Notável celebridade nordestina

Publicação: 2020-08-13 00:00:00
Alcyr Veras
Economista e professor universitário

No último dia 26 de julho, registrou-se o centenário de nascimento do economista de maior expressão do Nordeste do Brasil, Celso Furtado, falecido em 2004. Nascido no município de Pombal, estado da Paraíba, Celso Furtado é considerado por Entidades de reconhecimento de mérito econômico-científico, como um dos mais proeminentes economistas brasileiros do século vinte, ao lado de nomes não menos famosos como Delfim Netto, Mario Henrique Simonsen, Eugênio Gudin, Reis Veloso, Roberto Campos, Edmar Bacha, Otávio Gouveia de Bulhões.         

Após concluir o ensino médio no Liceu Paraibano, chega ao Rio de Janeiro em 1939 para estudar na Faculdade Nacional de Direito. Uma curiosidade atípica: em 1944, ingressa no curso CPOR do Exército e é convocado para integrar a Força Expedicionária brasileira. Segue, então, para a Itália servindo na região da Toscana, como Oficial de ligação junto ao V Exército dos Estados Unidos, e sofre um acidente em missão ofensiva das tropas aliadas no norte italiano.

De volta ao Brasil, ganha seu primeiro prêmio literário Franklin Roosevelt, escrevendo o ensaio “Trajetória da Democracia na América”. Em 1946, viaja para a França e, após dois anos de estudos intensivos, obtém seu Diploma de Doutoramento em economia pela Universidade de Paris-Sorbonne. 

Celso iniciou suas atividades profissionais como assessor técnico, e depois como diretor regional da CEPAL – Comissão Econômica para a América Latina, órgão criado pela ONU, em 1948, tendo como objetivo elaborar estudos e alternativas para o desenvolvimento da economia latino-americana.

Foi idealizador e o primeiro Superintendente da SUDENE, criada em 1959, no governo Juscelino Kubitschek. Entre 1961 e 1964 desempenhou o cargo de Ministro do Planejamento, no período do governo João Goulart. Durante a ditadura militar, teve seus direitos políticos cassados e exilou-se no exterior, passando a lecionar na Universidade de Sorbonne (onde outrora havia sido aluno). É o primeiro estrangeiro nomeado para uma universidade francesa por decreto presidencial do general Charles De Gaulle. Foi também professor na Universidade de Washington (USA) e na Universidade de Cambridge (Inglaterra).

Dominando fluentemente os idiomas francês, inglês e espanhol, o economista Celso Furtado percorreu vários países da América Latina, Ásia e África, em missões da ONU sobre projetos socioeconômicos para regiões subdesenvolvidas. Esteve na Casa Branca com o Presidente John Kennedy, para tratar de ações de cooperação do Programa Aliança para o Progresso.

Era notadamente favorável à Reforma Agrária, utilizando mecanismos de redistribuição de renda aos trabalhadores rurais, com a finalidade de evitar os males da alta concentração e o crescimento de latifúndios. Em sua homenagem, a Academia de Ciências do Terceiro Mundo criou o Prêmio Internacional Celso Furtado. Foi nomeado embaixador do Brasil junto à Comunidade Econômica Europeia, em Bruxelas. 

Integrou a Comissão de Estudos Constitucionais presidida pelo jurista Afonso Arinos. Em março de 1986, assumiu o cargo de Ministro da Cultura do Governo Sarney.

Publicou 32 livros, além de artigos especializados em revistas nacionais e internacionais. 

Recebeu prêmios intelectuais, honrarias e títulos de Doutor Honoris Causa de várias Universidades brasileiras (públicas e privadas), de Portugal e da França.

Em agosto de 1997 é eleito para a cadeira nº 11 da Academia Brasileira de Letras.

Em seus livros, afirma que é imperativo estancar o êxodo rural para evitar o inchaço das cidades. Diz ainda que as fábricas e a urbanização de São Paulo, e as obras de Brasília, foram construídas pela mão de obra nordestina que abandonou o campo por falta de políticas públicas para fixar o homem à terra. 


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