Nova Amsterdam entre a ficção e a história

Publicação: 2015-11-24 00:00:00 | Comentários: 0
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Yuno Silva
Repórter

Entre as muitas brechas que existem na história do Brasil, o período da ocupação holandesa na costa do Nordeste certamente é uma das mais obscuras – visto que a informação oficial foi produzida pelos conquistadores portugueses, os primeiros invasores de fato! Para embolar ainda mais o meio de campo histórico, ao longo do tempo, sob influência da igreja Católica, transformaram uma guerra declarada por território e riquezas naturais em conflito religioso. Polêmicas e engôdos à parte, a presença holandesa na costa brasileira (de 1630 a 1654) rendeu o mote necessário para roteiro do longa-metragem “Nova Amsterdam – Terra do Sol banhada de sangue”, do jornalista e cineasta potiguar Edson Soares (Engady Cine Vídeo).
DivulgaçãoEm Nova Amsterdam predominam cenas internas, gravadas em estúdio e uso do chroma key. Na cena, o ator convidado Roney VilellaEm Nova Amsterdam predominam cenas internas, gravadas em estúdio e uso do chroma key. Na cena, o ator convidado Roney Vilella

O filme de época, gravado em Natal, Macaíba, Goianinha, Canguaretama e Ceará Mirim, reúne elenco local e artistas conhecidos do grande público. As gravações foram 100% concluídas, e agora o trabalho está concentrado na montagem e edição das imagens. “Trabalhamos para concluir o filme em janeiro ou fevereiro do próximo ano, e antes da estréia comercial (no cinema ou direto na TV) quero rodar os festivais”, planeja Soares.

A trama se passa em meados do século 17 em Nova Amsterdã, nome de Natal sob o domínio holandês, e de acordo com a sinopse trata-se de um “drama histórico repleto de ação e aventura, permeado por uma trama romântica onde personagens fictícias se misturam às figuras reais. (…) Um filme violento, com seqüências sangrentas e sufocantes, que mostra o paraíso se transformando em inferno”.

No elenco figuram nomes como Joana Fomm, Leonardo Miggiorin, Paulo César Pereio, Fernando Muniz, Marcélia Cartaxo, Cristina Prochaska, Thallita Kumme, André Di Mauro, Íttala Nandi, Anselmo Vasconcellos, Charles Paraventi e Roney Vilella. A prata da casa é representada por Nara Kelly, George Holanda e Riccardo San Martini. A equipe técnica foi formada por cerca de 40 pessoas e o número de figurantes passou de 300.

“Comecei a rodar esse projeto em 2012 (com verba do Prêmio BNB de Cultura), de forma quase artesanal, em película, com muitas imagens externas. A experiência trouxe capacitação, mas com pouco dinheiro em caixa a produção como um todo, incluindo cenário e figurino, ficou aquém do esperado; e decidimos refazer praticamente tudo. Estamos com elenco novo e usando câmera digital para captação das imagens (sistema 4k)”, revelou Edson Soares, diretor, produtor executivo e roteirista de “Nova Amsterdam”.

Para otimizar os recursos, cerca de R$ 350 mil, metade proveniente de edital do Fundo Setorial do Audiovisual (Ancine/MinC), quase todas as 179 cenas foram gravadas em estúdio montado dentro de um galpão alugado no bairro do Alecrim. “As filmagens externas se mostraram complicadas (e caras) devido a necessidade de reconstituição de época, então fizemos algumas tomadas específicas e recriamos os ambientes digitalmente”, explicou o diretor. As locações serão aplicadas sobre o ‘chroma key’ (fundo verde) que emoldurou as ações no estúdio.

Como Edson Soares está para iniciar nova empreitada audiovisual logo no primeiro semestre de 2016, na medida que as cenas eram gravadas as imagens eram decupadas e inseridas na ilha de edição. “Nesta fase final estamos trabalhando com quatro equipes, na edição e na construção dos cenários digitais. O trabalho de montagem está em 20%”, contabilizou.

A canção tema é de Zeca Brasil, interpretada pela cantora Elizabeth Rose, e os direitos da trilha sonora estão sendo negociados com o músico veterano Antônio Madureira, potiguar de Macau radicado em Pernambuco, que integrou o famoso Quinteto Armorial idealizado por Ariano Suassuna (1927-2014). Uma empresa do Rio de Janeiro assina a co-produção de “Nova Amsterdam”, e a distribuidora também é carioca.

“Imortal” 
Inspirado no conto “O Imortal”, de Machado de Assis (1839-1908), Edson Soares criou o argumento para “Omicron”, série de ficção em 12 episódios com 40 minutos cada. A aventura futurista se passa na Amazônia em 2089, totalmente destruída e ocupada por petrolíferas chinesas e bases militares estrangeiras.

A série, aprovada em outro edital da FSA/Ancine/MinC, terá como protagonista o ator Marcello Melo Júnior (“Última Parada 174”, “Alemão” e “Cidade de Deus”). Omicron (Melo Júnior) faz parte de uma comunidade holística que se torna indestrutível (e imortal) a partir do consumo de um elixir preparado por um velho cacique. Ele atravessa guerras, presencia a destruição de cidades e civilizações, viaja ao espaço e conhece outros mundos. A morte, tida como inevitável, passa a ser cobiçada pela sociedade – instaurando-se o desejo suicida de tê-la para si como única solução.

“Estamos em pré-produção, mas a base do elenco principal está definida. Não posso adiantar nomes ainda pois não fechamos os contratos”, informou. Soares contou que por exigência contratual, o núcleo do elenco será formado por artistas nacionais.

Com orçamento aprovado na casa do R$ 1 milhão, “Omicron” será ambientada em Pernambuco mas toda gravada em Natal. A previsão é que as gravações comecem já no primeiro trimestre de 2016, e o lançamento planejado para o fim do próximo ano. A exibição será via emissora de TV fechada para todo o País. “Quando dividida pelos 12 episódios, essa verba permite que trabalhemos no limite. Por isso estamos atrás de outros apoios para termos um pouco de folga no orçamento”. O diretor acredita que “é interessante” para o Governo do Estado e Prefeitura do Natal se envolverem na produção pois o filme divulga o RN como destino turístico e como pólo produtor de cinema.

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