Nova visão no audiovisual

Publicação: 2014-07-01 00:00:00
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Yuno Silva
repórter

A expressão pode até soar exagerada, talvez otimista demais (!), mas o segmento audiovisual natalense está com ‘a faca e o queijo na mão’ para deslanchar e alçar voos mais longos. Para o gestor cultural Josenilton Tavares, que assume o Núcleo de Audiovisual e Novas Mídias da Fundação Capitania das Artes, é só “dar tempo ao tempo” para as coisas acontecerem – e tudo indica que esse “tempo” será mais curto do que costuma ser quando se fala em burocracia. As expectativas giram em torno da versão 2014 do Cine Natal, ação da Prefeitura/Funcarte que prevê investimentos da ordem de R$ 250 mil para viabilizar realização de festivais e produção de filmes; a programação inclui seminário e atividades de formação.
Plano para o setor audiovisual é intensificar o acesso da comunidade às atividades do Núcleo: “A área de audiovisual é complexa, dialoga com conceitos de economia criativa”
De concreto, o edital, que chegou a ser publicado no final de maio, está em ‘banho-maria’ no aguardo de notícias que podem ser anunciadas nas próximas semanas – entre elas um possível convênio com a Ancine (Agência Nacional do Cinema), que ampliaria o volume de investimentos. “Só o fato da Funcarte garantir a manutenção do Cine Natal, já credencia o município junto a Ancine no pleito do convênio”, explica Josenilton, antropólogo, produtor cultural e sócio-fundador da ABDeC/RN que acumula experiência como gestor tanto na Capitania das Artes como na Fundação José Augusto.

O apoio da Ancine é no tocante à produção de filmes de curta e longa-metragem e qualquer que seja a resposta o edital terá um novo prazo para receber inscrições. “É uma política nacional da Ancine, cuja iniciativa é chamada de ‘investimento suplementar do fundo setorial do audiovisual’. Esse convênio é muito parecido com o que está previsto para acontecer quando o Sistema Nacional de Cultura estiver funcionando em sua plenitude”, aposta. De acordo com o gestor, a meta é se aproximar de parâmetros nacionais ao destinar, por exemplo, de R$ 80 mil a R$ 100 mil para um curta-metragem.

Tavares também destacou que o calendário não está fechado: “A programação do Cine Natal faz parte do Natal em Natal, e temos que ter muito cuidado para não sobrepor datas. Tudo indica que permanecerá em novembro”, adiantou, lembrando que o ano é atípico devido a Copa do Mundo e o período eleitoral.

Flexibilização
Quanto aos planos de Josenilton à frente do Núcleo de Audiovisual da Funcarte, ele diz querer contribuir com a consolidação das políticas públicas para o segmento a partir da produção continuada, parceria com produtoras e emissoras locais de TV. “A área de audiovisual é complexa, dialoga com conceitos de economia criativa, e temos que ter estratégias para atender demandas de profissionalização e qualificação. Considerar a relação que o audiovisual tem com a Educação, o potencial de mercado das TVs por assinatura, quem faz filme com celular e/ou trabalha nas TVs comunitárias; saber quem está fazendo, o que está sendo feito e para quem é feito. São muitos desafios e não adianta querer resolver tudo como em um passe de mágica”, garante.

Também estão na lista de prioridades intensificar o acesso da comunidade às atividades propostas pelo Núcleo de Audiovisual.

Com relação ao ano passado, o principal ajuste para essa segunda edição do Cine Natal já está sendo pensado: a flexibilização do critério de ineditismo exigido no edital da Prefeitura, detalhe que acaba limitando a inscrição dos filmes financiados com recursos públicos em festivais. “Temos que cumprir o que está escrito no edital, não podemos ignorar essa cláusula (do ineditismo) e sim tentar contornar a situação. Por isso avaliamos, inclusive, antecipar as estréias para liberar os curtas para participação nos festivais”, esclarece.

A presença de um profissional da área, com experiência em roteiro, deve ser repetida. “Não descartamos a volta do (roteirista) Marcelo Caetano, que fez um recorte bem específico; é importante essa troca presencial de experiências, fortalece toda uma cadeia produtiva”, aposta.