O acordo da década

Publicação: 2019-07-18 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Alcyr Veras
Economista e professor universitário)

O principal alvo da economia brasileira sempre foi o mercado exterior.  No início do período colonial, esse mercado era formado exclusivamente por Portugal. Na segunda metade da era do Brasil-colônia, e mesmo durante a fase do Império, as transações comerciais eram preponderantemente realizadas com a Inglaterra, tendo esta exercido acentuada influência econômica e cultural em nosso meio. Quando tem início o regime político republicano no Brasil, o Reino Unido já dava visíveis sinais de enfraquecimento e a hegemonia econômica que mantivera mundialmente começava a ceder lugar aos Estados Unidos.

Naquela época, a Inglaterra chegou a ser considerada a “rainha dos mares” porque exercia o comércio marítimo em vários países do mundo. Sua extensa frota de navios (também chamados de “vapores”) ancoravam em quase todos os portos brasileiros.

É bem verdade que, durante o governo Vargas, o Brasil deixou de depender de um tradicional e subserviente modelo primário-exportador de matérias primas, cujas divisas eram totalmente desperdiçadas com a importação maciça de bens de consumo industrializados. Trocavam-se navios carregados de café brasileiro por produtos supérfluos, tais como meias de nylon, cosméticos, tecidos de linho, brinquedos e outras bugigangas do gênero, de baixíssimo valor econômico agregado.

Como afirmei no início deste artigo, os empresários brasileiros sempre sonharam com as exportações de seus produtos, acreditando que o êxito e a prosperidade econômica de seus negócios estavam no mercado externo. Depois de tentar várias vezes, sem sucesso, firmar acordos comerciais com países da América do Norte e da Europa, o Brasil resolveu voltar-se para a sua própria região sul-americana, criando em 1994, o MERCOSUL, bloco este formado pelo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Porém, na verdade, passados quase 26 anos de duração dessa longa existência, as operações comerciais entre o Brasil e aqueles países do Cone-Sul foram completamente pífias e  inexpressivas, em nada contribuindo para o crescimento de suas economias.

Entretanto, agora, no início deste mês de julho, após longo período alinhando interesses econômicos, aparando arestas aduaneiras e superando divergências políticas, os países do MERCOSUL e a União Europeia firmaram uma aliança, considerada como uma das maiores áreas de livre comércio do planeta. Juntos, esses dois blocos formados por 28 países (sem o Reino Unido), representam 25% da economia mundial para um mercado consumidor composto por 780 milhões de pessoas. Chamada de grande parceria intercontinental, este impactante Acordo comercial eliminará tarifas de importação de 90% dos produtos comercializados. No caso da importação de produtos brasileiros pelo exterior, as tarifas serão reduzidas de 17% para zero.

O momento é oportuno, porque no clima da aprovação da Reforma da Previdência Social, que poderá economizar cerca de 880 bilhões de reais em dez anos, a “bola da vez” deve ser a Reforma Tributária, cuja aprovação, além de incentivar investimentos, servirá de estímulo tanto para os exportadores como para os importadores. No Brasil, quem produz e gera empregos, em vez de ser aplaudido, é penalizado pela escorchante carga tributária, formada por uma extorsiva tipologia de impostos.




continuar lendo


Deixe seu comentário!

Comentários