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O caminho das águas
Publicado: 00:01:00 - 30/06/2022 Atualizado: 23:34:05 - 29/06/2022
Garibaldi Filho
Ex-senador da República 

A minha preocupação com os problemas decorrentes da falta de água começou ainda na adolescência. Filho de produtor rural, ouvi do meu pai, Garibaldi, quando ainda morava na rua Trairi, próximo do Morro de Mãe Luíza, as dificuldades advindas da falta de chuva e, em consequência, o sofrimento dos trabalhadores e dos pequenos proprietários.

Mais tarde, pontuei a minha atuação na Assembleia Legislativa, acompanhando as sucessivas crises sociais e econômicas provocadas pela seca. Fiquei conhecido como “deputado da emergência”, dada minha insistente cobrança às autoridades responsáveis pelas chamadas “frentes de trabalho”, na quais, em troca de um minguado auxílio financeiro, os agricultores saiam dos seus roçados para consertar estradas ou construir barreiros. Na época, quando ainda não havia os programas de transferência de renda, era a ajuda emergencial que chegava nos períodos de estiagem. Apesar de limitada, se demorasse, as famílias teriam dificuldades ainda maiores. Por isso, cobrava que os governos tivessem agilidade. 

Anos depois, ao assumir o governo do Rio Grande do Norte, decidi criar uma estrutura institucional, a Secretaria de Recursos Hídricos, e com ela definir uma política estadual para o setor. Felizmente, essas ações técnicas foram lideradas, em momentos diferentes, pelos competentes Rômulo Macedo e Paulo Varella. O apoio político também colaborou muito para a execução do programa de adutoras e a construção e conclusão de barragens, como a de Santa Cruz, em Apodi, e a de Umari, em Upanema. Devo reconhecer o empenho do então deputado estadual Elias Fernandes para que o Estado tivesse um projeto de recursos hídricos. 

Nos últimos dias, tenho ido, novamente com frequência, ao interior do Estado e, nas diferentes regiões percorridas, constato as marcas dessas ações. Mas, apesar do muito realizado, ainda há muito o que fazer. Em conversas informais com técnicos, listamos três empreendimentos que poderiam mudar para melhor a vida dos conterrâneos: adutoras interligadas para o abastecimento d’água das sedes dos municípios do Alto Oeste; construção do Canal do Mato Grande com aproveitamento das águas da barragem Armando Ribeiro Gonçalves; e a implementação da irrigação nos cem mil hectares de solo fértil na chapada do Apodi. Não julgo utópico. É possível, se houver mobilização e esforço da classe política e das lideranças da sociedade. E não desperdicemos energias com polêmicas irrelevantes, levadas ao centro do debate público. 

Esses importantes projetos de recursos hídricos e agricultura irrigada podem estar entre as aspirações que unificam os potiguares. É um sonho, mas, como cravou Raul Seixas, “sonho que se sonha junto torna-se realidade”.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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