No RN, renda das mulheres cresce 72,33% de 2012 a 2019

Publicação: 2019-11-17 00:00:00 | Comentários: 0
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Ricardo Araújo
Editor de Economia

Ao longo dos anos, as mulheres romperam estereótipos, passaram  a ocupar postos de trabalho historicamente destinados aos homens e ampliaram o rendimento médio, diminuindo a desigualdade entre os sexos. De 2012 a 2019, tomando como parâmetro de avaliação os segundos trimestres dos anos do intervalo informado, a massa de rendimento das mulheres no Rio Grande do Norte cresceu 72,33% - saindo do ganho médio mensal de R$ 929 para R$ 1.601. Apesar do avanço percentual – os homens ampliaram o rendimento médio em 66,91% no mesmo período -, em termos absolutos eles continuam ganhando mais. Saíram de R$ 1.064 para 1.780. Os dados foram tabulados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a pedido da TRIBUNA DO NORTE.

Gabriela Dias não sabia, mas herdou o dom dos negócios da mãe e da avó, donas de armarinhos
Gabriela Dias não sabia, mas herdou o dom dos negócios da mãe e da avó, donas de armarinhos

Comparado ao número geral, o rendimento médio da mulher potiguar também cresceu percentualmente, mas continua  menor quando analisado o valor absoluto.  No segundo trimestre de 2012, a média geral dos rendimentos dos homens e mulheres no Rio Grande do Norte girava em torno de R$ 1.010. No segundo trimestre de 2019 passou para R$ 1.704 (diferença de 68,71%). Os números mostram as discrepâncias que ainda envolvem o mercado de trabalho e o pagamento de homens e mulheres que exercem, à maioria dos casos, cargos semelhantes nas organizações. 

Empreendedorismo
Parte desse crescimento na renda mensal das mulheres está ligado ao avanço do empreendedorismo feminino. Pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBPQ) com o suporte do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), aponta crescimento do empreendedorismo feminino no Brasil ao longo de 2018. O estudo tem como base de dados o modelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM), que visa identificar o perfil dos empreendedores brasileiros.

O GEM considera como empreendedor todas as pessoas que já possuem um negócio (formal ou informal), ou que não possuem, porém, estão envolvidas na criação de um. Portanto, estão incluídos indivíduos em diferentes estágios de maturação do empreendimento.

A taxa total de empreendedores na população adulta brasileira (entre 18 e 64 anos) alcançou 38% em 2018, sendo 41,7% no grupo masculino e 34,4% no feminino. A maior diferença está nas taxas de “Empreendedores Estabelecidos” (indivíduos que possuem um negócio com mais de 3,5 anos), os homens estão 6 pontos percentuais acima das mulheres.

Conforme o estudo, entre 2002 e 2008, a proporção de mulheres que criou um negócio por oportunidade saltou de 37,5% para 68,7% (ultrapassando inclusive os homens), acompanhando uma tendência mais ampla da economia, de melhora neste indicador.

No entanto, nos anos seguintes esta proporção assumiu trajetória de estabilidade e, posteriormente, queda, mais especificamente em 2015 quando chegou a 45,3%. Aparentemente, a diminuição do empreendedorismo feminino por oportunidade ocorreu devido à desaceleração da economia e a entrada de mais mulheres no mercado de trabalho. Ou seja, de mulheres que não pertenciam a este mercado, pois não estavam ocupadas nem desocupadas, mas que optaram pelo ingresso no mesmo para complementar a renda familiar naquele momento de crise.

A pesquisa detalha, ainda, que em 2016, a proporção de mulheres que criaram um negócio por oportunidade voltou a subir, para 51,9%, e em 2017 chegou a 53,4%, alcançando 55,6% no ano de 2018. Estes dados sugerem que o grupo das mulheres é muito mais sensível às mudanças da economia e da sociedade. Talvez porque seja muito volátil a sua composição, sendo que parte expressiva das mulheres ainda vê o empreendedorismo como forma de complementar renda (nesse grupo há muita entrada e/ou saída de mulheres que empreendem por necessidade).

Jovem troca faculdade de Direito por negócio familiar
“Minha avó tem um armarinho, o Pio XII, há 40 anos. Eu acho que é o mais antigo de Natal. Minha mãe tem loja de acessórios, de peças de montagens, há 20 anos. Eu tenho 24. Então, eu cresci dentro da loja”. É dessa forma que a empresária Gabriela Dias conta a sua história para aqueles que chegam à Loja Maria Lua, na Rua Coronel Cascudo, na Cidade Alta. Ela é uma das mulheres que decidiram empreender no período analisado pela pesquisa do IBPQ  e Sebrae. O dom de empreender foi herdado da mãe Isadália Dias, que aprendeu a fazer negócios a partir da observação do cotidiano da avó de Gabriela, Isabel Dias, fundadora do Armarinho Pio XII.

“Terminei o colégio, entrei na Faculdade de Direito. Quando entrei na Faculdade, vi que não gostava do curso. À tarde, tinha que ajudar minha mãe. E aí comecei a tomar gosto pela loja. Eu vi que realmente queria seguir com a loja e entrei no curso de Administração. Eu comecei a tocar a loja com 18 anos. Hoje em dia, minhas funcionárias eram funcionárias da minha mãe com 15, 20 anos de trabalho conosco. Eu cresci em meio aos acessórios. Gostava de montar peças, mas nunca tive interesse em ter uma loja”, relembra Gabriela Dias. Tudo, porém, mudou.

Após sentir a necessidade de mostrar para a família que estava realmente interessada em fazer parte dos negócios, ela reuniu todo o dinheiro que ganhava de mesada e participou de um evento voltado às mulheres interessadas em Moda no Estado. A ideia foi vista como uma loucura pela família. No final, o estande montado por Gabriela Dias e uma equipe de amigos deu tão certo que todas os acessórios produzidos para o evento foram vendidos no primeiro dia. Da aventura, para a loja real, ela decidiu mudar o escopo do empreendimento, que deixou de ser voltado às montagens de colares, pulseiras e itens diversos e passou a vender peças prontas em atacado e varejo.

“As constantes mudanças no cenário econômico são uma dificuldade. Mas há um ânimo em se adequar às tendências e tentar trazer as melhores peças para as minhas clientes. Empreender é a constante busca pelo novo, é inovar cada vez mais”, analisa a jovem empresária.

Rendimento mensal - Veja abaixo o comparativo entre os rendimentos

Ano 2012
Homens: R$ 1.024
Mulheres: R$ 929
Geral: R$ 1.010

Ano 2013
Homens: R$ 1.234
Mulheres: R$ 997
Geral: R$ 1.142

Ano 2014
Homens: R$ 1.359
Mulheres: R$ 1.051
Geral: R$ 1.233

Ano 2015
Homens: R$ 1.530
Mulheres: R$ 1.193
Geral: R$ 1.385

Ano 2016
Homens: R$ 1.596
Mulheres: R$ 1.403
Geral: R$ 1.517

Ano 2017
Homens: R$ 1.712
Mulheres: R$ 1.424
Geral: R$ 1.591

Ano 2018
Homens: R$ 1.765
Mulheres: R$ 1.405
Geral: R$ 1.615

Ano 2019
Homens: R$ 1.780
Mulheres: R$ 1.601
Geral: R$ 1.704

Fonte: IBGE


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