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O Centenário de Paulo Freire
Publicado: 00:00:00 - 23/09/2021 Atualizado: 23:50:47 - 22/09/2021
Garibaldi Filho
Ex-senador

O nosso Estado não poderia deixar de tomar iniciativas por ocasião do centenário do grande educador Paulo Freire, no dia 19 de setembro. No Rio Grande do Norte, o legado dele tem, na experiência vitoriosa da “Alfabetização em 40 horas”, realizada de forma inovadora no governo Aluízio Alves, na cidade de Angicos, o marco mais destacado e fundamental. 

Hoje, Paulo Freire é, com justiça, oficialmente o Patrono da Educação no Brasil. E, se ainda temos, no momento, onze milhões de analfabetos, precisamos nos voltar para essas pessoas, que merecem a oportunidade do acesso ao domínio da leitura e da escrita. Nos ensinamentos de Paulo Freire, estão as referências necessárias para erradicar esse analfabetismo. 

Por ocasião do centenário, esses ensinamentos foram relembrados. Tivemos várias homenagens em Natal e em Angicos, ocasiões nas quais o método Paulo Freire foi reafirmado como uma referência por intermédio da qual podemos enfrentar os enormes desafios que o país ainda tem na educação.  

Também houve a realização de uma sessão solene no Senado da República, presidida pelo senador Jean Paul Prates.  Nessa sessão, foram destacadas a revolução, a transformação, ao longo das quais o educador executou o que pregava para ensinar de forma conectada à realidade e estimulando o senso crítico.  

Os pronunciamentos nesta sessão foram esclarecedores, a partir de familiares do homenageado, e de educadores, como Marcos Guerra,  especialista em educação internacional, que participou ativamente da implantação do método, em Angicos. Também estiveram no Senado o professor José Fernandes, ex-secretário da Educação de Sergipe, o filósofo Mário Cortella, a governadora Fátima Bezerra e parlamentares.

Todos ressaltaram os feitos do método e o apoio que recebeu do governador Aluízio Alves, na época. Na verdade, a concepção contida no lema “a educação que liberta”, levaria, no período ditatorial, o educador à prisão e ao exílio. 

O compromisso maior era com o sentimento da esperança que residia em cada um dos novos alfabetizados. 

Os meus leitores vão permitir que possa me valer, agora, de depoimentos prestados nesta audiência, no Senado. Marcos Guerra afirmou que a alfabetização, propiciada pelo método Paulo Freire, ajuda o trabalhador a ser “povo” e não mais “massa”. Além disso, acrescentou a importância da educação para estimular a busca por “novos caminhos”. 

“Nós devemos aos brasileiros marginalizados uma resposta pela educação. O analfabetismo é apenas um pedaço da desigualdade”, destacou Marcos Guerra, durante a sessão solene. 

“Ele nos ensinou a combater a ideologia fatalista e nos mostra que a educação e a cultura são essenciais para um mundo mais justo e mais bonito”, discursou José Fernandes Lima, que também é ex-presidente do Conselho Nacional de Educação. 

O filósofo e professor Mário Sérgio Cortella, que foi orientado por Paulo Freire durante um doutorado, considera que celebrar a memória do educador é particularmente relevante nos tempos atuais, quando há quem coloque em dúvida avanços democráticos. 

Esses pronunciamentos reforçaram, assim, que a trajetória de Paulo Freire e toda sua vasta obra devem ser rememoradas e servir de norte para que o analfabetismo seja erradicado no Brasil e a educação disseminada para que tenhamos um país mais justo e com oportunidades igualitárias.


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