'Nosso maior problema hoje é a Previdência'

Publicação: 2018-06-02 00:00:00
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Confira a continuação da entrevista com o governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria. Leia abaixo:

Os demais serviços essenciais que são de responsabilidade do Estado, como saúde e educação, também não apresentam uma qualidade minimamente próxima das necessidades da população. Vislumbra algum caminho para que o governo preste serviços melhores e mais condizentes com o que a população precisa?
Permita-me  discordar de você. Nós inauguramos quarenta e nove escolas de tempo integral em menos de três anos. Quarenta e nove. Não existia nenhuma. Nós temos aulões pro Enem, com milhares de inscritos, em todo o estado. Temos o RN Alfabetizado, temos as escolas profissionalizantes. Na saúde, nós descentralizamos o sistema. As famosas filas do Walfredo, na verdade, começam lá no interior, quando um paciente se desloca pra capital. Nós já entregamos 60 leitos de UTI, e mais 60 estão sendo preparados pra ser entregues. Levamos a ortopedia plena pra Mossoró e estamos levando para Pau dos Ferros e Currais Novos. Instalamos um tomógrafo em Mossoró, no Tarcísio Maia, e já compramos um para Caicó, onde recentemente entregamos mais 10 leitos de UTI. Ou seja: vamos ter cirurgia de trauma em quatro regiões do estado, o que não tinha. Foi o maior avanço dos últimos anos na Saúde. Estamos concluindo a primeira UTI Neonatal do Seridó, em Currais Novos. Vamos entregar em 15 dias o hospital Cleodon Carlos de Andrade todo reformado em Pau dos Ferros. Como não melhorou? Melhorou sim. Só que em vez de construirmos mais um grande hospital de trauma na capital, preferimos investir nos hospitais regionais. Um paciente que quebra a perna em Mossoró, não vem mais pro Walfredo.

O Estado não deveria ser indutor do desenvolvimento? Ainda dá tempo de adotar programas e ações que levem a um crescimento econômico?
E o que você entende quando nós garantimos segurança jurídica para os investidores? O Idema destravou as licenças e já liberou mais de 10 mil licenças na nossa gestão. A Iberdrola, maior grupo de energia eólica do mundo, dona da Cosern, acaba de anunciar R$ 3 bilhões em investimentos para os próximos 5 anos. O grupo Six Senses, maior cadeia de resorts do mundo, está investindo mais de R$ 1 bi no nosso litoral sul, lá em Baia Formosa, fruto da segurança jurídica que proporcionamos. O resort Villa Galé vai ser inaugurado até agosto, com mais de 500 apartamentos e geração de 1500 empregos diretos e indiretos. Abrimos o Escritório do Empreendedor, acabando com espera de duzentos dias para se abrir uma empresa, o que hoje é feito em 2 dias. Trouxemos o voo da Azul pra Mossoró, após reformarmos e adequarmos o aeroporto, transformando-o de aeroporto de voos privados para voos comerciais, um sonho antigo do mossoroense. Criamos o RN Gás Mais. Nós temos atraído investimentos sim. Mesmo com toda a crise do país nos últimos anos, nós avançamos, e avançamos muito. Saímos da vigésima terceira posição para a terceira em destinos turísticos no Brasil. Fruto de divulgação do nosso governo. Só não vê quem não quer. Sem dúvida nenhuma somos hoje um dos estados mais atraentes para empresas que vêm de fora.

Isso está relacionado com os problemas fiscais do Estado, como o desequilíbrio orçamentário. O senhor faz uma avaliação de que, no início do governo, deveria ter adotado medidas mais duras para reduzir os gastos, inclusive com folha de pagamento?
Quem está de fora sempre tende a achar que a decisão é fácil. Mas ela nunca é. Mas, sim, já fizemos um mea culpa. Algumas coisas poderiam ter sido feitas? Talvez. Mas quem imaginaria, lá em 2015, que iríamos ter 7 anos de seca (a maior dos últimos 100 anos), que a Petrobras iria quebrar, que o país iria passar pela maior crise econômica e política de sua história? Eu sou um otimista por natureza. Eu poderia ter demitido 20 mil servidores, amparado pela lei, mas preferi enfrentar a crise. Hoje pago um preço por isso, mas a história irá julgar, lá na frente, que diante de toda dificuldade, nós preferimos enfrentar a crise, em vez de penalizar ainda mais o servidor e suas famílias. Nosso problema maior hoje é a previdência estadual, que consome parte da nossa receita, um problema que começou muitas décadas atrás, e que agora está explodindo na gestão atual. Mas mesmo assim, nós estamos fazendo todos os ajustes, tanto que o Tesouro Nacional aqui esteve e admitiu que nosso plano de recuperação econômica é bom e que estamos sim fazendo o dever de casa, enxugando, ajustando. Nós fizemos uma auditoria na folha, fizemos um senso, em parceria com o Ministério da Previdência e temos a menor folha de cargos comissionados do país. Portanto, somos um estado enxuto, não somos perdulários. Muita gente não sabe disso.

A Previdência estadual que tem um déficit superior a R$ 100 milhões por mês? Por que o governo desistiu de articular a votação dos projetos que enfrentariam esse déficit como o aumento de alíquota da previdência?
O Governo Federal promoveu uma rolagem de dívidas, que só beneficiou os estados que mais devem no país. Como somos um dos estados que menos deve no país, atrás apenas do Acre, não tivemos os benefícios da lei de rolagem de dívida do Governo Federal, que permitiria termos caixa na conta única, que é a responsável pelo pagamento do déficit. Mas este tema terá que ser enfrentado, numa discussão nacional, não é só do RN. É um problema da União e dos estados.

Algumas outras medidas estão no “radar” do governo para enfrentar o déficit da previdência e os demais problemas de desajuste fiscal?
Já respondi na anterior.

E com relação à política eleitoral, o senhor será mesmo candidato à reeleição?
Perceba que só agora nós chegamos na parte política nesta nossa entrevista. E sabe por que? Porque a gestão do estado é muito, muito mais importante e prioritária para um gestor. Eu durmo e acordo preocupado com a folha, com a Segurança, com a Saúde do estado e concluir o saneamento de Natal, para o povo potiguar ter orgulho de ter a primeira capital do Brasil 100% saneada. Me preocupo em entregar a Prudente de Morais, que estava parada há quase 20 anos. Me preocupo em entregar o Anel Viário, cujo Acesso Sul ao Aeroporto e a Terceira Ponte sobre o Rio Potengi já estão prontos e inclusive sendo usados. Portanto, como você pode ver, quase não tenho tempo para pensar em política. Como me preocupei em recuperar Alcaçuz e também implantei o Microcrédito do Empreendedor, que já gerou mais de 50 mil empregos em todo o estado. É claro que eu preciso pensar em política, eu sou governador, mas sou também um político. É a política e a democracia que legitima um governante. No momento certo irei me dedicar a este tema. O meu foco agora é gestão, é vencer a crise. Só digo uma coisa: não subestimem a minha capacidade de luta.

Com quais partidos o PSD poderia firmar alianças na eleição deste ano? Como estão as articulações neste sentido?
O PSD é um partido plural. Existem pessoas no partido tocando esta parte política, cuidando das articulações. O que sei hoje é que temos a melhor nominata para estadual e federal, fruto de uma articulação política serena e justa, sem açodamentos. E confio nas pessoas que estão tocando esta articulação. E as informações que já tenho é que estão bem encaminhadas. O PSD é um bom partido pra se coligar, pode acreditar nisso.

Quem será seu candidato a vice?
Acho que já te respondi duas perguntas atrás: no momento certo isso será discutido. Hoje meu candidato a tudo é o cidadão norte-riograndense, que me escolheu para governar por quatro anos. E ele me conhece e sabe que, mesmo com toda dificuldade, ninguém pode subestimar minha capacidade de enfrentar grandes desafios. Eu governei enfrentando a crise e o povo sabe que eu fui o primeiro governador da História a enfrentar uma crise desde o primeiro dia, e a estamos vencendo. Nunca um gestor foi tão testado como eu fui.

E as candidaturas ao Senado? Que nomes são cogitados para formar, com o senhor, uma chapa majoritária?
Tudo tem seu tempo. Vamos aguardar. Deixo aqui um forte abraço a todos os leitores da Tribuna do Norte.



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