O camburão

Publicação: 2019-09-15 00:00:00 | Comentários: 0
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Quando viu o ônibus do Botafogo chegar ao Maracanã naquela tarde de 1977 e as primeiras cabeças foram surgindo das janelas, o repórter Deny Menezes, sarcástico e rápido, não se conteve e mandou flash para a cabine da Rádio Nacional do Rio de Janeiro: “Atenção Zé Carlos(O narrador José Carlos Araújo), o Time do Camburão acaba de chegar...”

Há nove anos sem títulos, na época, o presidente Charles Borer, ligado ao SNI,  da linha dura de apoio ao Regime Militar, estava execrado pela torcida pela venda da lendária sede de General Severiano à Companhia Vale do Rio Doce. Toda a história do dirigente Carlito Rocha, o seu cachorrinho Biriba, Heleno de Freitas, Nilton Santos, Didi e Mané Garrincha havia sido jogada fora para ser recuperada nos anos 1990.

Borer quis ficar de bem com a torcida e demonstrar autoridade. Montou um time cheio de craques malandros acima da conta. Contratou Paulo César Caju, Mário Sérgio, Dé, o Aranha, Manfrini, Gil, Ubirajara Alcântara, Renê Pancada e Rodrigues Neto.

Na teoria, um time, na prática, o camburão perfeitamente definido por Deny Menezes. Ninguém queria nada a não ser criar caso, fazer arruaça e desafiar a decantada valentia de Borer. Paulo César Caju não jogava às quintas-feiras pois às quartas havia noites especiais com garotas importadas na então famosa Boate Regine`s.

O Camburão de Futebol e Regatas passou a treinar em Marechal Hermes, onde foi construído um estádio com arquibancadas metálicas. Segunda-feira pela manhã, nem pensar.

Tudo começava às duas da tarde porque do time titular, apenas o jovem e habilidoso meia Mendonça, recentemente falecido e ex-craque do América(RN),  acordava antes do meio-dia.

Depois de empates contra Olaria e São Cristóvão, Charles Borer pensou que enquadraria de uma vez o Camburão. Contratou para técnico ninguém menos que o delegado de polícia Luiz Mariano, do antigo time dos 12 de Ouro, alcunha afável do Esquadrão da Morte. De preparador físico, a seda humana chamada Hélio Vigio, chefe da Divisão Anti-Seqüestro.

Charles Borer apresentou a dupla, que guardava  pistolas sob as calças de elástico e disse que a partir daquele momento, ai de quem continuasse desrespeitando a autoridade dirigente. Foi às duas da tarde. No dia seguinte, pela manhã, não viu Mariano ou Vigio em Marechal Hermes.

Telefonou ao técnico, que o atendeu, pelas 11, voz de ressaca monumental. “Borer, o Dé, o Ademir e o PC nos convidaram a um papo, para selar a paz, mostrar boas intenções e terminamos às sete horas, todos bêbados. São bons meninos.”

Desmoralizado de uma vez pela malandragem, Borer resolveu  desmontar o camburão, vendendo, com dificuldade, peça por peça, até 1979.

Diá
Diá merece um texto mais meticuloso. É um dos muitos exemplos do dito popular: Natal, péssima mãe, ótima madrasta. Que técnicos foram superiores a ele no ABC nos últimos tempos? Diá não se emenda, é maracatu, não se ajuda, brega , mas conhece futebol. E futebol dos ruins como se avizinha, é terreno perfeito para ele, que garimpa. Tem história de conquistas.

Hierarquia
O assessor da Presidência do ABC, Beto Cabral, envia à coluna gravações de WhatsApp em que detalha (na sua visão) o momento do clube. Admite a divisão interna ainda decorrente da eleição anterior Judas Tadeu contra  Fabiano Teixeira e a falta de “hierarquia” no clube.

Dívidas
Com relação a Clécio Santos, ligado ao ex-deputado federal Rogério Marinho, Beto declara que há rejeição “do povo de Judas”. Elogia Clécio pelo trabalho na negociação de dívidas trabalhistas e que todas as despesas terão sua prestação de contas, incluindo as que foram autorizadas por ele, Beto Cabral.

Transparência
Beto cita a “transparência” do atual presidente, porém revela excesso de confiança e delegação de poderes à comissão técnica. Beto diz que “tudo no ABC é série A”na parte estrutural. O futebol, aí sou eu declarando, é de Quarta Divisão e a responsabilidade é da gestão.

Bloqueios
O assessor lamenta bloqueios financeiros bancários. Diz que há funcionários antigos e desmotivados e que somente um projeto empresarial poderá livrar o clube do caos geral. Futebol Negócio, ABC Empresa, é o projeto que apresentará.

Homenagens
O América vai homenagear nomes importantes que construíram a história do clube no domingo, dia de inauguração da Arena José Rocha. Jogadores, dirigentes, abnegados e torcedores, anônimos, apaixonados. Gesto grande. De primeira.

Matutão
Devem participar do Super Matutão FNF, os seguintes  municípios: Arês, , Assú, Barcelona, Brejinho, Caicó, Ceará-Mirim, Extremoz, Goianinha, Ipanguaçu, Jardim de Piranhas, Lagoa Nova, Lagoa Salgada, Macaíba, Macau, Mossoró.

E mais
Nísia Floresta, Parnamirim, Parelhas, Passagem, Pureza, Santa Cruz, São Gonçalo do Amarante, São José de Mipibu, São Paulo do Potengi, Serrinha, Tibau do Sul, Touros, Várzea e Vera   Cruz. O torneio será realizado de 3 de novembro a 7 de dezembro.





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