Nordeste: pioneirismo na Independência

Publicação: 2009-09-06 00:00:00 | Comentários: 0
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Alexandre Moura com a réplica das roupas de André de AlbuquerqueEllen Rodrigues - Repórter

A Revolução de 1817 foi realizada cinco anos antes da Independência do País por quatro estados do Nordeste, mas pouco é falada nas salas de aula. Segundo o poeta e estudante de Ciências Sociais da UFRN, Alexandre Moura, o Rio Grande do Norte junto com a Paraíba, Ceará e Pernambuco foram os verdadeiros pioneiros no processo de independência política do país de Portugal.

“O movimento foi tão importante que cerca de 2.500 mil pessoas morreram na repressão das tropas da monarquia portuguesa, enquanto a Inconfidência Mineira, sempre tão estudada nas escola, nem chegou a ser concretizada e teve o saldo de apenas um morto, que foi Tiradentes”, destaca.

Com um acervo de livros que remonta a época da Revolução no RN, Alexandre mostra como o fato foi importante e cheio de passagens inusitadas, muitas vezes registradas pelos viajantes que passavam em território potiguar. O vinho das celebrações religiosas foi substituído pelo aguardente, a farinha de trigo pela farinha de mandioca e o tratamento de vosmicê de origem portuguesa deu lugar a “patriota” ou “você”.

“Tudo que vinha de Portugal foi abolido para provar que podíamos ser independentes politicamente da metrópole com a produção local”, explica Moura.  André de Albuquerque Maranhão liderou o movimento no RN e era um dos homens mais ricos do Nordeste. Ele comandava as forças militares do estado, o equivalente à Polícia Militar de hoje. “Ele não fazia isso por poder, porque já o tinha, era pelo sentimento revolucionário”, opina Moura.

Moura lembra ainda da avó do escritor José de Alencar, a cearense Bárbara de Alencar, que comandou a Revolução no Ceará e foi a primeira presa política da história do país. “O feito é remetido à carioca Pagú, quando na verdade é de Bárbara, cujos bens da família foram todos confiscados”. Ele diz que é preciso resgatar a auto-estima do Nordeste e se orgulhar de sua importância histórica. “Quando a coroa portuguesa se instalou no país (1808) foram os altos impostos cobrados aos nordestinos que permitiram urbanizar o Rio de Janeiro”.

Café revolucionário

Com a réplica de uma das roupas usadas por André de Albuquerque, o poeta Alexandre Moura realiza segunda-feira (07), pelo quinto ano consecutivo, o “Café Revolucionário”. “No encontro lembramos a Revolução de 1817 e comemos apenas produtos da terra, como a tapioca e carne de sol”, explica. Realizado na residência de Moura, os amigos “revolucionários”  se confraternizam e assistem ao desfile ao estilo do século XIX.

Riqueza potiguar é destaque

Entre as reminiscências de uma época em que a comunicação era difícil e demorada, Alexandre Moura destaca  os elogios do viajante inglês Henry Coster em visita às terras potiguares. Sua impressões estão registradas na página 151 da obra “Viagens ao Nordeste do Brasil”. Ele foi recebido na casa Grande do Engenho Cunhaú, pelo Coronel André  Albuquerque:

“Encontrei, na sala de jantar, uma comprida mesa inteiramente coberta de pratos incontáveis , suficiente para 20 pessoas. Sentamo-nos, o coronel, seu capelão, outra pessoa e eu”, escreveu o visitante, e acrescentou:

“Quando eu havia saboreado bastante para estar perfeitamente saciado, surpreendeu-me a vinda de outro serviço, igualmente profuso, da galinhas, pastéis, etc., e ainda apareceu um terceiro, tendo pelo menos, dez espécies diferentes de doces. O jantar não podia ter sido melhor preparado nem mais perfeito mesmo que fosse feito no Recife, e um epicurista inglês teria ali com que agradar seu paladar”.

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