Economia
No Rio Grande Norte, 554 mil trabalhadores estão na informalidade
Publicado: 00:00:00 - 05/12/2021 Atualizado: 11:01:36 - 04/12/2021
Cláudio Oliveira
Repórter
Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 554 mil trabalhadores potiguares vivem na informalidade. Os números se referem ao terceiro trimestre do ano (julho, agosto, setembro), sendo o maior desde o último trimestre de 2020 (eram 552 mil). As condições de trabalho, que envolvem carga horária elevada e baixa remuneração, são apontadas como um dos principais fatores que mantém 43,2% dos trabalhadores do Estado em atividades informais. Em termos absolutos, a força de trabalho potiguar é estimada em 1,5 milhão de pessoas, sendo 1,28 milhão ocupadas (formais e informais) e 221 mil desocupadas (à procura de emprego).
Alex Régis
Após quase dois anos de carteira assinada, Andrey Ferreira, de 26 anos, foi demitido e não lamenta. Agora, trabalha por conta própria

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O cozinheiro Ricardo Sabino, de 35 anos, está entre os que trabalham, mas sem vínculo empregatício, há alguns meses, desde que foi demitido. Aliás, ele próprio pediu demissão. “Minha área é muito cansativa, sem diferença de fim de semana ou feriado e o salário é baixo. Não tinha qualidade de vida e nem tempo para nada. Estava no meu limite e resolvi deixar a empresa que eu trabalhava e buscar fazer algo informal mesmo”, disse ele.

Atualmente, Ricardo trabalha vendendo kits festa, bolos, brownies e outras sobremesas caseiras que anuncia pelas redes sociais. Também oferece cardápios ou pratos individuais, como está tentando emplacar para o Natal, inclusive com locação de louça, porém, trata-se de uma ocupação informal. “No momento eu prefiro ficar assim no trabalho informal porque já estou conquistando minha clientela”, afirma.

Os produtos feitos na cozinha de casa não são suficientes para pagar as contas, por isso, ele precisa fazer “bicos”, prestando serviço em restaurantes sem firmar vínculo e sem contrato de trabalho, indo trabalhar quando é chamado. “Se surgir uma oportunidade melhor, posso pensar em voltar ao trabalho formal. Se eu ficasse fixo, de carteira assinada, eu ganharia bem menos e não compensaria pela carga horária pesada”, explicou.

A carteira de trabalho de Ricardo já foi assinada diversas vezes. Em alguns momentos, chegou a trabalhar em até três empresas simultaneamente para conseguir chegar a uma renda semelhante ao que hoje consegue informalmente. “Meu ganho melhorou e sobrou tempo pra eu aprender a fazer outras coisas e vender pra mim mesmo. É fato que do jeito que estou não tenho direitos trabalhistas e nem da Previdência, mas eu pretendo virar MEI (Microempreendedor Individual) e também pagar a Previdência por conta própria”, planeja ele.

Alex Régis
O cozinheiro Ricardo Sabino, de 35 anos, trabalha sem vínculo, há alguns meses, vendendo kits de festa

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O sentimento de que estar na informalidade é melhor do que estar com emprego registrado parece mais comum do que se pensa. Depois de quase dois anos de carteira assinada na área de panificação de um supermercado, Andrey Ferreira de Souza, de 26 anos, foi demitido e não lamenta pelo ocorrido. Agora, ele trabalha por conta própria. “Trabalhei como pasteleiro, na área de confeitaria e agora estava como encarregado de supermercado. Eram 12 horas por dia e o salário não compensava. Cheguei a tentar negociar depois que fiquei com um problema no tendão de Aquiles (calcanhar), mas não fui atendido. Acabei demitido. Não fiquei chateado, mas também não me arrependo. Agora estou trabalhando para mim mesmo, fazendo acessórios para pets. É mais sossegado e acredito que financeiramente vai melhorar”, contou o rapaz.

Na área em que sempre trabalhou desde os 17 anos ele diz que há vagas de emprego, mas as condições de trabalho dificultam a permanência do empregado porque diminui a qualidade de vida. O trabalho que faz hoje informalmente é dividido com a esposa e a mãe. Os produtos fabricados são vendidos no formato pronta-entrega em petshops e estabelecimentos do gênero, maior parte fora de Natal. “A área que eu trabalhei é boa, mas as condições de trabalho, salário e carga horária desestimulam. É fácil de achar emprego nela, mas é difícil de ficar. Prefiro trabalhar como estou agora. A remuneração ainda não é melhor, mas acredito que futuramente vai melhorar”, prevê Andrey. Para o futuro ele diz que pretende se formalizar como MEI para ter mais segurança na nova atividade e garantir cobertura previdenciária.


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