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O bilhete de Lampião a Rodolpho Fernandes
Publicado: 00:00:00 - 07/11/2021 Atualizado: 16:24:28 - 06/11/2021
Honório de Medeiros
[Sócio do IHGRN ]

No dia 13 de junho de 1927, na metade da manhã, estando nos arredores de Mossoró preparando-se para invadi-la, Lampião mandou um primeiro ultimato exigindo dinheiro ao prefeito Rodolpho Fernandes, por intermédio de Luiz de Siqueira, o “Formiga”, em bilhete escrito pelo coronel Antônio Gurgel.

Rodolpho Fernandes respondeu a Antônio Gurgel pelo próprio punho, dizendo não ser possível satisfazer-lhe com a remessa da importância pedida e lhe informando que “estamos dispostos a recebê-los (aos cangaceiros) na altura em que eles desejarem”.

Desaparecido há muitos anos, recentemente esse bilhete foi localizado e devolvido a Mossoró, em evento solene.

Houve um segundo ultimato, este escrito pelo próprio Lampião e encaminhado ao prefeito, a ele levado por “Formiga”, provável espião do bando em Mossoró, que também foi respondido por Rodolpho Fernandes praticamente nos mesmos termos do primeiro.

Esse segundo ultimato, provavelmente o mais importante documento da história do cangaço, foi doado ao Instituto Histórico do Rio Grande do Norte (IHGRN) pela família de Rodolpho Fernandes, como assevera seu filho Raul Fernandes em livro (A Marcha de Lampião) – um clássico da literatura acerca do assunto, com sucessivas edições:

“Capitão Virgolino Ferreira (Lampião). Cel. Rodolpho. Estando eu ate aqui (ilegível). Já foi um aviso, ahi para o Senhoris, si por acauzo resolver, mi, a mandar será a importância que aqui nos pede, Eu evito de Entrada ahi porém não vindo esta importança eu entrarei, até ahi penço que adeus querer, eu entro; e vai haver muito estrago por si vir o dr. eu não entro, ahi mas nos resposte logo. Capm Lampião”.

Na 2ª edição do livro (Natal, UFRN, Editora Universitária, 1981), à página 157, uma imagem fiel do bilhete de Lampião recebeu, abaixo, a seguinte observação, em itálico: “Bilhete de Lampião ao Prefeito de Mossoró Cel. Rodolfo Fernandes ante a sua negativa ao pedido de 400 contos de réis – 13.06.1927. Esse bilhete foi doado ao Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte pela família do Prefeito”.

Rodolpho Fernandes respondeu, encerrando as tratativas:

“Virgulino Lampião, Recebi o seu bilhete e respondo-lhe dizendo que não tenho a importância que pede e nem também o comércio. O Banco está fechado, tendo os funcionários se retirado daqui. Estamos dispostos a acarretar com tudo que o Sr. queira fazer contra nós. A cidade acha-se, firmemente, inabalável na sua defesa, confiando na mesma. a.Rodolfo Fernandes. Prefeito. 13.06.1927”.

Entretanto, o bilhete escrito por Lampião encontra-se desaparecido. Há, no Instituto, uma cópia emoldurada e pregada na parede do salão principal, mas ninguém sabe dizer onde se encontra o original.

Recentemente alguns pesquisadores e instituições começaram a se movimentar para pedir esclarecimentos oficiais ao Instituto Histórico e Geográfico acerca do documento desaparecido.

Não é para menos, dada a importância do documento.

Espera-se, por conseguinte, uma apuração rigorosa, assim como uma resposta razoável acerca do que ocorreu com o famoso bilhete do próprio punho de Lampião para o então prefeito de Mossoró, Rodolpho Fernandes.

Resposta que servirá tanto para a Justiça, quanto para a História.

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