O Barro Vermelho da minha infância - Parte I

Publicação: 2017-04-19 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Lívio Oliveira
Advogado público e escritor

APERTO O PASSO
e sigo vivendo. Vou me recordando da minha ingenuidade de criança, quando tudo era bom e esperançoso e eu sentia que o mundo era grande, o quintal da minha casa no Barro Vermelho era um playground cheio de árvores em que nós subíamos e ficávamos mirando a estátua de São Pedro, que ainda hoje está fixa no topo da igreja lá no início do Alecrim. E nem nos dávamos conta de que o cemitério, em que estão guardados alguns dos nossos ancestrais, ficava (e fica) ali nos arredores. Era um tempo em que a inocência e a esperança venciam a morte, a ponto de termos caído algumas vezes da mangueira alta, frondosa e produtiva (manga rosa), sem que quebrássemos nenhum ossinho do corpo frágil e ainda magro.

EXPLORAVA O INTERIOR DAS CASAS
, dezenas, talvez mais que uma centena. O Barro Vermelho era o meu império. E conhecia os mágicos quintais de cada uma, onde buscava as frutas que adoçavam a minha infância: goiaba, caju, araticum, siriguela (juro que não encontrei no Houaiss), manga, pitanga etc etc etc. Eu era mesmo o rei-criança, não tinha os limites que tenho hoje. Talvez eu não conheça atualmente nenhum apartamento dos meus vizinhos de prédio...a vida é bem diferente.

MEU IRMÃO JANSÊNIO
 me lembra que a gente “arremedava” o encanador ambulante, aí ele dizia: “desentope pia, lavanderia, bidê e o c. de quem quiser!!!” Bem, eu tenho outra versão, mas sei que a memória dele é muito melhor que a minha. E ainda salienta: “Quando provocávamos os vigias, eles respondiam bem alto: “Se não fosse o vigia, tua mãe não paria!”

O MEU BOM AMIGO CHICO, lá dos bons tempos da Segundo Wanderley, também traz a recordação de que o povo da SW mexia com todo mundo que passava ali: garrafeiros, “mocorongos”, “caga-lonas”, dentre outras figuras admiráveis daquela época inocente. A resposta era somente palavrão. Evidente que odiavam as nossas chacotas, mas deviam se esforçar por entender que estávamos nos verdes anos de nossas vidas. E nos perdoavam, ao fim e ao cabo.


continuar lendo



Deixe seu comentário!

Comentários