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Nosso primeiro professor de filosofia
Publicado: 00:00:00 - 17/04/2022 Atualizado: 14:27:51 - 16/04/2022
Diogenes da Cunha Lima  
[ Escritor, advogado e presidente da Academia Norte-rio-grandense de Letras (anL) ] 

Não devemos esquecer nossos professores, conselheiros, mentores. Mas a gratidão humana e a memória coletiva têm pernas curtas. 

O primeiro doutor do curso de filosofia da UFRN foi Manoel Barbosa de Vasconcelos (1927-1985). Era um humanista e sacerdote. No exercício da função, dedicou-se a ensinar, a pensar e a gerar reflexão.

Nasceu em Serra de São Bento, então município de Nova Cruz. Foi um menino pobre. Cursou primário em São José de Campestre (indicação do destino?) no colégio chamado São Tomaz de Aquino. Em Natal, continuou os estudos no Seminário São Pedro e, depois, graduou-se em Teologia no Ceará. 

Ainda seminarista, cursando o ensino médio, ganhou o primeiro lugar do concurso nacional, promovido pela Sociedade Brasileira do Folclore, traduzindo o poeta latino Ovídio. Câmara Cascudo foi pessoalmente outorgar o prêmio na Academia Padre Anchieta.

Durante anos, foi professor de latim e francês no Seminário. Entre os alunos, estava o meu guru padre João Medeiros Filho. 

Esse sacerdote teve a delicadeza de explicar para o coroinha da Igreja Matriz de Nova Cruz o sentido da linguagem da missa, que, à época, era celebrada em latim com o padre de costas para os fiéis. Assim: introibo ad altare Dei, qui laetificat juventutem meam que significava entrarei no altar de Deus, que alegra a minha juventude. Encantava-me, sobretudo: Sursum corda, que aconselhava elevar nossos corações. 

O padre Barbosa foi capelão de várias instituições e atuava sempre na área de ações sociais e de valorização das pessoas. Quando o capelão da Polícia Militar do Estado harmonizou a vida de jovens, estes se tornaram personalidades, entre os quais o parlamentar federal João Faustino e seu irmão o Brigadeiro Astor. 

Ele fez doutorado na Universidade Gregoriana, em Roma. Já havia concluído, com louvor, o mestrado na Universidade de Lyon, defendendo tese sobre Max Weber, cuja pesquisa passou a servir de norte à sua vida no magistério. 

Antes, havia aprofundado seus conhecimentos com a filosofia de Aristóteles, Platão, Santo Agostinho, Tomás de Aquino, Pico Della Mirandola, Kant, Karl Marx e Jean-Paul Sartre. 

De todos os filósofos, a sua predileção para transmitir aos amigos e alunos foi por Max Weber. Desse extraordinário filósofo registrava a sociologia das religiões. Provava também a sua ação e influência para o mundo, como, por exemplo, conseguiu inserir na Constituição de Weimar os direitos fundamentais, sociais, o direito do trabalhador à educação. Nesse sentido, os constituintes alemães foram pioneiros. 

Como poderemos esquecer a nobreza do grande Pensador e do magistral Professor?   

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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