‘Novas-ricas’ carecem de estrutura

Publicação: 2010-08-22 00:00:00 | Comentários: 2
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Ricardo Araújo - Repórter de Economia

O Produto Interno Bruto (PIB) das cidades do Rio Grande do Norte foi analisado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Porto do Mangue e Rio do Fogo despontam como as “novas-ricas” da economia potiguar. A riqueza dos municípios é creditada à exploração do petróleo, pesca e geração de energia eólica. Mas apesar dos valores repassados às prefeituras pela Petrobras e Grupo Iberdrola, as cidades enfrentam problemas de gestão e geração de empregos.

Pesca artesanal é a grande fonte de renda da maior parte da população de Porto do Mangue.  Município quer diversificar economiaNatal continua sendo a cidade com o maior índice de PIB acumulado  (R$ 4,5 bilhões), seguida de Mossoró (R$ 1,5 bilhão) e Parnamirim (R$ 802 milhões). O turismo continua a impulsionar o desenvolvimento da capital potiguar. Em Mossoró, a exploração de petróleo, cultivo de frutas e exploração salineira, garantem a segunda posição ao município. Já em Parnamirim, o polo industrial e os eventos de negócios, como a Festa do Boi, levantam recursos para a cidade e incrementam a economia local.

Cidades litorâneas, como Porto do Mangue e Rio do Fogo, com potencial turístico não despertam para esse segmento da economia que gera muitos empregos e faturamento. A população não se qualifica, uns por não terem condições financeiras, outros por não buscarem melhorias nos níveis de renda e qualidade de vida.

A análise dos resultados permite compreender que no estado, as cidades com os maiores valores de PIB acumulados entre 1996 e 2007, são as próximas ao mar e com potencialidade turística. As atividades que elevam o PIB dos municípios variam desde a pesca à produção de petróleo. Como se observa em Areia Branca, por exemplo.

A cidade conta com empresas beneficiadoras de sal, porto-ilha para escoamento da produção, além do pescado e exploração de petróleo. O comércio da cidade é aquecido com o turismo, pois o município faz parte do Polo Costa Branca, consolidando-se como destino turístico e oferecendo inúmeras oportunidades de negócios.

Situado na mesma região e apesar de também ser um município rico, quando comparado a outros do mesmo tamanho e com a mesma população, Porto do Mangue ainda enfrenta problemas de cidades subdesenvolvidas. Falta emprego e mão de obra qualificada, familiarizada com as novas tecnologias.

A base da economia da região é a pesca artesanal e a exploração do sal marinho. A saída de duas grandes empresas produtoras de camarão da região, contribuiu para o aumento dos índices de desemprego na município. Em média 500 trabalhadores foram dispensados e tiveram que voltar à pesca para garantir a sobrevivência das suas famílias.

A Petrobras explora a bacia marítima da região e faz os pagamentos dos royalties mensalmente ao município. O valor repassado pela estatal é o que mantém a cidade em funcionamento. A saúde é um dos setores que merece destaque na cidade. Não há farmácias, pois todos os remédios estão disponíveis no posto de saúde.

Em contrapartida, Porto do Mangue ainda não despertou seus olhares para o potencial turístico do município. A cidade tem rios, salinas e manguezais que despertam o interesse de muitos turistas, principalmente os internacionais. Porém, falta infraestrutura nos meios de hospedagem e a mão de obra precisa ser treinada para receber turistas.

Porto de oportunidades e problemas

Com um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 85 milhões a cidade de Porto do Mangue desponta como a 18ª maior economia do Rio Grande do Norte, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A extração de sal marinho, a produção de petróleo em alto mar e a pesca artesanal compõem o cenário econômico do município com uma população de 4.064 habitantes. Com um potencial turístico inexplorado, a população sofre os efeitos das chuvas de 2008 até hoje. Quase um terço da população está desempregada.

A atividade econômica que elevou o PIB da cidade ao patamar atual, foi a produção de petróleo. Apenas em 2009, a cidade recebeu quase R$ 3 milhões em royalties repassados pela Petrobras. Nos primeiros quatro meses de 2010, o montante chega à casa de R$ 1 milhão. O dinheiro arrecadado pela cidade é o que impulsiona os investimentos em educação, saúde e administração. “Eu acredito que o crescimento é fruto dos royalties”, comenta o prefeito Francisco Gomes. Os valores pela exploração da região continuam altos. Porém, em 2008, Porto do Mangue ficou em primeiro lugar no estado em repasse de royalties.

 Com um litoral paradisíaco e uma riqueza natural invejável, a cidade de ainda amarga os efeitos dos temporais que castigaram o estado há dois anos. A beleza das paisagens contrasta com o sofrimento das famílias que perderam sua fonte de renda com a saída das empresas carcinicultoras, Camanor e Maricultura. Com o encerramento das atividades, mais de 500 pessoas perderam o emprego.

“Nosso PIB é um dos mais altos, mas a população ainda é muito carente”, complementa o prefeito. Tendo como base da economia a pesca artesanal, os nativos de Porto do Mangue têm uma vida muito simples. Por ser relativamente distante dos grandes centros comerciais (289 km de Natal), o custo de vida na cidade é alto quando comparado a outras cidades do interior do mesmo porte e mais próximas a Natal. Os valores dos produtos sofrem uma variação de até 50% a mais quando comparados a capital potiguar.

O que mantém o município economicamente ativo são os servidores municipais que têm salário e emprego fixos. Os demais, pescadores e salineiros, têm renda sazonal. A produção salineira gera apenas 40 empregos diretos. “Porto do Mangue é pobre em qualificação profissional”, comenta o gerente da Salina Araguassu, Marcelo Diniz. A salina pertence ao Grupo F. Souto e retomou a produção na região há pouco mais de um mês depois de um intervalo de 10 anos.

As áreas que antes eram exploradas pela Camanor e Maricultura com a criação de camarão e larvas, foram vendidas ao Grupo Maranata que está adequando para iniciar a produção de sal em larga escala. “Empregamos hoje 130 pessoas nos 3 mil hectares aptos à produção. Mais 2 mil hectares estão sendo trabalhados”, confirma o diretor de novos negócios da Maranata, Miguel Viana. Ele complementa que até 2012, duas novas unidades de beneficiamento do sal serão erguidas em Porto do Mangue. A expectativa é de que mais 300 empregos sejam gerados. O grupo visa em três anos produzir 1,3 milhão de toneladas de sal.

A atividade pesqueira na região  emprega 382 pescadores que retiram do mar o sustento da família. “Os peixes mais pescados são o camorim, tainha e carapeba.  O quilo varia entre R$ 5 e R$ 15. O quilo da lagosta está hoje entre R$ 11 e R$ 14”, informa o gerente da Peixaria São Francisco, Lázaro Santana.

Costureiras complementam renda mensal

Buscando o complemento da renda dos maridos, três mulheres decidiram se unir e montar uma sociedade. A Associação das Costureiras utiliza um espaço cedido no prédio da Colônia dos Pescadores e começa a colher os frutos do trabalho. “Recebemos o convite de uma confecção de Natal para firmarmos uma parceria. Porém, só devemos fechar o contrato em novembro”, diz a presidente da Associação, Iranilde Lima. As costureiras são responsáveis pela confecção de todo o fardamento das escolas municipais, postos de saúde e prefeitura. Em dois meses elas fabricaram mais de 2 mil peças que foram entregues como fardamento escolar aos alunos. Cada peça confeccionada custa em média R$ 4 para as encomendas em larga escala. A prefeitura compra o material e as costureiras entram com a mão-de-obras. A Associação emprega três auxiliares que ganham R$ 510,00 cada e o lucro das associadas chega a até R$ 850 mensais.

Em contrapartida às costureiras, os comerciantes que assistiram à saída de duas grandes empresas do município se descontentam quando avaliam a retração da atividade econômica na cidade. “Muita gente está sofrendo com a saída da Camanor. A fonte de renda de inúmeras famílias vinha da Fazenda Peixe-Boi, que fechou”, desabafa a comerciante Luzinete Almeida, que fornecia em média 30 refeições diárias a Camanor e lucrava R$ 1,8 mil mensalmente.

Não só os comerciantes lamentam o fim dos negócios das empresas na região. Dona Terezinha, hoje com 77 anos, dedica a maior parte do seu dia à colheita de mariscos. Apesar do trabalho árduo, debaixo de um sol de 30º C, ela se sente feliz ao refletir sobre os mais de 60 anos dedicados à colheita de mariscos. “Meu filho, sou muito feliz. Minha vida é trabalhar, não gosto de depender”, diz a aposentada que colhe sururu, caranguejo e siri para criar os mais de 20 netos e 15 bisnetos.

Ventos de Desenvolvimento em Rio do Fogo

De longe, eles parecem pequeninos. Mas de perto, intrigantes. Os gigantes cataventos geram 49,3 MW (megawatts) de energia instalada, capaz de abastecer uma cidade de 10 mil habitantes. O valor total investido na obra foi de R$ 209 milhões. O parque eólico de Rio do Fogo, em funcionamento há cinco anos, gera apenas 2 empregos diretos e 10 indiretos. O parque contribui com o aumento da arrecadação de impostos pela Prefeitura de Rio do Fogo.

“O parque melhorou um pouco a arrecadação do ICMS do município. Porém, entramos com um processo para que os valores sejam revisados”, frisa o prefeito de Rio do Fogo, Egídio Dantas. O ICMS da cidade recebeu um incremento de 38% após o início das atividades. O prefeito comenta, porém, que o empreendimento contribui timidamente para o desenvolvimento econômico do município. A base da economia da região continua sendo a pesca.

O terreno no qual o parque foi implantado pertence ao Incra e foi arrendado à empresa Energias Renováveis do Brasil S.A. (Enerbrasil) por 25 anos. Dentro do arrendamento, a empresa deve investir em projetos de ação social nos municípios e comunidades que circundam a área explorada.

Tibau: nova infraestrutura e problemas administrativos

Cezar Alves - do Jornal de Fato

Para se emancipar na década de 90, vários municípios do Rio Grande do Norte com menos de 10 mil habitantes tiveram que aprovar primeiro uma Lei Especial na Assembleia Legislativa prevendo mudanças na Lei Estadual de Emancipação Política, autorizando emancipação de municípios com até 2,8 mil habitantes. Assim fizeram as autoridades de Tibau, uma das caçulas potiguares, segundo informa o professor Milton Guedes que fez parte da comissão que trabalhou no processo de emancipação da cidade.

O município, quando era distrito de Grossos, não tinha médico de plantão 24 horas, não tinha ensino médio nas escolas, faltava água e energia com frequência nas residências. Havia poucos comércios. Hoje, pouco mais de 50% das ruas do município tem calçamento. Não tem saneamento básico ainda, mas tem médico 24 horas, dois PSF atuando, escolas com ensino médio e o número de habitantes dobrou. Dobrou principalmente porque a Caern e a Cosern ampliaram a estrutura e melhoraram os serviços.

E o crescimento no número de habitantes, trouxe junto o aquecimento do comércio. São vários supermercados, padarias e farmácias. No plano arquitetônico da cidade, não havia condomínios, hoje são vários instalados, sendo o primeiro construído pelo Grupo Porcino Costa.

Calamidade

Em se tratando de gestão administrativa, Tibau está passando por um dos piores momentos da história. O atual prefeito, Rafael Freire, decretou estado de calamidade administrativa. “Existe um débito enorme e os ex-prefeitos não deixaram recursos em caixa”, explica. Freire está se referindo aos ex-prefeitos Nilo Nolasco, Francisco Diniz e Evaneide Fernandes. O primeiro foi destituído por irregularidades. O segundo, que era vice de Nolasco, assumiu interinamente. Se candidatou e venceu a eleição em 2008, mas terminou cassado em 2010 por compra de votos.

A vereadora Evaneide assumiu interinamente a prefeitura. Se candidatou a prefeita na eleição suplementar e perdeu. Venceu Rafael Freire, que assumiu no dia 16 de julho passado. “Encontrei tudo esculhambado. A cidade suja, sem médico e escolas paradas. Pior, as repasses do Fundo de Participação dos Municípios, ICMS e Fundeb estão todos bloqueados pela Justiça”, narra o atual prefeito.

Turismo ainda é atividade embrionária

O turismo ainda é uma atividade embrionária no município. São poucos bares e restaurantes e apenas duas pousadas que não atenderiam a hóspedes mais exigentes. “Não existe uma visita constante de turistas. A cidade ainda não tem condições de vender pacotes turísticos. Os empresários desconhecem o potencial de Porto do Mangue”, relata Lúcia Medeiros, proprietária de um restaurante às margens do recém-reformado calçadão do cais. Lúcia investiu R$ 4 mil para a montagem do empreendimento. Apesar de pagar aluguel, ela se diz satisfeita com o local escolhido e sobrevive bem com a renda gerada mensalmente, em torno de R$ 2 mil.

 O assessor da secretária de turismo do município, listou algumas dificuldades em expandir a atividade turística na região. “O turista busca qualidade nos serviços e nós ainda não oferecemos isso. Falta qualificação profissional e infra-estrutura”, comenta Rudigênesis Alves. Os primeiros passos para a implantação de um plano de desenvolvimento turístico estão sendo dados através do Programa Olá Turista, do governo federal. Uma turma de 42 alunos foi formada e recebem capacitação através da internet com aulas de inglês online.

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Comentários

  • adrielbatista

    Maceió,22/08/10 Ponto positivo para Natal,no quesito construções de edifícios,mas precisa melhorar e muito o Porto de Natal.Tem que se construir novos molhes de acostamento e trazer navios de passageiros.Não vejo escalas deles nos jornais.Natal é comparado a Aracaju,neste ítem.por que,se Natal é muito mais desenvolvida turisticamente falando ?.Avante Natal !!! Adriel Batista Correia De Melo Maceió PS:Natal é uma grande e bela Capital.

  • toinhomaia

    Minha opinião como sugestão é que estes candidatos milionários que tiveram suas rendas aumentadas em mais de 200%, isto sim é um gargalho difícil de serem ingeridos, eles e quem deviam emprestar um pouquinho do seu patrimônio, pois eu acredito que esteja sobrando nos seus bolsos e faltando-nos dos pobres que estão passando fome. Pensem nisto!