Nos anais da história

Publicação: 2018-07-10 00:00:00 | Comentários: 0
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Valério Mesquita
Escritor

Afonso Carlos Galvão era chefe da agência do IBGE em Santo Antônio do Salto da Onça nos idos de 50 e 60. Era político e foi vereador por três legislaturas. Boêmio e mulherengo de carteirinha, engravidava mulher de longe. Certa noite, convidado por Paulino veio a Natal conhecer o cabaré de Marlinda, em Lagoa Seca, emérita cafetina do bas-fond. Pela madrugada, chega a rádio patrulha para desarmar os frequentadores. Afonso, que não descartava do seu 38 – Taurus, foi a primeira vítima. Atordoado, procurou Paulino para reaver a arma. Este aconselhou-o a falar com o capitão Francisco Nunes, então comandante da R.P. e hoje procurador geral do estado. Ao chegarem ao quartel, na manhã seguinte, o capitão Nunes que já os conhecia foi logo interpelando: “O que está havendo Afonso?”. “Tomaram o meu revólver ontem à noite”, responde desolado a vítima. ”Mas, em que ambiente você se meteu?”, interroga o militar. “Ora, comandante, você me conhece. Sou homem de bem!!”, respondeu Afonso. Nunes completa: “Chico, Chico, eu lhe conheço bem. Nesse ambiente onde você estava entra Ulisses de Góis, entra Otto Guerra e Djalma Marinho?”. O desapontamento de Afonso foi geral. Mas, a arma foi devolvida e, por precaução, sem as balas por se tratar de um “homem de bem”.

Avelino Matias, vulgo “Meu Pai”, foi uma das melhores figuras folclóricas da política potiguar. Dentre muitos causos de que protagonizou, colhi mais um, ocorrido em Natal. Estava em uma reunião fechada com mais umas dez pessoas ligadas à ex-Funabem quando, de repente, a sala foi invadida por um silencioso gás intestinal. Todos se entreolharam e procuraram disfarçar tapando discretamente o nariz. Mais alguns minutos, novamente, nova bufa sorrateira incomodou os presentes. E veio aquele constrangimento. Mas, aquela reunião em sala fechada parecia fadada à sabotagem. Com pouco tempo surgiu o terceiro e terrível flato ainda mais podre. De repente, ante os perplexos e circunstantes funcionários, levanta-se Avelino e sentencia em voz alta e pesarosa: “Meu pai”, “minha mãe”, eu sou um homem doente. Para não trazer mais problemas eu vou me retirar”. O alívio foi geral.

Antenor Rocha, ex-vereador macaibense, era mais conhecido como Agenor da Tripa. Certa noite, num comício em Cajazeiras, distrito de Macaíba, Agenor havia concluído o seu discurso quando foi procurar um local para urinar. Em muitas casas do interior a latrina é no quintal. Ao penetrar no escuro pela lateral do terreno, teve logo a má sorte de receber um banho d’água servida proveniente da cozinha, lá nos fundos da casa. Molhado mas consciente de que foi casual, encontrou a “casinha” fechada. Como a vontade apertava entrou sítio adentro. Num local escuro começou “a verter a água do joelho”. De repente, quase morreu de susto: uma mulher estava agachada próxima no mesmo serviço. ”Cabra sem vergonha, vá mijar a puta que pariu!!”, gritou a mulher desesperada. Agenor saiu às carreiras para o local do comício. Assustado e todo mijado, me confessou gesticulando nervosamente: “Doutor, eu pensava que era um jumento, mas era uma “véia” braba como os seiscentos diabos”.

Djalma Marinho reuniu a sociedade de Nova Cruz para anunciar a vinda do serviço de abastecimento d’água para cidade. Lauro Arruda, deputado estadual, sentado ao lado de dom Nivaldo Monte, teve a surpresa de ver à sua frente a mão estendida do prefeito Zé Peixoto. Embora contrafeito, retribuiu o cumprimento. Ao final da reunião, foi interrogado por correligionários radicais que não entenderam a reciprocidade do gesto. “Na presença de dom Nivaldo”, explicou Lauro, chateadíssimo, “Eu podia negar o diabo daquele cumprimento?”.

Walter Leitão, ex-prefeito de Açu, era bonachão, espirituoso e irreverente. Certa vez, retornava à noite de uma viagem ao lado do seu motorista. Cansado, tirava uma soneca quando foi despertado repentinamente pela trepidação da estrada. “Quem é o corno fela da p... prefeito desse lugar?”, perguntou Walter, irritadíssimo. “Já estamos em Açu e o senhor não é o prefeito?”. Respondeu, obrigatoriamente, o motorista. Walter ali mesmo fechou o bico.


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