No RN, maioria dos MEIs montam negócios nas residências

Publicação: 2019-09-22 00:00:00 | Comentários: 0
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No Rio Grande do Norte, 44% dos microempreendedores  individuais ainda desenvolvem a atividade na própria residência, enquanto 30% deles têm um ponto comercial. A informação consta na pesquisa Perfil do MEI, elaborada anualmente pelo Sebrae Nacional com dados de empreendedores de todo o Brasil.

No País, a taxa de empreendedores que exercem as atividades no lar é de 40% e, no Nordeste, de 39%. O estudo indica ainda que no Rio Grande do Norte 11% dos MEIs atuam na rua, de forma ambulante. Já 10% deles atendem na casa do cliente. Atualmente, o Estado conta com mais de 114 mil negócios enquadrados nessa categoria jurídica.
Além das vendas em casa, muitos microempreendedores no Rio Grande do Norte montam os negócios nas ruas de bairros diversos
Além das vendas em casa, muitos microempreendedores no Rio Grande do Norte montam os negócios nas ruas de bairros diversos

“Quando a figura do MEI foi criada, foi justamente para atender essas pessoas que estavam na informalidade, e a maioria trabalhava por conta própria em casa. Então, é muito natural percentual mais elevado”, analisa a coordenadora do MEI do Sebrae no Rio Grande do Norte, Ruth Suzana Maia. Segundo ela, o ponto comercial, em alguns casos, vem com a evolução do negócio, tipo de atividade e também por exigência da clientela. “Acontece muito com sacoleiras. As pessoas que compram as roupas pedem para que elas tenham um ponto fixo para poder ver melhor os produtos”, afirma.

Sobre aqueles que atuavam na informalidade, Ruth Maia comenta: “Muitos deles já trabalhavam em casa, ao montar uma venda de gás - quando era permitido - ou até uma lojinha de confecção. Isso até para diminuir custos. Ao se registarem como MEI, só fizeram legalizar a empresa no endereço residencial. Isso é muito comum”.

A pesquisa também revelou que 30% dos microempreendedores potiguares se formalizaram porque almejavam independência, o que sinaliza uma tendência que se aproxima do empreendedorismo por oportunidade. Por outro lado, 34% dos MEIs só se registraram porque precisavam de uma fonte de renda para assegurar o orçamento doméstico, uma espécie de empreendedorismo por necessidade.

E esse dado também é justificado pelo estudo do Sebrae. O levantamento comprova que 48% dos microempreendedores do Estado antes de se formalizar trabalhavam com carteira assinada. Outros 20% eram autônomos que atuavam informalmente para desenvolver as atividades. Já 15% dos que hoje têm um negócio registrado como MEI trabalhavam, no entanto, sem a ter a carteira assinada. Esse é o perfil da maioria dos microempreendedores potiguares.

Número de lojas abertas deve crescer

Segundo levantamento sobre varejo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), até dezembro serão abertas 5,4 mil lojas no país, totalizando 8,7 mil novos pontos comerciais com vínculos empregatícios em 2019 - no estudo também foi contabilizada a criação de 3.328 estabelecimentos varejistas nos seis primeiros meses do ano. Se confirmada a previsão, contudo, a expansão do setor ainda seria menor do que em 2018 (11,7 mil).

Apesar do saldo positivo no primeiro semestre deste ano, o ritmo de expansão do número de pontos de vendas apresentou desaceleração frente aos dois últimos períodos (4.999 na primeira metade de 2018 e 6.730 nos últimos seis meses do ano). De acordo com o economista da CNC Fabio Bentes, o resultado mais recente é "reflexo do fraco nível de atividade da primeira metade de 2019".
Confederação Nacional do Comércio estima que 5,4 mil novas lojas serão abertas até dezembro
Confederação Nacional do Comércio estima que 5,4 mil novas lojas serão abertas até dezembro

Em relação à intenção de investimento de varejistas - referente a ampliação ou abertura de lojas -, setembro de 2019 aparece como o melhor resultado (45,8%) em comparação com o mesmo mês dos últimos quatro anos. Os empresários de Amapá (65,7%), Tocantins (59,3%) e Rondônia (58,0%) registraram maior propensão a investir no setor.

Dentre os pontos de venda inaugurados no primeiro semestre de 2019, destacam-se os segmentos de hiper e supermercados (+2.716); lojas de utilidades domésticas e eletroeletrônicos (+450); e farmácias, drogarias e perfumarias (+397). A abertura de lojas ocorreu em seis dos dez segmentos do varejo. Os estabelecimentos especializados na venda de materiais de construção foram os que mais fecharam as portas (-456).

A abertura de estabelecimentos comerciais foi verificada em 14 estados do país, com destaque para São Paulo (+1.134); Paraná (+713); Mato Grosso (+576). Por outro lado, Rio de Janeiro (-110); Bahia (-260); Ceará (-313) foram os que mais tiveram fechamento de estabelecimentos.

Especificamente em relação às vendas, a CNC projeta, para 2019, crescimento de 4,6% (em 2018, houve avanço de 5,0%). “O saldo entre aberturas e fechamentos de estabelecimentos tende a acompanhar a evolução das vendas, mesmo que com alguma defasagem”, ressalta Fabio Bentes, economista da Confederação.

Linhas de crédito

A importância da disponibilidade de linhas de crédito para fomentar o desenvolvimento das micro e pequenas empresas foi um dos principais assuntos abordados na reunião do Conselho Deliberativo Nacional do Sebrae realizada quinta-feira, 19 de setembro, na Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), no Rio de Janeiro. “As micro e pequenas empresas são a maioria esmagadora, mas estão sempre relegadas a segundo plano, inclusive para créditos bancários”, disse o presidente do Conselho, José Roberto Tadros, que é também presidente da CNC. “Estamos tentando descomprimir isso e estimular mais abertura e liberdade econômica, gerando um melhor ambiente para os negócios”, acrescentou Tadros, citando parcerias com o Banco do Nordeste (BNB), Banco da Amazônia (Basa) e, futuramente, com o Banco de Brasília (BRB), com vistas a facilitar o acesso a linhas de crédito com juros mais baixos para as micro e pequenas empresas. Para o presidente do Conselho do Sebrae, quem não considerar esse segmento, não estará em sintonia com o Brasil.

Carlos Melles, diretor-presidente do Sebrae Nacional, reforçou a importância do crédito para as empresas menores. Os bancos estão de olhos no potencial financeiro dos MEIS.



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