Nova gasolina passa a ser obrigatória; Postos ainda negociam com estoques antigos

Publicação: 2020-08-04 00:00:00
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Produtores de combustíveis são obrigados a partir desta segunda-feira (3) a oferecer gasolina automotiva de melhor qualidade, menos nociva aos motores e ao meio ambiente. A mudança está prevista em resolução da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e deve atingir, principalmente, a Petrobras, que domina a produção de derivados de petróleo no Brasil, e importadores.

Créditos: Paulo Marques/Agência EstadoPostos de combustíveis têm até 90 dias para começar a oferecer nova gasolinaPostos de combustíveis têm até 90 dias para começar a oferecer nova gasolina



Mais eficiente do que a comercializada até então, a nova gasolina melhora a autonomia do veículo, que, com isso, consome menos combustível. Além disso, a partir da sua oferta no mercado, fica mais fácil também para as empresas montadoras de veículos utilizarem tecnologias de motores de melhor qualidade, com capacidade de reduzir as emissões atmosféricas.

Por enquanto, ainda é possível encontrar a "velha gasolina" nos postos. As distribuidoras têm mais 60 dias de adaptação e os revendedores, 90 dias. Até lá, será permitido o escoamento de possíveis produtos comercializados até o domingo (2) ainda sem atender integralmente às novas características.

No Rio Grande do Norte, os quase 630 postos ativos ainda estão com estoques antigos de gasolina. O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do RN (Sindipostos), Antônio Cardoso Sales, estima que ainda levará tempo para os revendedores começarem a oferecer somente a nova gasolina, porque os distribuidores também estão com estoques do produto de especificação anterior.

“Hoje (esta segunda-feira) é o marco do bombeio da gasolina no novo padrão pelas companhias produtoras, mas tanto os distribuidores, quanto os  revendedores ainda têm da gasolina antiga em seus tanques. À medida que for acabando, vamos receber no novo padrão e, deve levar um tempo até a homogeneização, ou seja, para que todos estejam vendendo ao consumidor a gasolina nesse novo padrão”, disse o presidente do Sindipostos.

A expectativa, segundo ele, é de que não ocorra aumento de preço para o consumidor final.  “Vamos aguardar como vem o preço dessa nova gasolina, esperamos não ter aumento. Até agora, a Petrobras não soltou nota nesse sentido”, disse Antônio Cardoso.

A revisão da especificação da gasolina automotiva envolve, principalmente, três pontos. O primeiro é o estabelecimento de valor mínimo de massa específica (ME), de 715,0 kg/m?, o que significa mais energia e menos consumo.

O segundo é o valor mínimo para a temperatura de destilação em 50% (T50) para a gasolina A (vendida pelas refinarias), de 77ºC. Os parâmetros de destilação afetam questões como desempenho e aquecimento do motor.

O terceiro ponto é a fixação de limites para a octanagem RON (Research Octane Number), já presente nas especificações da gasolina de outros países. Segundo a especialista em regulação da ANP, Ednéa Caliman, o produto brasileiro passará a ter mais qualidade e maior eficiência energética.

“Essa definição é importante. Quanto maior a massa específica do combustível em termos de hidrocarbonetos, maior é a densidade energética do combustível, ou seja, para o mesmo volume de combustível injetado no motor haverá a geração de maior quantidade de energia no momento da queima do combustível. Com isso, esperamos que proporcione maior rendimento, gerando diminuição do consumo e aumento da autonomia dos veículos”, disse.