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Publicado: 00:00:00 - 21/11/2021 Atualizado: 11:55:59 - 20/11/2021
Dácio Galvão
Escritor, poeta, e secretário de Cultura de Natal 

A Academia Brasileira de Letras foi criada em 20 de julho de 1897. Eleição consensual para presidência. Machado de Assis, eleito discursou: “A Academia Francesa, pela qual esta se modelou, sobrevive aos acontecimentos de toda casta, às escolas literárias e às transformações civis”. Ideais monarquistas-republicanos misturados. Escritores do porte de Olavo Bilac, 32 anos e Graça Aranha, 29 estavam inseridos. Já havia proposta da inclusão de personalidades poderosas. Em 1901, Joaquim Nabuco, o abolicionista, escreveu a Machado: “Não deve ser muitos, mas alguns devemos ter, mesmo porque isso populariza as letras”. Contraditória, a ABL nasce buscando posição apartidária. Durante a era Vargas e no regime militar de 1964-1985 a politicagem interferiu. O escritor Daniel Piza, ressalta: “nos anos 1920-40, quando os nomes de Lima Barreto e Monteiro Lobato foram vetados e Carlos Drummond de Andrade e Graciliano Ramos nem quiseram saber dela-, embora outros grandes nomes como João Cabral de Melo Neto e Guimarães Rosa nela tenham entrado”.  

Na entrevista recente que fez com Gilberto Gil, ex embaixador da ONU para agricultura e alimentação, e ex ministro da Cultura do Brasil, entre 2003 e 2008, a jornalista Poliana Abritta, se mostra integrada a uma rede sensível e conectada em prol de um mundo mais fraterno e sustentável. Na arte. Sim, na arte como ferramenta de transformação social. Beijaços e abraçaços recíprocos ao final da reportagem entre ambos passaram longe de qualquer representação. Total emoção. O bate-papo versava sobre o resultado vitorioso da eleição do músico-poeta para a ABL. Comovente. O tom afirmativo de Gil referendando a democracia, a diversidade, a família, a contribuição negro-mestiça à cultura brasileira e por consequência o antirracismo estrutural combatido por ele durante toda sua trajetória, assegura uma motivação política para a instituição.

 A atriz Fernanda Montenegro já asseverou que a ABL é um teatro. Para dentro de si, ressalva. E defende que continue sendo, mas que seja para fora! Aliás desde a entrada para a ABL, em 2017, de Geraldo Eduardo Carneiro parceiro de Egberto Gismonti, Tom Jobim, Lenine... Tradutor de William Shakespeare, os ventos veem soprando uma brisa boa no prédio Petit Trianon. No ano subsequente veio o filósofo Antonio Cícero carregando poemas musicados por Caetano Veloso, que marcou presença na posse do irmão de Marina Lima. Cícero se articula no universo da poemúsica. Tem ações com Adriana Calcanhoto, Lulu Santos, Gal Costa, João Bosco...  Autor do Livro Sombras: pintura, cinema e poesia com o artista plástico Luciano Figueredo e do ensaio Poesia e Filosofia... Depois veio o cineasta Cacá Diegues, em 2019. Ele que desaparelhou o conceito das "patrulhas ideológicas" e dirigiu filmes do porte do Circo Mágico, baseado na obra de Jorge de Lima e Xica da Silva entre tantos. A gestão Marco Lucchesi, professor titular de Literatura Comparada da UFRJ, pós-doutorado em Filosofia da Renascença na Alemanha, na ABL, sinaliza positivamente emplacando renovação política e novos desafios. É preciso.    

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