Novos Rumos ajuda na ressocialização

Publicação: 2019-01-13 00:00:00 | Comentários: 0
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O direcionamento de presos do sistema prisional potiguar para obras no Rio Grande do Norte faz parte do novo projeto do programa ‘Novos Rumos’, dispositivo ligado ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte. De acordo com Guiomar Veras, diretora da pastoral carcerária e membro do ‘Novos Rumos’, um primeiro preso foi encaminhado na semana passada para trabalhar na construção da nova sede do TJRN, no bairro de Nossa Senhora de Nazaré, na zona Oeste de Natal. Outros seis serão encaminhados até o mês de fevereiro.
Newton Albuquerque, de 43 anos, passou dez anos preso. Dentro do sistema, começou a escrever um livro que foi publicado este ano
Newton Albuquerque, de 43 anos, passou dez anos preso. Dentro do sistema, começou a escrever um livro que foi publicado este ano

Além de ajudar na remição da pena dos presos e tornar mais fácil a reinserção de egressos do sistema na sociedade, Guiomar Veras frisou que o projeto sensibiliza instituições públicas e empresas privadas. “Foi o caso de maior dimensão, que foi da construção da Arena das Dunas, onde mais de 150 contratados do sistema prisional. O RN foi o Estado que mais contratou [detentos]. A experiência foi muito exitosa em termos numéricos e qualitativos. Notoriamente, os nossos encaminhados se destacaram”, explicou Guiomar.

A coordenadora da Pastoral Carcerária analisa que  o preconceito com pessoas que deixam o sistema é forte e que as pessoas estão, cada vez mais, “tomadas por sentimento de medo e vingança”. “Falar em dar emprego para pessoa que sai do sistema prisional é visto com certa resistência. As pessoas precisam de oportunidade para se reinventar e refazer suas vidas”, disse Guiomar Veras.

“Quando estende a mão para pessoas que procuram sair da pratica de crimes, está contribuindo para a própria sociedade.   O ser humano tem necessidade de pertencimento. Se as portas do mercado se fecham, outras se abrem”, analisou Guiomar Veras.

O Programa Novos Rumos na Execução Penal foi instituído pela Resolução nº 014/2009 – TJ/RN, de 06 de maio de 2009 -, com o objetivo de fomentar boas práticas relacionadas à execução penal no Estado, em harmonia com as diretrizes do Conselho Nacional de Justiça-CNJ.

Personagem
“Do sofrimento no cárcere ao descobrimento de um novo homem”. É com essa frase que Newton Albuquerque, de 43 anos, encerra as 246 páginas de um livro que escreveu enquanto esteve preso, sofre sua experiência na prisão. Desde o dia em que foi pego com 200 quilogramas de crack e 100 quilogramas de cocaína em Jenipabu, em 8 de outubro 2008, carregava o estima de “grande” traficante.

Era a quinta viagem que ele fazia transportando drogas. Na época, a polícia considerou como a maior apreensão de drogas realizada em território potiguar. Encaminhado ao sistema prisional do Rio Grande do Norte, ele permaneceu lá durante 10 anos, período em que classificou como os piores de sua vida.

Dentro do sistema prisional, a alcunha de grande traficante fazia da sua rotina céu e inferno, ao mesmo tempo. Segundo Newton, a fama fazia ter respeito por parte dos outros presos, mas nenhum por parte dos agentes que integram o sistema prisional. Isso gerou as inúmeras negativas quando pedia para trabalhar dentro do sistema. Em 2009, foi transferido para um presídio federal, onde permaneceu durante um ano. Foi quando começou a ler os primeiros livros e “tomar gosto” pela leitura e, posteriormente, pela escrita.

Dentro dos muros de Alcaçuz, local onde cumpriu maior parte da sentença, viu cenas de horror. O homem presenciou um dos maiores massacres dentro do sistema prisional brasileiro, em janeiro de 2017, que vitimou 26 presos. Em 2012, teve a oportunidade de trabalhar dentro do sistema e, posteriormente, começar a escrever um livro, “A escolha errada”, publicado este ano.

Ao falar de Guiomar Veras e do juiz Fábio Ataíde, ele se emociona. “Eu tinha uma imagem que juiz só condenava. Mas bastou acreditar que a mudança aconteceu. Eu nunca vou esquecer quando ele olhou para mim e disse que eu era o dono do meu destino”. Há cinco meses, está fora das grades e tenta reconstruir a vida. Entre preconceitos e incentivos, descobre o novo homem, transformado.

O sistema prisional
Perfil das pessoas encarceradas no RN
Número de presos
9.450 pessoas estão presas no Rio Grande do Norte
4.158 estão presas no regime fechado
1.291 estão sob monitoração eletrônica

Perfil dos apenados

Religião
5.538 presos se declaram solteiros
3.700 presos se declaram católicos
2.012 se declaram evangélicos

Ensino
5.254 presos não possuem o ensino fundamental completo
1 preso possui mestrado
4 presos possuem graduação

Idade
2.868 presos tem de 18 a 24 anos
2.063 presos tem de 25 a 29 anos
4.417 estão acima de 30 anos
102 presos tem acima de 60 anos

Trabalho
89 apenados (1%) em um universo de  9.450 pessoas encarceradas estão trabalhando, conforme levantamento do Depen

Condenações
1.160 presos têm condenação de 8 a 15 anos
405 presos têm condenação cima de 15 anos
8 presos têm condenação acima de 100 anos



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