Economia
No RN, geração de energia por termelétricas cresce 15,5% no primeiro semestre do ano
Publicado: 00:00:00 - 15/07/2021 Atualizado: 06:49:06 - 15/07/2021
Felipe Salustino
Repórter

A geração de energia a partir do uso de termelétricas no Rio Grande do Norte cresceu 15,5% no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2020, segundo estatística do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). De acordo com os dados, no primeiro semestre de 2020, a geração de energia por termelétrica no Estado alcançou 630 gigawatts/hora, marca ultrapassada nos seis primeiros meses deste ano, cujo volume foi de 728 GWh até o mês passado. A geração no Brasil foi de 53.592 GWh no mesmo período, o que significa que o volume gerado pelo RN representa 1,35% do nacional. O acumulado de 2020 (1.232 GWh) havia sido inferior ao ano de 2019, quando as usinas térmicas do RN geraram 1.404 GWh. 

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O acionamento das usinas térmicas, autorizado pelo Governo Federal nos reservatórios das principais hidrelétricas do País, se deve à escassez de recursos hídricos para a produção de eletricidade e é um dos grandes vilões da conta de luz: R$ 13,1 bilhões devem ser repassados aos consumidores até novembro, segundo informações do Ministério de Minas e Energia (MME).

O presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Darlan Santos, explica que toda essa produção é compartilhada com o País por meio do Sistema Interligado Nacional (SIN). Uma vez no SIN, a geração de energia local se junta à de outras usinas pelo País. “A produção das [usinas] térmicas cai no sistema nacional e o custo é repartido”, afirma Darlan Santos. 

Com o acionamento das termelétricas, o preço do custo da energia aumenta. Atualmente, todas as usinas, incluindo as mais caras, foram autorizadas a operar para manter o fornecimento de energia no Brasil. O aumento estimado até novembro em decorrência desse uso – de R$ 13,1 bilhões – representa uma alta de 45,71% em relação ao valor que era previsto para junho, de R$ 8,99 bilhões. 

A Aneel informou que existe, ainda, a estimativa de aumento adicional de 5% nas tarifas do próximo ano, mas evitou ampliar qualquer detalhe sobre a questão. “Vários fatores são analisados na época do reajuste tarifário de cada empresa [responsável pela distribuição de energia]. Importante salientar que cada uma delas tem uma data para reajustar as tarifas. No caso do Rio Grande do Norte, será em abril do ano que vem”, explicou a Agência.

Os custos também são repassados aos consumidores por meio das bandeiras tarifárias. Para este mês de julho a Aneel adota a bandeira vermelha patamar 2, que deve permanecer até novembro, conforme estima a própria Agência. Essa bandeira é a mais cara, com acréscimo de R$ 0,0949 para cada quilowatt-hora consumido. A taxa passa de R$ 6,243 por 100 kWh consumidos para R$ 9,49 por 100 kWh.

Custo maior
Segundo o presidente do Cerne, Darlan Santos, o impacto que o consumidor sente no bolso se deve ao fato de que a geração de energia por termelétricas apresenta um custo maior em relação ao custo necessário para a produção em hidrelétricas. Um dos fatores que contribuem para o encarecimento nas usinas térmicas, segundo ele, é a política de dolarização, à qual estão atrelados os derivados de petróleo, que se transformam em combustível para o uso nas termelétricas.

“Esses custos têm a ver, principalmente, com o combustível utilizado pelas usinas, como diesel e gás. Eles seguem o preço do petróleo, que é atrelado ao dólar. Quando o dólar aumenta, toda a parte energética alinhada a ele através dos combustíveis é afetada”, esclarece. Darlan Santas cita também outros fatores responsáveis pelos custos maiores para a produção de energia em usinas térmicas.

“As termelétricas ficam de prontidão, para que, quando solicitadas, sejam acionadas. O objetivo aí é garantir a segurança do sistema. Por isso, o uso delas é mais caro. No caso das hidrelétricas, o custo de produção já foi bastante amortizado, porque se trata de um sistema existente há muito tempo”, comenta o presidente do Cerne. Apesar dos aumentos que afetam o bolso do consumidor, Santos avalia o modelo como bom, do ponto de vista da sustentabilidade para o setor energético.

 “Nosso sistema é nacional e programado para que a gente consiga equalizar os problemas em situações onde pode ocorrer falta de energia. No Rio Grande do Norte, estamos chegando a um período com muitos ventos. Isso é ótimo, porque é uma época na qual produzimos mais energia do que consumimos. E como o sistema é compartilhado, a gente consegue contribuir com ele. O oposto também acontece, como no primeiro semestre do ano, onde parte da energia vem de outras regiões do País. Veja como fazer parte de um sistema nacional é importante. Na hora em que há um excedente em algum lugar, a diferença chega aqui e vice-versa”, detalha.









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