Novidades e estratégias

Publicação: 2019-05-14 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Valério Mesquita
Escritor

No seu primeiro governo José Agripino se deparou logo de início com as questões das nomeações para cargos de confiança no interior, como sempre acontecem. O primeiro foi com a chefia do Nure de Caicó. De um lado um candidato do deputado Vivaldo Costa, apelidado de “Aleijado”, que se elegera vereador. O do senador Dinarte Mariz, uma irmã do professor Genivan Josué Batista. As labaredas já subiam as janelas do Palácio Potengi, quando Vivaldo sentiu a gravidade do problema enviando o seu irmão Vidalvo (Dáda) como emissário à presença de Dinarte. Naquele jeitão característico, o velho senador explicou: “Meu filho, diga a Vivaldo que não vou brigar com ele por conta dessa nomeação não. Só quero que o candidato dele venha falar comigo”. Dia seguinte Dadá levou “Aleijado” à Fazenda Solidão. “Meu filho, por que você quer ser chefe do Nure de Caicó?”, indaga Dinarte no alpendre da sua fazenda. “Senador, eu preciso pagar as minhas contas da campanha”, responde o vereador. “E quanto é?. “Cinco mil contos, seu Dinarte”, completa “Aleijado”. O senador meteu a mão no bolso, puxou o dinheiro e pagou a importância. Em seguida, virou-se para Dadá e sentenciou: “Diga a Vivaldo que o candidato dele vendeu a vocação e a nomeada vai ser a irmã de Genivan”. E foi mesmo.

02) Vicente Queiroz de Pendências conversava com um amigo seu, no alpendre de sua casa, chamado Agostinho Fernandes, que era agricultor na região. No desenrolar da conversa, perguntou Seu Agostinho: “Ô compadre Vicente, você sabe me informar por quanto tão pagando por uma arroba de algodão?”. Respondeu Seu Vicente, ao amigo desenformado: “Home, não sei quem me disse, que não sei onde, tão pagando não sei quanto”. Inocente e distraidamente, Agostinho fez nova pergunta: “Mas compadre, já tá desse preço!!”.

03) De outra feita, na escolha de governador, o candidato de Dinarte era Dix-Huit Rosado. Mas, Tarcísio Maia havia conjugado as forças do Planalto (Golbery do Couto e Silva) para o nome de Lavoisier. Como estava intransigente um grupo político foi procurá-lo para dissuadi-lo. O argumento utilizado foi acachapante: “Dinarte, você deve ter muito cuidado porque já há quem defenda junto ao presidente o nome de Jessé Freire para a senatória biônica”. Dinarte virando-se para Tarcísio foi conclusivo: “E a essa altura, há um nome melhor do que o de Lavoisier?”.

04) O folclorista Zé Areia procurou o escritor e jornalista Nilson Patriota para uma homenagem. “Dr. Nilson, aquele homem feio está aqui para falar com o senhor!”, era a secretária de Nilson anunciando Zé Areia. O almoço ficou combinado para um domingo na casa do anfitrião cuja esposa preparava um peba na pimenta de primeiríssima qualidade. “Posso levar Dozinho?”, pergunta o jornalista. “Pode, é o compositor da cidade”, responde Zé Areia com aquela bonomia inconfundível. Céu azul de domingo limpo chegam os convidados na casa de Zé Areia que chamava a atenção pela higiene, limpeza, arrumação, apesar de ser um homem reconhecidamente pobre. Aperitivos “pebais”, cachaça, cerveja, conversa solta, risadas homéricas, tudo se encaixava no ambiente envolvido pelo cheiro doce e forte proveniente da cozinha. Nas idas e vindas, Zé Areia reaparece aos convidados para entre solene e pesaroso lamentar: “Vocês me desculpem o gosto da comida, pois o gato que a gente queria era o danado da vizinha, grande e gordo. Esse daí é um bichinho magro, pequeno que pegamos aqui mesmo na rua...”. Quando Nilson Patriota lívido, neutralizado pelo impacto deu conta de si, Dozinho já se esgoelava lá fora vomitando até os bofes. Zé Areia permanecia em pé, calmo e certo de que disse a coisa mais natural do mundo.



continuar lendo


Deixe seu comentário!

Comentários