Economia
No Rio Grande do Norte, venda de automóveis seminovos e usados cresce 86,5% no ano
Publicado: 00:00:00 - 06/08/2021 Atualizado: 22:21:52 - 05/08/2021
Cláudio Oliveira
Repórter

Esse é o melhor momento para aqueles que desejam negociar o carro usado, seja como entrada para um novo financiamento ou mesmo para venda. Isso é o que dizem os executivos do setor automobilístico devido à alta que o setor de seminovos tem vivido desde o ano passado. No Rio Grande do Norte, houve um crescimento de 237,4% na venda de automóveis seminovos e usados no último mês de julho, comparado ao mesmo mês de 2020. Foram vendidos 10.260, contra 3.041 em julho do ano passado, segundo informações repassadas pela Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores – Fenauto. Considerando todos os tipos (Auto, Comercial leve, comercial pesado, motos e outros), as vendas cresceram 236%, na mesma base comparativa.

Divulgação
Em julho, a venda de carros usados e seminovos cresceu 237,4%

Em julho, a venda de carros usados e seminovos cresceu 237,4%


No acumulado até julho de 2021, a alta foi de 86,5% uma vez que as concessionárias potiguares já comercializaram 55.886 automóveis contra 29,969 em igual período de 2020. Em termos comparativos com estados vizinhos, o RN superou Pernambuco, que teve uma alta de 78,3% na venda de automóveis no acumulado do período, e ficou abaixo do Ceará, que registrou um saldo de 102,6% para o mesmo espaço de tempo.

Quando a soma envolve todos os tipos de veículos, o Rio Grande do Norte aparece como o quinto estado do Nordeste que mais aumentou as vendas no setor de seminovos e usados entre julho de 2020 e julho de 2021, com um acréscimo de 78,9% e ficando atrás de Alagoas (+100,7%), Ceará (+100,2%) e Pernambuco (+79,7%). Sergipe (+36.7%) foi o estado da região que teve menos vendas de usados entre 2020 e 2021, segundo a Fenauto. Na soma de todos os tipos de veículos, a Fenauto computa a venda de 97.456 veículos no RN este ano, contra 54.467 no mesmo intervalo do ano passado. Somente em julho, foram  vendidos 18.981 veículos, ante 5.649 em julho de 2020.

Os números do País no 1º semestre de 2021 já superam os resultados do mesmo período de 2019, ano pré-pandemia, numa alta de 7,5%. Relatório divulgado pela Fenauto mostrou que de janeiro a junho de 2019 foram comercializados em média, diariamente, 54.802 veículos. No mesmo período de 2020, esse número caiu para 36.323, mas saltou para a marca média diária de 58.944 unidades nos primeiros seis meses de 2021. A recuperação em relação ao ano passado foi de 62.2%.

As vendas dos carros novos também têm subido, mas é pela dificuldade de produção desses que procura tem migrado para a compra de usados. Seguindo a lei da oferta e da procura, os preços também aumentaram. “Desde julho do ano passado a gente vê a procura pelo seminovo aumentando. As montadoras começaram a diminuir o estoque de novos devido à pandemia porque começou a faltar peças para produzir veículo novo e então a demanda se volta para o seminovo”, explicou Danilo Ribeiro, gerente da Concessionária Espacial Chevrolet Auto Peças.

Com exemplos, ele relatou a experiência atual quanto à valorização do carro usado. “Tem carro que a gente avaliou em R$ 40 mil em janeiro do ano passado e no final do ano já estávamos comprando por R$ 48 mil, sendo que em fevereiro já estava em R$ 50 mil. Recebemos há quatro semanas um carro por R$ 54 mil e agora o mesmo carro a gente recebe por R$ 58 mil. Então vale muito a pena para quem comprou há dois anos chegar aqui e trocar. Ele consegue me entregar no mesmo preço que comprou”, afirmou Ribeiro.

Preços pela tabela Fipe
Com a valorização do momento no setor de seminovos e usados, a tabela da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, ou tabela Fipe, tem sido atualizada quase todos os meses. Ela expressa preços médios de veículos anunciados pelos vendedores no mercado nacional, servindo como um parâmetro para negociações ou avaliações.

Clézio Dantas, gerente comercial da concessionária Fiat Autobraz, pontuou que não era comum repassar um veículo no valor da tabela Fipe, coisa que agora virou rotina. “Antes da pandemia, a gente avaliava pela tabela Fipe e descontava em média 25%, agora está ficando de acordo com a tabela, sem esse abatimento. Carro usado hoje está muito valorizado. Para o futuro, a gente não sabe quando vai normalizar”, disse ele.

Os gerentes das concessionárias explicaram ainda que até os bancos estão voltando suas linhas de crédito para essa modalidade, com carência de até 120 dias e todo o crédito que, geralmente, era repartido para novos e seminovos, agora está direcionado para o seminovo. “A procura por usados aumentou como há muitos anos a gente não via. Isso elevou os preços, mas também beneficiou quem quer repassar o carro que tem. Não sabemos até quando o mercado estará aquecido dessa forma, mas, pelo menos enquanto a pandemia durar, deve se manter assim”, previu a supervisora de vendas de seminovos, Fernanda Maciel.

Mercado de carros novos está aquecido
A valorização dos carros usados está diretamente ligada à queda na produção dos veículos novos em todo o País, seja pelo fechamento de fábricas, redução da produção em virtude da pandemia da covid-19, ou, principalmente, pela falta de componentes da linha de produção. Contudo, os carros 0km não reduziram as vendas. Somente no RN, o último semestre registrou uma alta de 64,8% em comparação com mesmo período de 2020. Toda a produção está sendo consumida pela demanda e, por isso, além do preço, o prazo para entrega também aumentou.

O setor de novos apresentou recuperação a partir do último trimestre. No acumulado até junho, o RN registrou a venda de 19.734 mil veículos, contra 11.974 mil do mesmo período de 2020. O presidente do Sincodiv-RN (Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos Automotores no Rio Grande do Norte), Arnon César Ramos e Silva, avaliou que a venda de veículos, sejam novos ou usados, aumentou em todo o país porque as pessoas que ficaram com recursos acumulados, já que ficaram mais tempo isoladas, agora estão investindo.

“Vimos que houve aquecimento no setor da construção, tanto que os preços dos materiais subiram. No de carros também. As pessoas estão gastando o que não puderam na pandemia e isso se justifica pela busca de maior conforto. Com isso, a retomada do nosso setor está sendo mais rápida do que se esperávamos”, declarou Arnon César.

Em relação aos carros novos, todo o estoque está sendo vendido, segundo disse, e a produção está lenta por falta de componentes tecnológicos. “São os mesmos componentes de celulares, computadores, televisores...que foram muito vendidos na pandemia, em virtude do home office. Esses componentes, que chamamos de semicondutores, são importantes elementos e as fábricas têm tido essa dificuldade, além do fechamento de algumas, férias coletivas em outras, enfim”, relatou o presidente do Sincodiv-RN.

O desabastecimento desses chips ocorre no mundo inteiro, atingindo, além da indústria automobilística, as empresas de eletroeletrônicos, principalmente as que fabricam tablets, computadores e celulares. "Não temos formação de estoque e por isso há filas de até 5 meses de espera por um veículo novo, daí a pessoa prefere um seminovo. Existe muita incerteza com a pandemia, mas estima-se que a falta de semicondutores dure até 2023 e que no mercado de automóveis, nesse segundo semestre, ainda vejamos falha na produção”, alertou ele.







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