Nordeste Armorial na Matriz

Publicação: 2017-12-06 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter

Foi nos intervalos das aulas na Escola de Música da UFRN (EMUFRN), onde foi professor na década de 70, que o maestro pernambucano Clóvis Pereira compôs a “Grande Missa Nordestina” (1977), uma das principais peças do Movimento Armorial. Reconhecida internacionalmente, a obra nunca chegou a ser apresentada em Natal. No entanto, nesta quinta-feira (7) a composição ganhará o público potiguar em concerto especial da Orquestra Sinfônica da UFRN na Igreja Matriz Nossa Senhora da Apresentação (Antiga Catedral). Participam do concerto o coral Madrigal (UFRN) e os solistas convidados Virgínia Cavalcanti (mezzo-soprano) e Fellipe Oliveira (barítono). A regência é do maestro oficial da orquestra, André Muniz. A apresentação acontece às 19h30, com entrada gratuita.

Coral Madrigal e Orquestra da UFRN, durante o ensaio geral de Grande Missa Nordestina. O espetáculo marca o retorno do coral à Matriz, 20 anos depois
Coral Madrigal e Orquestra da UFRN, durante o ensaio geral de Grande Missa Nordestina. O espetáculo marca o retorno do coral à Matriz, 20 anos depois

Composta com o objetivo de valorizar diversos elementos da música regional nordestina, a “Grande Missa Nordestina” mostra em seu primeiro movimento estruturas melódicas das “Escalas Nordestinas” e ritmo apoiado na “Dança dos Cabloquinhos”. A obra ainda traz referências do “Baião de Viola” e das “Bandas de Pífanos”.

“A peça é um ícone da cultura nordestina, une diversos elementos populares da região numa só composição. O Clóvis é um dos percursores do Movimento Armorial. Incrível que essa obra tenha ficado inédita na cidade por tanto tempo”, comenta Erickison Bezerra, regente adjunto da Orquestra da UFRN e titular do Madrigal. Ele passou a tarde de terça (5) ensaiando na igreja junto a equipe de 23 músicos e 40 vozes. “Esta é uma apresentação rara, num espaço histórico. A Igreja Matriz tem uma das melhores acústicas da cidade para concertos sacros”.

A apresentação encerra a temporada 2017 da Orquestra, uma das mais movimentadas dos últimos anos. “Este foi um ano importante para a Orquestra. Nossos concertos oficiais, realizados todo mês, ganharam sessões extras. Isso mostra o sucesso de público que tivemos”, avalia Erickison. Os concertos didáticos, outra importante ação da orquestra, também foram ampliados devido a maior procura de escolas públicas e privadas do município, ganhando sessões extras.

Orquestra Sinfônica da UFRN e Madrigal executam uma das peças-símbolo do Movimento Armorial
Orquestra Sinfônica da UFRN e Madrigal executam uma das peças-símbolo do Movimento Armorial

Madrigal retorna a Matriz
A última vez que o grupo Madrigal se apresentou na Igreja Matriz foi há 20 anos. Na ocasião o coral lotou a igreja com o concerto da peça “Magnificat”, uma das mais importantes obras vocais de Johann Sebastian Bach. O grupo, com mais de 45 anos  de atividade, agora retorna ao espaço num momento de renovação.

“O Madrigal vem num processo de reestruturação. Estamos com uma nova geração de vozes. Alguns integrantes são universitários e outros da comunidade em geral que participam do projeto de extensão”, diz Erickison, regente do coral. “Apesar de estarmos passando por uma reestruturação, 2017 foi um ano muito positivo. Tivemos uma procura grande por nossos concertos didáticos, chegando, em algumas vezes, a nos apresentar quatro vezes num único dia”.

Para a “Grande Missa Nordestina” o grupo está ensaiando desde agosto, enquanto a Orquestra começou há algumas semanas. “A preparação do coral é totalmente diferente da orquestra. Nosso instrumento é o corpo, precisamos de mais tempo de preparo. Com a orquestra os músicos já chegam com os instrumentos prontos”, explica o regente, que também vê o concerto desta quinta como representativo de uma maior aproximação do Madrigal com a Orquestra. “Estamos retomando as atividades de junção dos dois grupos. É algo importante pra Natal, já que não é tão comum acontecerem concertos desse tipo”, disse o regente adjunto da orquestra.

O que
Escrita pelo maestro Clóvis Pereira entre Natal e João Pessoa, a “Grande Missa Nordestina” une popular e erudito, numa valorização das raízes culturais da região Nordeste. Apresentada pela primeira vez em 1977, na Paraíba, onde o compositor atuava como regente do Coro Universitário da UFPB, a obra se tornou um dos mais conhecidos temas do Movimento Armorial.

Quem
Nascido em Caruaru, em 1932, Clóvis Pereira foi um dos fundadores do Movimento Armorial, ao lado de Ariano Suassuna e outros nomes da cultura nordestina. Com 85 anos, o músico completou 70 anos de carreira em 2017. Ele atuou como regente em diversas orquestras do Brasil e do exterior. Atualmente ele reside na Paraíba, onde realiza concertos especiais com as orquestras locais.


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