Notificações de dengue crescem 254% em um ano

Publicação: 2016-02-27 00:00:00
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Em um ano, as notificações de casos de dengue cresceram 254,24% no Rio Grande do Norte. Até o dia 20 deste mês, 10.762 notificações foram computadas pela Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap/RN), contra 3.038 no mesmo período do ano passado. Em todo o estado, 15 mortes cujas suspeitas recaem sobre a doença somente este ano estão sob investigação. Os dados foram confirmados ontem pela Coordenadoria de Promoção à Saúde da Sesap/RN. Sem detalhar em quais municípios estão os maiores índices de infestação, a Coordenadoria voltou as atenções para a cidade João Câmara, distante 75 km de Natal, na qual sete óbitos foram registrados num curto intervalo de tempo e possivelmente causados pela dengue. Não foram repassados dados sobre casos de zika e chikungunya.
Cláudia Frederico, da Sesap, comenta o aumento das notificações no Rio Grande do Norte
“Todos esses casos (de dengue) amplamente divulgados pela imprensa estão sob investigação. Material (visceral e fluidos orgânicos) das vítimas foi coletado e encaminhado para análise laboratorial. Ainda não temos a confirmação se todas as mortes, de fato, foram causadas pela dengue”, frisou a titular da Coordenadoria de Promoção à Saúde da Sesap, Cláudia Frederico. Quatro das sete vítimas eram idosas e tinham doenças  crônicas anteriores à suposta infecção pela dengue. Em João Câmara, ela destacou que os agentes de endemias visitaram 77% dos domicílios e os ciclos de tais visitas foram encurtados para um maior controle da infestação. Somente nestes primeiros dois meses do ano, 428 notificações de dengue foram oficializadas na cidade.

Além disso, semana passada, a Secretaria de Saúde de João Câmara requereu, via ofício, a intervenção da Sesap no apoio às ações de combate ao vetor. A Secretaria de Estado enviou duas Unidades de Baixo Volume (carros-fumacê) no início desta semana para pulverizar larvicida como forma emergencial de combate ao mosquito Aedes aegypti. Cada ciclo de pulverização dura três dias e a expectativa é que quatro ciclos sejam cumpridos somente na cidade em referência. Sobre o elevado índice de notificações de casos de dengue, Cláudia Frederico destacou é preciso avaliar duas situações.

“Os casos podem sim ter aumentado, assim como as notificações. Podemos entender que a população está mais atenta, denunciando mais e, com isso, o número de notificações aumentou”, disse. Mas não é somente os supostos casos de dengue que estão amedrontando a população de João Câmara. Pelo menos duas crianças nasceram recentemente no município com microcefalia. O mais intrigante é que ambas são da mesma família. Além disso, um adolescente de 15 anos supostamente acometido por meningite foi transferido para Natal quinta-feira passada e está numa Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal, em estado grave.

A vice-coordenadora de Promoção à Saúde, Cristiane Fialho, destacou que todos os “comunicantes”, que são aquelas pessoas que mantiveram contato com o adolescente internado, receberam medicação para combater a moléstia e, em tese, não correm risco de desenvolver a meningite. “A medicação ministrada não permite que a doença seja repassada para outras pessoas 24 horas após ser aplicada”, enalteceu Cristiane Fialho.

Vistoria atinge 51% dos imóveis
Mais da metade dos imóveis do Rio Grande do Norte já foi vistoriada por equipes de agentes de endemias e militares das forças armadas para combate ao Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika. De acordo com dados do Ministério da Saúde, dos 1.030.466 imóveis do estado, 527.647 foram visitados, o que representa 51,20% do total.

Em todo o país, 41,5 milhões de imóveis, residenciais, públicos e comerciais foram visitados, o que equivale 61,8% do previsto. No balanço da semana anterior, 27,4 milhões de imóveis tinham sido percorridos pelos mais de 300 mil agentes comunitários de saúde e de controle de endemias, com apoio dos militares das Forças Armadas, destacados para identificação e eliminação de focos do mosquito, além de orientação de prevenção ao mosquito transmissor da dengue, do vírus Zika e da febre Chikungunya, em todos os estados do país.

“Tivemos um avanço importante e um alcance de domicílios e prédios muito positivo. O fundamental é estabelecer um processo de sustentação das visitas e dar continuidade a um ambiente seguro e livre do vetor”, destacou o secretário-executivo substituto do Ministério da Saúde, Neilton Oliveira.

Além disso, 88% dos municípios, ou seja, 4.901 dos 5.570 existentes em todos os estados do Brasil estão notificando as visitas no Sistema Informatizado de Monitoramento da Presidência da República (SIM-PR). Os dados são gerenciados pela Sala Nacional com base nas informações transmitidas pelas salas estaduais, a partir da mobilização para realização de visitas pelos municípios.

Entre os 41,5 milhões de imóveis informados pelas equipes locais de mobilização, 1,1 milhão de estabelecimentos foram recuperados, ou seja, houve sucesso no retorno de agentes e militares para acesso ao seu interior. Durante as visitas, foram identificados 1,3 milhão de imóveis com focos do mosquito, o que representa 3,3% do total de visitados. A meta é reduzir esse índice de infestação para menos de 1% de imóveis com foco. A Sala Nacional contabilizou a recusa de acesso a 155,2 mil imóveis, além de 9,2 milhões de domicílios fechados.

A base de imóveis a serem visitados considera os dados do Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), atualizado com informações de outras pesquisas periódicas do mesmo instituto de pesquisa.