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Natal
Novos casos de Zika se concentram em Santa Cruz
Publicado: 00:00:00 - 18/06/2021 Atualizado: 23:09:54 - 17/06/2021
Apesar de ter registrado menos casos de Zika em 2021 do que no ano anterior, o aumento da concentração de casos suspeitos e confirmados da doença entre mulheres em idade fértil preocupa as autoridades de saúde do Rio Grande do Norte. A capacidade do vírus de provocar microcefalia em gestantes é o principal receio das autoridades, que alertam a população e profissionais de saúde para ficarem atentos a possíveis sintomas. 

Rafael Neddrmeyer/arquivo tn
População deve ficar atenta aos cuidados para evitar proliferação do mosquito Aedes aegypti

População deve ficar atenta aos cuidados para evitar proliferação do mosquito Aedes aegypti


Ao longo dos primeiros meses deste ano, 116 casos de Zika foram notificados, sendo 17 confirmados e 80 considerados casos prováveis. No mesmo período do ano anterior, 423 casos haviam sido notificados, sendo 58 confirmados e 149 casos prováveis. Os números, no entanto, podem não refletir o total de casos existentes, como explica Débora Mayara, coordenadora do Núcleo de Arboviroses da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap/RN).

“Isso nos preocupa, porque talvez o número de casos não esteja em queda de fato. O que pode estar acontecendo é uma subnotificação, porque os olhares dos profissionais de saúde e da população estão muito voltados para a pandemia da Covid-19", frisou.

Além disso, há outro fator que contribui para aumentar a preocupação da Sesap: o fato de muitos dos casos confirmados estarem concentrados na 5ª Região de Saúde, mais especificamente, no município de Santa Cruz. Dos 34 casos registrados em gestantes, 30 estão localizados nessa cidade. 

A situação foi investigada por técnicos da Sesap, que visitaram a localidade para compreender a grande concentração de casos. “O que foi relatado por moradores e pela equipe técnica é que o abastecimento (de água) é muito intermitente. Lá não funciona via Caern, e os ciclos são de cerca de 25 dias. Ou seja, a população está armazenando água para um período de quase um mês, muitos de forma incorreta", relatou Débora Mayara.

A preocupação com a forma de armazenamento da água dos moradores não é à toa. Assim como a dengue e a chikungunya, o vírus causador da Zika é transmitido através do mosquito Aedes aegypti, que se reproduz em locais onde há acúmulo de água parada, como pneus, caixas d’água ou vasos de plantas. Garantir o armazenamento correto e evitar o acúmulo de água limpa parada em casa é um dos primeiros passos para evitar a proliferação do mosquito. 

No período pré-pandemia, a fiscalização dos agentes de saúde, que costumam ir de casa em casa à procura de focos do mosquito, seria uma prática rotineira. Entretanto, os agentes não estão autorizados a entrar nas casas, para evitar a disseminação do novo coronavírus, o que teve impacto direto nesse trabalho. “Há uma nota técnica do Ministério da Saúde que recomenda que os agentes não entrem para evitar aumentar a transmissão da Covid-19, por isso esse trabalho foi interrompido”, comentou Débora Mayara.  

A queda nas notificações de arboviroses não aconteceu apenas no caso da Zika. Segundo o mais recente boletim relacionado às arboviroses produzido da Sesap, foram notificados 2.145 casos suspeitos de dengue no Rio Grande do Norte, dos quais 311 foram confirmados. Em 2020, no mesmo período epidemiológico, 6.381 casos foram notificados e 1.599 confirmados, o que revela a queda nas notificações para as arboviroses no Estado. Em relação à chikungunya, a situação se repete: foram 2.204 notificações em 2021 contra 2.459 em 2020. 

Os números, afirmou a Sesap, revelam a importância de alertar a população e profissionais de saúde sobre os riscos das doenças. “As arboviroses também podem agravar e levar a casos de óbitos. Inclusive, já temos um caso de óbito confirmado por dengue aqui no Estado este ano, e há outros em investigação. Por isso, é importante haver essa sensibilidade em relação às formas de prevenção, principalmente evitando a proliferação do mosquito”, destacou Débora Mayara.  

Arboviroses têm sintomas parecidos
Com o início do período chuvoso no Rio Grande do Norte e a população passando mais tempo em suas residências em decorrência da pandemia da Covid-19, a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) alerta para os cuidados necessários a serem adotados para evitar as chamadas arboviroses, doenças causadas por arbovírus e transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, como a dengue, a chikungunya e a zika.

A população desempenha um papel primordial no controle de vetorial do Aedes aegypti e, para isso, deve adotar alguns cuidados a fim de prevenir a proliferação do mosquito e evitar a transmissão das doenças. 

As arboviroses urbanas apresentam diversos sinais clínicos semelhantes, dificultando a suspeita inicial pelo profissional de saúde e pode dificultar a adoção de manejo clínico adequado, predispondo à ocorrência de formas graves, podendo levar ao óbito. Sendo assim, os profissionais de saúde devem estar atentos aos seguintes sintomas: febre alta (39º a 40ºC) de início abrupto e com duração de 2 a 7 dias, associada à cefaleia, fraqueza, dores musculares, dores nas articulações e dor ao redor dos olhos; manchas vermelhas na pele, com ou sem coceira; anorexia, náuseas, vômitos e diarreia.

Prevenção
Mantenha os quintais livres de possíveis criadouros do mosquito;

Esfregue com bucha as vasilhas ou reservatórios de água de seus animais;

Não coloque lixo em terrenos baldios;

Mantenha a caixa d’água sempre tapada;

Observe vasos e pratinhos de plantas que acumulam água parada;

Fique atento aos locais que possam acumular água parada como bandeja de bebedouros e de geladeiras, ralos, pias e vasos sanitários sem uso;

Mantenha em local coberto pneus inservíveis e outros objetos que possam acumular água;

Não deixe acumular água em lajes e calhas, pois esses locais podem se tornar criadouros para o mosquito Aedes aegypti;

E receba a visita do agente de endemias e aproveite a oportunidade para tirar suas dúvidas. 









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