Novembro Azul alerta para conscientização da saúde masculina

Publicação: 2019-11-10 00:00:00 | Comentários: 0
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Tádzio França
Repórter


É fato que os homens vivem menos que as mulheres. Questão de genética, hormônios e, principalmente, comportamento. No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, 31% dos homens não vão ao médico, sendo que mais de 50% só procuram um especialista em estágios mais avançados de alguma doença. Segundo o IBGE, a expectativa de vida para a mulher é de 80 anos, e para o homem, 73. A partir disso a campanha Novembro Azul se lança em mais um ano na tentativa de mudar esse quadro, alertando para a conscientização integral da saúde masculina, bem como em seu foco, o câncer de próstata.

Fazer do cuidado à saúde uma questão de rotina é o maior desafio masculino. A prevenção está na base do combate ao câncer de próstata, doença que é a segunda maior causa de óbito por câncer entre homens. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), um a cada seis homens receberá o diagnóstico de câncer de próstata durante a vida. A estimativa é de que até o fim do ano sejam diagnosticados 68.220 novos casos no Brasil
De acordo com o Ministério da Saúde, 31% dos homens não vão ao médico
De acordo com o Ministério da Saúde, 31% dos homens não vão ao médico

“Esse câncer é assintomático na fase inicial. A pessoa não sente nada, não tem nenhum tipo de doença, e acha que não precisa ir ao médico. O grande erro está aí. Porque essa doença só apresenta os sintomas na fase avançada, que é o que a gente não quer”, afirma o urologista Matheus Amaral (CRM 4444). Ao longo da vida de um homem há um crescimento natural do tamanho e da quantidade de células da próstata. Porém, este crescimento pode se descontrolar em algum momento da vida.

Mesmo em seu avanço silencioso, o câncer de próstata acena com alguns sinais - que são semelhantes aos do crescimento benigno da próstata. Dentre eles, a necessidade de urinar mais vezes no decorrer do dia, dificuldade de urinar, diminuição do jato de urina e até sangue na urina. Na fase avançada, quando o tratamento também já se torna mais difícil, os sintomas são piores, como dor pélvica crônica, dores ósseas, infecção generalizada, e insuficiência renal.

Entre os fatores de risco estão a idade, em indivíduos com mais de 50 anos (a prevenção deve começar aos 45), histórico familiar, excesso de gordura corporal, além de exposição a ambientes com substâncias de “aminas aromáticas”, comuns nas indústrias química, mecânica e de transformação de metais. E claro, a relutância masculina em ir ao médico – principalmente ao preconceito quanto ao exame de toque retal.
O urologista Matheus Amaral lembra que ao longo da vida do homem, há o aumento natural do tamanho e da quantidade de células da próstata
O urologista Matheus Amaral lembra que ao longo da vida do homem, há o aumento natural do tamanho e da quantidade de células da próstata

Matheus Amaral ressalta que o exame é rápido, indolor, e não acarreta nenhum problema ao paciente, e confirma ser um tabu que vem sendo quebrado aos poucos, devido à insistência das campanhas e também ao incentivo das mulheres. “Elas fazem a sua prevenção do câncer de mama, então são as maiores incentivadoras de que o homem procure seu médico e realize o exame do toque”, diz. As mulheres frequentam o médico desde cedo, em consultas ao ginecologista, depois nos cuidados da gravidez. O exame de toque é combinado com o que mede a dosagem regular do PSA, uma proteína do sangue.

O tratamento pode acarretar algumas sequelas, de acordo com o estágio da doença. “O tratamento pode ser prostatectomia radical na fase inicial da doença, assim como a radioterapia. Esse deixa alguns sintomas como a incontinência urinária, durante o período de um ano após o tratamento. Outra sintomatologia em relação ao tratamento é a disfunção erétil, que pode atingir até 40% das pessoas que fazem a prostatectomia radical”, diz. 

São simples as atitudes que ajudam a proteger o homem do câncer, afirma o urologista. Entre elas, a manutenção de uma alimentação saudável, de nutrientes ricos em fibras e frutas (e moderada em gorduras animais saturadas), evitar fumar e consumir bebidas alcoólicas, além de praticar atividades físicas de rotina.

Alta incidência


O câncer de próstata é uma doença de alta incidência entre os homens, mas há outros que também os atinge em especial, alerta o oncologista Rodrigo Araújo (CRM 4222). “Os homens também apresentam alta incidência em câncer de pele, câncer de pulmão e do aparelho digestivo (especialmente intestino). O primeiro acontece por alterações genéticas mesmo, independente das exposições ambientais, mas também por exposição solar (no caso dos tumores de pele), maior tabagismo e etilismo dos homens, além de má dieta e pouco exercício físico”, explica.

Há cânceres bastante específicos, como os de pênis e testículos, que apesar de não apresentaram grande número de casos nas estatísticas, podem ser fatais ou muito danosos ao corpo. “As incidências desses dois tumores até que não aumentaram e continuam baixas, porém tem que se fazer sim a prevenção primária com higiene do pênis e procurar o especialista se palpar nódulo no testículo, mesmo sendo indolor”, explica.

Rodrigo Araújo é otimista quanto ao crescimento da conscientização sobre a própria saúde. “Os homens de hoje têm acesso fácil a informação; os brasileiros cada vez mais estão com maior expectativa de vida, portanto devem deixar o preconceito de lado e fazer dois exames absolutamente simples como o toque retal e o PSA anualmente, a partir dos 45 e 50 anos”, explica. O oncologista atenta para o fato de que esse câncer acomete dois em cada 10 homens a partir dos 50 anos, e cinco a cada 10 após os 70 anos. Um número preocupante e que deve servir de alerta.

Toque masculino


A Sociedade Brasileira de Mastologia alerta que os homens também podem ser acometidos pelo câncer de mama. Apesar de a doença atingir principalmente mulheres, nos homens há um caso diagnosticado para cada 100 em mulheres. A falta de informação e o preconceito são os principais aliados da doença. Estudos mostram que a média de idade dos homens que apresentam a doença varia de 50 a 70 anos. Na maioria dos casos, a detecção é feita em estágio avançado, o que dificulta o tratamento.

Entre as principais causas da doença nos homens estão as alterações genéticas e hormonais, alimentação rica em gorduras, excesso de álcool ingerido, além do uso de anabolizantes ou de hormônios. Quando existe a queixa de um nódulo, o diagnóstico é feito por meio do histórico do paciente e de exames como mamografia, ultrassonografia e biópsia do tumor.

O tratamento do câncer de mama masculino assemelha-se ao feminino. A cirurgia está indicada para praticamente todos os casos. No homem, devido ao pequeno volume mamário, a cirurgia consiste na retirada da mama e na realização de biópsia de um gânglio axilar, para avaliar a extensão da doença. Na presença de comprometimento axilar, realiza-se também a retirada de linfonodos axilares. Quanto mais cedo for iniciado o tratamento, menor a extensão da cirurgia e menor a necessidade de  quimioterapia e radioterapia.

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