No RN, 3 em cada 10 microempreendedores individuais estão inativos

Publicação: 2019-09-22 00:00:00 | Comentários: 0
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Dos 114 mil negócios formalizados na categoria de Microempreendedor Individual (MEI) no Rio Grande do Norte, cerca de 72% mantêm as atividades. Três em cada grupo de dez empreendedores estão inativos e os motivos que levaram à descontinuidade do negócio e ao baixar das portas estão relacionados à falta de dinheiro (26%) e à escassez de clientela (22%). Isso é o que revela a sexta edição da pesquisa Perfil do MEI que é realizada anualmente pelo Sebrae Nacional em todos os Estados brasileiros.

O estudo mostra que esses são os dois principais motivos para os empreendedores não manterem o negócio funcionando no Rio Grande do Norte, sendo a terceira causa da não atuação o fato do responsável pelo empreendimento ter conseguido um emprego formal (6%). Os demais motivos juntos somaram 41%. “Muitos microempreendedores individuais não sabem quanto ganham, quanto gastam. Há casos em que as contas mensais a serem pagas são escolhidas, ficando boletos em aberto. Não há controle financeiro, nem planejamento de gastos. E, pior, muitos misturam o dinheiro da conta da empresa com o da pessoa física”, relata Maíza Pessoa, gerente do Escritório Metropolitana do Sebrae/RN.
Por problemas causados pelo desequilíbrio nas contas e por falta de clientes, microempreendedores individuais encerram atividades
Por problemas causados pelo desequilíbrio nas contas e por falta de clientes, microempreendedores individuais encerram atividades

Ela complementa destacando que “como se trata de uma empresa, é preciso estar atento às necessidades do mercado e de buscar dividir as contas da empresa com as com as contas da pessoa física.  Muitos acham que basta apenas se formalizar pelo site, e acabam depois tendo dificuldade nos controles financeiros.”

Com a facilitação do processo de abertura de um microempreendimento, que pode ser todo feito pelo Portal do Empreendedor, muitos microempreendedores não procuram o Sebrae para compreender melhor a necessidade de adoção de procedimentos de gestão para o não comprometimento da saúde financeira do negócio. “Outro grave problema é a falta de clientes. Empreendimentos são abertos, principalmente em bairros residenciais, sem que uma pesquisa aponte a viabilidade econômica daquele negócio. Isso contribui para o fechamento do empreendimento por falta do básico: clientes”, aponta Maíza Pessoa. No Rio Grande do Norte, a maioria do MEIs atuam na venda de peças de vestuário e acessórios.

Questionada por quais motivos tantas pessoas se formalizam como microempreendedores individuais e não desenvolvem nenhum tipo de trabalho como tal, Maiza Pessoa relata que “a maioria se formaliza para contribuir para a Previdência Social”. E acrescenta: “São pessoas que não possuem plano de saúde, por exemplo. São pessoas que temem não conseguir uma aposentadoria num momento de doença. Mas muitas abrem por necessidade mesmo, pois perdem o emprego, acaba o seguro desemprego e não conseguem se reinserir no mercado celetista, entre outros casos”.

Intenção de recomeçar


Na pesquisa aplicada pelo Sebrae Nacional, os técnicos também quiseram identificar as pretensões desses microempreendedores entrevistados. O estudo apontou que, entre os que interromperam as atividades, 46% pretendem reiniciar como MEI. O desejo é ainda maior entre aqueles que se formalizaram mas ainda não começaram a operação: 56%.

Entretanto, como uma espécie de ciclo vicioso, a vontade desses empreendedores de recomeçar esbarra na mesma dificuldade que levou à inoperância do microempreendimento: a falta de dinheiro. Pelos resultados da pesquisa, 45% afirmam que a falta de dinheiro é o maior impeditivo para recomeçar. E entre os que ainda não começaram, o fator financeiro está sendo preponderante para uma parcela de 28% dos microempreendedores brasileiros.

O estudo ouviu, entre os dias 1º de abril e 28 de maio, 10.339 empreendedores. No Rio Grande do Norte foram 383. A sondagem alcança 95% de nível de confiança e 1% de margem de erro, delineando as principais características desses empreendedores.

Microempreendedor Individual

Essa figura jurídica surgiu há dez anos no mundo empresarial brasileiro e foi instituída pela Lei Complementar 128, que dá condições especiais para que o profissional que trabalha por conta própria possa se formalizar. Para se enquadrar é necessário faturar no máximo R$ 81 mil por ano e não ter participação em outra empresa. O microempreendedor pode ter até um empregado que receba o salário mínimo ou o piso da categoria. Depois de se formalizar, o MEI fica obrigado a pagar valores fixos mensais de impostos, que correspondem a 5% do salário mínimo e que vão garantir os direitos da previdência social.

Entre as vantagens de se formalizar como MEI, está o registro no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), o que facilita a abertura de conta bancária, pedido de empréstimo e emissão de nota fiscal. O empreendedor também passa a contar com os benefícios da cobertura previdenciária, como direto ao auxílio maternidade, auxílio doença, aposentadoria, entre outros.

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