O baile poético e otimista de Letto

Publicação: 2018-01-04 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter

Aos 27 anos, o cantor e compositor Letto recebeu um duro golpe. Foi diagnosticado com um linfoma e precisou passar por quimioterapia. O desgaste foi grande, mas ele venceu o câncer. A experiência o mudou consideravelmente, influenciando inclusive sua música. “Me tornei um cara mais pra cima. Não que antes eu não fosse. Mas depois do que passei, quero bem mais aproveitar a vida. Estou mais feliz. E isso de alguma forma foi parar no som que faço”, diz Letto, hoje com 32 anos e um disco novo, “Baile Poético”, lançado no raiar de 2018. Distribuído pelo selo carioca Mondé, o álbum rompe com a atmosfera intimista dos trabalhos anteriores e mostra um lado dançante do artista.

Letto mostra seu lado multiinstrumentista ao tocar quase todos os instrumentos do álbum, desde guitarra até percussão, passando por viola caipira, baixo e teclado
Letto mostra seu lado multiinstrumentista ao tocar quase todos os instrumentos do álbum, desde guitarra até percussão, passando por viola caipira, baixo e teclado

“Baile Poético” traz nove faixas e é resultado da aproximação de Letto com sonoridades do Norte e Nordeste. “De ritmo juntei três grandes influências minhas: Carimbó, Cumbia e Forró”, comenta o cantor, criado em Natal, mas há pelo menos cinco anos segue carreira na Cidade Maravilhosa. “Vim construindo esse disco desde o início de 2016, explorando esses ritmos e soltando em singles. Para não deixar tudo solto, juntei num álbum”.

De poeta a letrista
Artista que veio da poesia, tendo passado por grupos como a Sociedade dos Poetas Vivos e Afins, e a banda Elegia e Seus Afluentes, Letto preserva no novo disco sua veia poética, mas calibra com sonoridades vibrantes. “Meus últimos discos era mais intimistas, até certo ponto melancólicos. Nesse trabalho de agora, meu desafio foi unir poesia, que é uma marca na minha vida, com ritmo. Queria que as pessoas pudessem dançar com a minha música”, explica.

O forró, Letto conhece bastante devido a sua criação em Natal. Já o carimbó e a cumbia ele teve contato com ao se aproximar de Silvan Galvão, cantor e compositor paraense radicado no Rio. “Ele é mestre de Carimbó, percussionista. Toco guitarra na sua banda”, diz. O potiguar chegou a excursionar com Silvan Galvão em turnê no Norte do país. “O carimbó é um ritmo que está crescendo bastante no Rio, sendo tocado em algumas casas e aparecendo em novos trabalhos de artistas cariocas. Mas na turnê com o Silvan pelo Norte, vi que por lá o ritmo é algo mais de resistência, apreciado por quem é mais velho”.

“Baile Poético”  também mostra o lado multiinstrumentista de Letto, que toca praticamente todos os instrumentos no disco, desde guitarra, até percussão, passando por viola caipira, baixo e teclado. As músicas foram gravadas no Estúdio Avoado, montado em sua casa. A mixagem foi feita pelo colega Luca Fasano, de São Paulo. “Fico meses trabalhando uma música. Dai preciso me afastar um pouco da canção. E essa visão de alguém de fora ajuda muito”, conta.

Das nove faixas, apenas uma ainda não tem clipe divulgado, “Pequenos Milagres” – o vídeo foi gravado pela amiga Rita Machado em Natal e deve sair em breve. Até o momento, a canção “Baile”, gravada em Natal com a parceria do músico Gabriel Souto, da banda Dusouto, foi a que mais repercutiu. Lançado em janeiro de 2016, o clipe da música esteve envolvida numa polêmica porque oito meses depois o cantor Tiago Iorc soltou o clipe de “Bang”, com conceito semelhante, o que levou alguns fãs acreditarem que Iorc copiou a ideia do potiguar. “Nem gosto de tocar nesse assunto. Sei que a repercussão acabou fazendo que muita gente viesse a ter contato com minha música”, diz.

Tocar em Natal
O show de lançamento de “Baile Poético” será no dia 13, no Rio de Janeiro. Letto conta com uma banda que o acompanha, mas pode apresentar o trabalho em várias formações. Em Natal, por enquanto ainda não tem data fechada, mas ele espera vir logo a cidade para rever amigos e se apresentar. “Desde que vim morar no Rio, tenho comprido com o compromisso de fazer ao menos dois shows por ano em Natal, conta.

Guitarradas
“Em 2018 quero ir em junho. Tenho saudade de curtir o Nordeste no período de São João. Se não receber nenhum convite para tocar em Natal antes, devo chegar na cidade nessa época para fazer uma celebração de lançamento”.

Mesmo distante, ele não se desliga do RN. “Acompanho tudo que os artistas potiguares estão lançado. Também recebo mensagens de gente que ouviu minha música na Rádio Universitária. Sei que tem um pessoal aí curtindo bastante guitarrada, carimbó. Quero chegar aí o quanto antes para fazer um belo baile”, diz o artista.


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