Cena Urbana - Vicente Serejo
O ciberpopulismo - início
Publicado: 00:00:00 - 03/08/2021 Atualizado: 01:09:19 - 03/08/2021
Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

Divulgação


Não é tão difícil, mesmo para nós, os jornalistas, compreender a propriedade das novas expressões que surgem por cima do vernáculo ou do léxico, como queiram, e bem sustentadas pelos modismos dos usos correntes. Talvez tenha sido Câmara Cascudo aquele que melhor chegou à síntese, como conceito, no título do seu livro, ‘Coisas que o povo diz’. Ontem, vinha do povo, da criatividade popular; hoje, é fruto da tecnologia usinando neologismos e falares.
 
O mundo digital é o outro novo mundo que o homem inventou, depois daquele velho novo mundo que descobriu no tempo das navegações. Um novo mundo invisível, virtual, posto ali, entre o material e o imaterial, ao mesmo tempo real e irreal, e contraditoriamente verdadeiro. Não vivê-lo, direta ou indiretamente, é desafiar por caturrice o que existe e interfere na vida e na morte. Até as certidões já atestam o vivo e o morto, com a fé de ofício em registro virtual. 

Tudo começou mais agudamente nesse jogo intenso das adverbialidades que definem circunstâncias quando os olhos caíram nos ensaios eruditos de Pierre Levy, em ‘A Cibercultura’ e ‘As Tecnologias da Inteligência’. Este buscando revelar o que o moderno filósofo francês teve a ideia de nomear como ‘o futuro do pensamento na era da informática’, traduzidos no Brasil nos anos noventa, mesmo que se tenha na rápida citação essa tão pobre densidade de erudição. 

Digo sempre que o homem na sua inteligência assombrosa teve a petulância de inventar outro mundo, como se não bastasse este nosso que Deus criou. Ainda que o humor não explique a grandeza, ou não baste para explicar, só assim é possível aceitar que existe um novo mundo. Pode ser aquele ‘admirável mundo novo’, de Aldous Huxley, mas é feito de estranhas e belas percepções que só a inteligência humana seria capaz de conceber. Um paraíso além do pecado. 

Ou melhor: o pecado existe, intrinsecamente, em tudo e em toda parte, e tem o condão mágico de legitimar a virtude. É preciso não perder de visa que o homem criou o impossível quando inventou a perfeição grega, imperfeita por não ser possível. Daí, ao longo de todos esses séculos e milênios, nada foi mais impossível. Ele é um ser divino - para quem acredita - por isso pôde divinizar as invenções, ainda que cercado de desejos pecadores que o fazem humano. 

Agora mesmo, um filósofo brasileiro, mestre e doutor em filosofia pela Universidade de São Paulo, lançou um ensaio sobre o ‘Ciberpopulismo’, essa deformação que nasceu das redes sociais. É o populismo nascido velozmente e renascido do uso da palavra no espaço virtual, como origem e produto da ‘Cibercultura’, ao mesmo tempo. Nada revoga, nem os mais velhos e toscos alfarrábios. E, no entanto, parece querer reinventar o mundo da retórica e sua persuasão.  

ZODÍACO - Um velho astrólogo da política local jogou suas cartas e seus búzio e chegou à conclusão que a governadora Fátima Bezerra gostaria de ter Ezequiel Ferreira para seu Senador.

REFORMA - E se a reforma política, mesmo não tão extensa, aprovar o ‘distritão partidário’, com a valorização da força partidária, como fica o uso da sobra de voto? Os partidos decidirão? 

PREFEITO - Há fontes convencidas de que a estratégia de Paulinho Freire não estanca na sua eleição de deputado federal. Ele é potencialmente um candidato a disputar a prefeitura de Natal.

APOSTA - Freire sabe que Álvaro Dias não pode disputar o terceiro mandato de prefeito, mas será um eleitor fundamental nas eleições municipais de 2024. Quando tentará fazer o sucessor.

ALIÁS - Concretizada a ida de Freire do PDT para o DEM, do ex-senador José Agripino, piora a atrofia do velho partido de Leonel Brizola. No RN é um barco à deriva sem um líder no leme.

TOQUE - Primoroso, como retrato do homem, o artigo de José Hamilton Ribeiro - ‘O Macunaíma da Imprensa’, sobre Samuel Wainer. Um homem que viveu entre brilhos, audácias e ambições.

RETRATO - Para esclarecer as dúvidas: os federais Eliéser Girão e Walter Alves disputam a oitava poltrona no auditório imaginário. Mas, pode não ser este o cenário no calor dos combates.    

LUTA - De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, ouvindo o velho resmungo das ruas: “O homem só é vitorioso na sua luta existencial quando a sua vaidade é não ter vaidade”.  

TESTE - A quem o ministro Fábio Faria aconselhou a não mais criticar Jair Bolsonaro? a) José Agripino; b) Álvaro Dias; c) Carlos Eduardo Alves; d) Garibaldi Filho; e) Benes Leocádio; f) Ezequiel Ferreira; g) Jean-Paul Prates; h) Fátima Bezerra; f) nenhuma alternativa está correta?  

SERÁ? - As melhores fontes junto ao bolsonarismo local marcam a letra ‘c’ e afirmam que o conselho foi dado ao ex-prefeito Carlos Eduardo Alves, aliado de Bolsonaro no segundo turno, em 2018, depois um dos seus críticos nas redes sociais. Conselhos não apagam as contradições. 

MURO - Ainda que em política as circunstâncias locais e regionais prevaleçam, muitas vezes, sobre o plano nacional, o PDT tem em Ciro Gomes o crítico mais contundente do governo Jair Bolsonaro. Ser aliado do Messias dentro do PDT é uma posição muito difícil de ser sustentada.   






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