Notas sobre a Amazônia

Publicação: 2019-10-16 00:00:00 | Comentários: 0
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Ronaldo Fernandes
Engenheiro Agrônomo

A região sempre suscitou questionamentos internacionais por parte de governos, políticos, ambientalistas e mais recente, ONGS. A Amazônia Brasileira está totalmente integrada na bacia hidrográfica de sete milhões de km², que abrange sete países da América do Sul. Concentra 20% da água doce da terra, conta com milhares de afluentes que proporcionam vinte e cinco mil km de vias navegáveis, além da maior e mais diversificada floresta tropical do planeta.

Como se ver, tudo é superlativo e sem dúvida, é uma área privilegiada pela natureza. Em território brasileiro, a floresta corresponde a 45% da área total, compreendendo os estados da região Norte e Oeste: Amapá, Roraima, Amazonas, Pará, Acre e Mato Grosso. De várias fontes consultadas foram obtidos os seguintes dados: Existe aproximadamente 14 mil espécies vegetais, 300 de mamíferos, 1000 de pássaros e cerca de 1400 espécies de peixe, tudo envolvendo a bacia hidrográfica. Vale acrescentar que as riquezas minerais já foram parcialmente reveladas por garimpos e Petrobras, quanto a petróleo e gás. Amazônica como já referido, pertence a países em fase de desenvolvimento dependente de recursos financeiros e conhecimento para implementação de ações governamentais que a região carece.

No Brasil é lícito reconhecer que apesar dos muitos governos do passado e do presente, a Amazônia continua como um sonho distante. Muito dependente de infra estrutura, população pobre, necessita de estudos e pesquisas, sendo ainda pouco conhecida dos próprios brasileiros. Continua presente repetidas agressões ambientais por parte de madereiros, garimpeiros, e agropecuaristas. As recentes queimadas na floresta chamaram a atenção da mídia e o país foi assunto internacional por uma quinzena.

Pelo exposto, é compreensível o misto de admiração, inveja e cobiça de nações poderosas em busca de obter vantagens com a riqueza contida no espaço amazônico. E esse – Olho grande – é muito antigo conforme consta no livro do escritor americano Charles C. Mann –  1943: “Como o Intercâmbio Entre o Novo e o Velho Mundo, Moldou os Dias de Hoje” -. Trata-se de uma obra que contém um rico e detalhado conjunto de informações, que conta a história da humanidade e de outros seres biológicos, pós descoberta da América em 12 de Outubro de 1492, por Cristovão Colombo. A partir desse fato histórico para o autor o mundo mudou provocado pelo intercâmbio colombiano. Um fato brasileiro citado, diz respeito a seringueira –Hévia brasiliense, que só existia na Amazônia e tornou o país maior produtor e detentor da borracha no mundo. A demanda internacional pelo produto era de tal ordem que sementes foram contrabandeadas do estado do Pará para a Ásia pelo aventureiro inglês Henry Wickman no início da década de 70. Nas novas áreas do continente asiático a seringueira passou a ser cultivada (Filipinas, Indonésia, Malásia, Tailândia), usando processos agronômicos de seleção enxertia, controle de pragas e doenças e hoje esses países são os maiores produtores mundiais. Ainda com base na obra em foco, transcrevo: “Líderes políticos e comerciais da Europa e Estados Unidos se revoltaram com o fato de um material tão vital para suas economias ser completamente controlado por estrangeiros.”

Outra manifestação refere-se a França: “Alegando que ao sul de sua Colônia na Guiana Francesa, se estende a terra do borracha, a França enviou tropas a floresta, o Brasil fez o mesmo. A França desistiu e retirou as suas tropas”.... A Inglaterra obteve mais êxito ao alegar que sua colônia se estendia até o território da borracha ... Instituiu a Sociedade Geográfica Real que realizou um levantamento científico. A Guiana inglesa adquiriu algumas terras da borracha... Entretanto, para o Brasil a maior ameaça ao seu domínio comercial eram os Estados Unidos – O interesse americano na Amazônia remontava a Matthew Fonteine (1806-1873), fundador do Observatório Naval dos Estados Unidos e da Oceanografia moderna... Em um panfleto de grande circulação, ele propôs uma solução: Os Estados Unidos deveriam anexar a bacia amazônica... O vale do Amazonas era uma segurança natural para os nossos estados do sul”.

O contido no presente texto é uma pequena amostra de que a cobiça é antiga e vem de longe. Cabe a Nação Brasileira a urgência em proteger e desenvolver esse nosso patrimônio. Para tanto, acredito em políticas públicas que atendam aos seguintes pressupostos: Permanente pesquisa científica, ocupação econômica sustentável, preservação e reposição ambiental, respeito e integração dos povos indígenas, legislação e fiscalização pertinentes a realidade atual.






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