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Esportes
'O Bolsa Atleta está defasado', fala Dario Gomes, presidente da SADEF
Publicado: 00:00:00 - 15/05/2022 Atualizado: 12:02:19 - 14/05/2022
Com 2005 atletas inscritos e a meta de emplacar 12 atletas no time que irá representar o Brasil nos Jogos Olímpicos de Paris, o presidente da SADEF Dario Gomes comemora o ano de bons resultados dentro da entidade. Com projetos de inclusão e voltado a promover a revelação de atletas de alto rendimento, o dirigente vai expandido os braços da associação montando um polo novo na zona norte de Natal e chegando também ao interior através do programa Despertando Para o Mundo Paralímpico através do qual a SADEF pretende dar a oportunidade ao cadeirante de possuir uma qualidade de vida melhor. 
Vicente Estevam
Dario Gomes, presidente da SADEF comemora o ano de bons resultados

Dario Gomes, presidente da SADEF comemora o ano de bons resultados


Os atletas da equipe também trabalham pesado para fazer um bom papel no MIT Paradesportivo que esse ano será realizado nas instalações da UFRN e trará a capital potiguar no mês de setembro os melhores atletas em atividade no Brasil. Dentro dos programas também se encontra o Praia Inclusiva, que é realizado todo final de semana no período de 8h às 12h na Praia de Ponta Negra, que permite a muitos cadeirantes ter o primeiro contato com o mar e é aberto para qualquer portador de deficiência.

Dario a Sadef está realizando uma boa temporada e tem alguns feitos para comemorar, quais são eles?
Acabamos de participar de um Campeonato Brasileiro das modalidades de Atletismo e Halterofilismo e conseguimos um desempenho considerado muito bom em ambas. No halterofilismo a gente levou 15 atletas e conquistamos 12 medalhas, enquanto no atletismo nós levamos sete representantes e cinco voltaram para Natal com medalhas no peito. Essa foi uma boa conquista para os nossos atletas, principalmente se formos levar em consideração que eles vinham parados, devido aos problemas causados pela pandemia. Essa competição foi realizada em São Paulo, que reuniu alguns dos melhores paratletas do país e o retorno foi excelente. Já temos mais uma equipe em disputa essa semana que irá participar, também em São Paulo, do Campeonato Brasileiro de Natação. Enviamos seis atletas e um professor para nos representar.

Como é viver num estado do tamanho do RN e manter o paradesporto no pelotão de elite nacional?
Com bastante dificuldade, até para levar os nossos atletas para participar das competições temos de contar com o apoio que nos chegam através de algumas emendas parlamentares, recebemos o patrocínio da Caern e alguns outros que nos ajudam bastante a sermos uma instituição vencedora, fazendo os nossos atletas competirem em alto nível com a finalidade de obter resultados para manter a Bolsa Atleta, que é muito importante para que eles consigam se manter.

Com esse tipo de ajuda que vocês estão conseguindo, conseguem competir em pé de igualdade com representantes de grandes centros como São Paulo, que canaliza o poder financeiro do país?
Não conseguimos competir como gostaríamos porque é inegável que o nosso nível de preparação fica prejudicado pela falta de condições ideais. O nosso estado é pequeno, as empresas daqui e do restante do Brasil possuem uma certa barreira quando se fala em investir no paradesporto, que ainda não é encarado da mesma forma dos esportes olímpicos por quem possui o poder de investimento. Eles ainda não perceberam que o atleta paralímpico possui capacidade igual aos demais atletas de divulgar marcas. Nós também treinamos e derramamos muito suor atrás de obter as nossas marcas, então aqui falta o incentivo para manter os paratletas focados apenas nos treinamentos.

Quanto custa em média para um paratleta se manter num nível de treinamento considerado bom?
Em termos quantitativos varia muito. Na categoria do halterofilismo somos obrigados a gastar com suplementos, uma boa alimentação e também em transporte até os locais dos treinos. O tamanho dos gastos pode ser medido pelo que se ganha com o bolsa atleta, essa verba dá para manter apenas a nossa parte de suplemento e alimentação.

Com essa limitação da verba paga pelo Bolsa Atleta, está ocorrendo alguma ação em termos nacionais visando aumentar o valor desse repasse?
Por ser uma verba repassada pelo governo federal, a gente não tem muita força para solicitar o reajuste necessário. Faz muito tempo que o valor do projeto está defasado e não atende mais às principais necessidades dos atletas, desde 2005 quando ela iniciou só ocorreu um reajuste neste valor. Na verdade, o que nós potiguares esperamos é que na esfera estadual ou mesmo municipal também seja implementado um projeto semelhante ao bolsa atleta para que, com eles, a gente consiga suprir as nossas necessidades e ficar com o foco voltado apenas para os treinamentos. Hoje quando temos de viajar para alguma competição, ainda somos obrigados a buscar apoio para comprar as passagens aéreas, mesmo assim quando pedimos dez, são liberadas apenas duas. Tudo isso dificulta a vida do atleta, falta com que as autoridades locais voltem os olhos para esse problema, na finalidade de fazer o nosso paradesporto forte novamente.

Muitos atletas com potencial olímpico têm deixado o RN para competir por outros estados, esse problema também ocorre no paradesporto?
Acontece. Temos três atletas de alto nível, um deles é a Joana Neves que é uma atleta olímpica, o outro é Júnior França do halterofilismo, além de Ana Raquel que estão sendo assediados por um clube mineiro. O Praia Clube está entrando forte nessa categoria e buscando grandes nomes. A procura é pesada e já foram oferecidos até valores a esses atletas para mudar de estado.

Qual a meta da Sadef para esse encurtado ciclo paralímpico?
A nossa meta é conseguir enviar o maior número de atletas possível para representar o Brasil nos Jogos Olímpicos de Paris. Nosso maior desafio dentro da Sadef é poder capacitar da melhor maneira possível os nossos atletas. Nós dispomos de uma equipe disciplinar muito boa, nossa equipe também conta com fisioterapeutas, médicos e técnicos todos de excelente nível e queremos deixar os atletas bem envolvidos com esse novo desafio. Obter o índice paralímpico exige bastante determinação e um trabalho muito bem realizado, na categoria do halterofilismo e da natação contamos com representantes que dificilmente ficarão de fora da lista final para integrar o grupo que irá a Paris.

O índice de renovação do paradesporto potiguar é satisfatório? Poderemos ver algum nome despontar nesse período de preparação para os próximos Jogos Olímpicos?
Temos sim, em algumas modalidades estamos com atletas bem promissores, no Atletismo temos o Lucas que vem fazendo competições muito fortes no lançamento de dardos e poderá ser uma dessas novidades.

A Sadef passou por momentos difíceis há pouco tempo e conseguiu se reerguer, hoje a estrutura de vocês é satisfatória ou vocês necessitam de maiores melhorias?
Na verdade nós sempre estamos em busca de melhorias, jamais paramos na tentativa de sempre oferecer o melhor aos nossos atletas de alto nível, que querem chegar bem sempre em qualquer temporada. Possuímos uma estrutura própria dentro do Caic Esportivo, contamos com o apoio do SESI que nos permite usar o parque esportivo que eles mantêm, mas sinto que ainda necessitamos de mais espaços. Apenas assim nós conseguiremos crescer. Recentemente a Prefeitura do Natal liberou para a gente usar as instalações do ginásio Nélio Dias e estamos levando para lá as modalidades do Tae-kwon-do e o halterofilismo no sentido de fomentar e encorajar cada vez mais cadeirantes a ingressar na vida esportiva. Estamos abrindo novos espaços de treinamento da zona norte justamente para evitar as dificuldades dos cadeirantes de lá com relação a transporte, com isso aguardamos novas adesões ao projeto.

Existem muitos valores perdidos no RN, pessoas com potencial esportivo que por algum motivo não conseguem ingressar em alguma modalidade para iniciar um treinamento de alto nível?
Existem bastante. Tanto que lançamos um projeto no ano passado, denominado Despertando Para o Mundo Paralímpico, que visa montar caravanas e rodar os principais polos do RN. Com ele pretendemos buscar essas pessoas que estão no interior e não conhecem o trabalho da Sadef. Ano passado promovemos uma edição do projeto em João Câmara que acabou sendo muito satisfatório. Trouxemos dois atletas de lá que não conheciam a Sadef e nem o paradesporto, ambos possuem um futuro muito promissor se resolverem se dedicar.

Vem ocorrendo alguma negociação com o governo estadual, que é proprietário do Caic Esportivo, para melhorar as condições desse complexo?
Com o governo estadual possuímos apenas um convênio que permite a gente possuir profissionais de Educação Física para promover o treinamento dos nossos atletas. Com relação a estrutura do Caic, no que tange a nossa parte, todas as melhorias que conseguimos realizar ocorreram através de doações. Apesar de possuirmos o patrocínio master da CAERN, a verba que nos é repassada não nos permite melhorar as instalações para permitir a estadia de paratletas de outros centros aqui em Natal. Mas ainda temos esperança que o poder público olhe para essa questão.

O ano está sendo considerado bom para Sadef e em termos de seleção brasileira, quantos atletas vocês objetivam colocar lá?
No ano passado conseguimos colocar três atletas e dois profissionais da comissão técnica, projetando os Jogos de Paris. A nossa meta agora é mandar de 8 a dez atletas e mais dois técnicos. Espero que os nossos atletas consigam boas marcas nas competições internacionais que irão disputar até o final do ano e nosso panorama é muito otimista.

Em termos de calendário, quais as principais competições que vocês ainda têm para disputar?
Acabamos de enviar alguns representantes para o Torneio Caixa de Natação, que ocorreu em São Paulo, no final de maio teremos o Norte-Nordeste de Paratae-kwon-do, no Recife, as modalidades de ciclismo que serão realizadas também em São Paulo e ainda estamos nos preparando para disputar o MIT, que vai reunir participantes nas modalidades do Atletismo, Halterofilismo e da Natação e que esse ano vai ocorrer nas instalações da UFRN. É uma competição de cunho nacional organizada pela Confederação Brasileira de Paradesporto. A competição está prevista para o dia 8 de setembro e vai reunir os melhores paratletas do país. Em julho vamos disputar o Campeonato das Américas, onde já temos garantida a participação de quatro atletas do halterofilismo. Finalizamos teremos outra etapa do Mundial de Natação, onde a Joana Neves será uma das representantes do RN.

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