de pessoas que trabalham pelo menos 40 horas por semana”, analisa Flávio Queiroz.

Pnad Contínua 2º trimestre

Ocupação RN 2º trimestre
47% da população do RN em idade de trabalhar ocupada;
1,14 milhão de pessoas ocupadas no Estado;
Redução de 161 mil pessoas com relação ao primeiro trimestre
202 mil pressionaram por uma vaga no mercado de trabalho

Força de Trabalho 
53% estão fora da força de trabalho no RN 
1,5 milhão de potiguares não procuram   trabalho   ou   querem   trabalhar,  ou   estavam   indisponíveis temporariamente

Trabalhadores domésticos
49% de queda no número de trabalhadores domésticos sem carteira assinada
37 mil pessoas no trimestre de abril a junho mantiveram seus trabalhos
36 mil pessoas perderam sua ocupação nesse grupo de trabalhadores domésticos

Trabalhadores informais
22% de queda no número de trabalhadores informais por conta própria sem trabalho
65 mil deixaram de trabalhar no segundo trimestre






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