Novela é esperança para nosso turismo renascer mesmo menor

Publicação: 2020-08-05 00:00:00
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Cassiano Arruda Câmara

Ainda atolado na maior crise econômica e sanitária dos seus 500 anos de história, nosso Rio Grande do Norte não tem nenhum segmento econômico mais atingido quanto o turismo, o que mais emprega, o de maior abrangência.

Uma atividade recente, o turismo surgiu junto com a montagem de uma estrutura construída nos últimos 40 anos, a partir da Via Costeira, verdadeiro distrito turístico, que abriu caminho para a instalação em Natal da melhor rede hoteleira de todo o Nordeste.

Embora os Governos, e as suas principais lideranças, ainda não tenham despertado para o enorme problema que está posto agora, quem procurar levantar o assunto, e se preocupar em saber qual será a situação do turismo no RN depois da pandemia, não encontrará indicativo mais otimista do que a queda para um patamar de menos de 50% da situação vivida  em março deste ano, quando começou a quarentena.
As entidades representativas do segmento ainda não divulgaram as suas estimativas para o tamanho das perdas, e os executivos governamentais não tem perfil para enfrentar esse novo problema. Eles todos foram escolhidos, no contexto da existência de uma infraestrutura já montada quando lhes deram a missão de manter e “vender” o produto que de lá saia.

FORA DE FOCO 
Um agravante: parte das soluções aqui no Estado está acima das nossas forças. Numa questão que não tem nada com a pandemia. Natal tem de começar a sua luta pelo seu aeroporto, o Aeroporto Internacional Aluizio Alves, inaugurado pela presidente Dilma Roussef, em 31 de maio de 2014,  o primeiro  privatizado no Brasil. O nosso Aeroporto está à deriva e não foi pela ação de nenhum vírus, é preciso repetir.

A Inframérica, formada por empresa argentina associada a uma empreiteira brasileira, abatida no Lava Jato, venceu a concorrência, mas nunca conseguiu atingir as metas estabelecidas. Por isso, decidiu entregar o negócio, desde o ano passado. Mas o Governo Federal ainda não definiu o que vai fazer e como escolherá um novo concessionário, nem o nosso governo moveu uma palha para apressar, ou mesmo, conhecer o processo.

Não se conhece uma só movimentação do RN, com a intensidade que o assunto exige, para buscar as soluções desse problema, embora não falte quem chore as suas saudades do aeroporto de Parnamirim, página virada que – felizmente – transformou-se numa nova  atração turística: o Centro Cultural Trampolim da Vitória, instalado pela Prefeitura de Parnamirim, com o apoio do Comando da Aeronáutica, para contar a história da aviação, que passou por lá, e a importância daquele sítio na 2ª Guerra Mundial.

AÇÃO PRA JÁ 
Nesse quadro caótico não se conhece, repito, uma ação concreta realizada no Rio Grande do Norte, no âmbito do governo, nem na esfera do empresariado, ou mesmo da sociedade, para tratar da questão do turismo um problema grande demais para ser incluído no meio das providências gerais para o retorno à normalidade. A exceção – que confirma a regra – é um modesto “Plano de Retorno do Turismo”, tratado em nível de 2º e 3º escalões.

O Turismo exige uma solução à parte. Não se trata só de um retorno à normalidade. O momento exige algo mais que um plano de volta à normalidade. É preciso pensar em algo maior.

Situação pior porque não se conhece ao certo o exato tamanho do problema. Não se sabe o número certo de empresas que vão reabrir nos diversos setores de uma atividade que movimenta 52 sub grupos, em áreas distintas como transporte, hotelaria, gastronomia, bares e animação, entre outras, com um alto de número de micro empresas envolvidas no processo.

É obvio que o momento exige que se comece pela realização de um verdadeiro censo. Sem se ter um quadro real da situação, evidentemente que não se pode pensar em propor uma solução séria.

O PROBLEMA MAIOR
Uma conversa com o pessoal do turismo, por maior carência de confiabilidade nos números apresentados, oferece uma antevisão do quadro próximo do real. Alguns pontos já podem ser avaliados: - o alto número de restaurantes que ainda não reabriram, é um deles.
Em matéria de hotéis se fala que a maioria dos que funcionaram até março deste ano, não se movimentou ainda para retornar a ativa. Mas, uma simples passagem pela Via Costeira vai mostrar que o maior movimento ali registrado hoje em dia é no Hospital de Campanha da Prefeitura, instalado num hotel que já estava fechado, e se encontrava sob a guarda da Justiça do Trabalho, que permitiu a sua adaptação emergencial para outro fim...

São dois hotéis, vizinhos, que já se encontravam fechados, somando mais de 700 quartos. O que pode ser um indicativo que, a exemplo do Coronavirus, no turismo do RN, o efeito letal acontece com mais intensidade em organismos já debilitados.

CAMINHO DA VOLTA
Raciocinando em termos de antes da pandemia, o nosso turismo recomeça contando para o retorno com a maior ação promocional que se podia imaginar: - Uma mídia diária, de 40 minutos, no horário nobre, na Rede Globo: A novela “Flor do Caribe”, ambientada no nosso litoral, que será reapresentada a partir do próximo mês de setembro. É o máximo de uma campanha do turismo potiguar, e que chegará a custo zero e sem nenhum esforço de ninguém daqui para ser realizada.

Isso se estivéssemos diante só de uma questão local. Mas, esse é um problema global. A crise do turismo não é do RN e do Brasil.  Na Europa, por exemplo, agora é alta estação; e a taxa de ocupação dos seus hotéis é de só 50%.  A pandemia parou o turismo no mundo todo, nos dois lados, o receptivo e o emissivo. Segundo os principais analistas da cena turística, a tendência mundial agora são viagens de carro, preferencialmente curtas.

Com a “Flor do Caribe” Natal terá uma exposição invejável. Resta saber se o que vai sobrar das empresas terá capacidade de aproveitar essa oportunidade. E como estará a qualidade do serviço para receber o turista atraído para cá, sem queimar o produto de vez.



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