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'O clássico é a cereja do bolo', diz presidente da Comissão de Arbitragem do RN
Publicado: 00:00:00 - 23/01/2022 Atualizado: 16:43:43 - 22/01/2022
Quando a bola rolar para ABC e América neste domingo (23), no estádio Frasqueirão, três pessoas estarão sob o julgamento de muitos. O trio de arbitragem, que será composto por potiguares como sempre estarão sujeitos a críticas, sejam elas justas ou injustas. De acordo com o Coronel Ricardo Albuquerque, presidente da Comissão Estadual de Árbitros de Futebol, nossos árbitros são preparados para comandar o duelo entra as principais equipes do Rio Grande do Norte e até anseiam por essa oportunidade e ele atribui, parte da desconfiança, que gera polêmica desde a primeira rodada do Campeonato Potiguar ao desconhecimento das regras por parte de atletas, treinadores e até dirigentes dos clubes.
ARQUIVO TN
Coronel Ricardo, presidente da Comissão de Arbitragem do Rio Grande do Norte

Coronel Ricardo, presidente da Comissão de Arbitragem do Rio Grande do Norte

Coronel Ricardo revela que toda a equipe de arbitragem potiguar passou por treinamentos e atualizações recentes. Ele fala que as mudanças nas regras podem estar gerando reclamações por parte daqueles que desconhecem essas alterações.

Para o presidente da entidade, a arbitragem no duelo de hoje à tarde no estádio Frasqueirão, precisa ser a mais discreta possível. Segundo seu conceito, o árbitro deverá passar despercebido no jogo.

Este ano, antes mesmo da bola rolar, alguns clubes já mostravam desconfiança com os profissionais que trabalham no nosso futebol. Tanto que surgiu uma proposta para a criação de uma espécie de comissão de arbitragem paralela. A ideia não tomou corpo e não foi levada à frente, mas logo na primeira rodada da competição, o Globo reclamou da atuação do árbitro Caio Max no jogo contra o ABC.

O clube de Ceará-Mirim chegou a produzir um vídeo com os lances que considerou errados. No entanto, o Coronel Ricardo afirma que o uso de apenas uma câmera e de fotos ou de ângulos errados não comprovam erros e que essa não é a forma adequada para discussão e melhoria na atuação dos árbitros aqui no Rio Grande do Norte. “O presidente do Globo esteve na FNF com esse material e fez reclamações. Eu disse a ele que o clube deveria e poderia entrar com uma representação oficial”, comentou. Até o fechamento desta edição, não havia processo impetrado pela Águia, na entidade, ou no Tribunal de Justiça Desportiva – TJD, relativo à partida diante do Alvinegro. “Na arbitragem não há espaço para o achismo. Não tem esse negócio, ou é ou não é” explicou o Coronel Ricardo ao comentar a discussão.

Na partida o próprio ABC fez reclamações contra Caio Max. Durante a entrevista, o técnico Moacir Júnior cobrou a expulsão de um atleta do time rival. Segundo o presidente da CEAF, o lance foi discutido com o próprio árbitro. “Sempre fazemos esse processo de avaliação. Mostramos os lances e discutimos”, disse.

Qual a importância de termos árbitros locais no clássico entre ABC e América neste domingo?
Todos os jogos são importantes. E, ABC e América é a cereja do bolo. Todo árbitro quer trabalhar. Então, é muito importante para a arbitragem trabalhar no clássico do seu Estado.

O senhor acredita que uma boa atuação do trio pode mudar a opinião de quem está fazendo críticas nesse momento?
O erro é natural do ser humano, e não vamos nos incomodar com isso. A gente procura fazer o melhor e orientar dentro da melhor maneira possível. É procurar fazer uma boa arbitragem e procurar sempre passar despercebido. Tivemos um probleminha na primeira rodada, mas nos demais jogos estamos dentro da normalidade.

As reclamações são fundamentadas?
Olha. A gente quer que o pessoal ao menos entenda as regras da arbitragem, principalmente o pessoal do campo de jogo. Houve muita mudança na regra e pouca gente tem conhecimento. A arbitragem tem! Então, a gente só quer isso. Tem determinadas faltas que não são faltas, penalidades que não são penalidades. Na arbitragem não há espaço para o achismo. Não tem esse negócio, ou é ou não é. A gente procura aplicar a regra do jogo, que está sendo mudada e implantada.

Existe a possibilidade do uso do VAR (árbitro de vídeo) em alguma fase da competição estadual?
Seria muito interessante. Inclusive, agora no mês de novembro eu estive na CBF para fazer um curso sobre implantação do VAR nos estádios. Nós estamos capacitados. O problema é a despesa. Para você ter uma ideia, para colocar apenas quatro câmeras, ou seja, só com o equipamento é R$ 15 mil. Mas, o nosso presidente da FNF, José Vanildo, já oficiou a CBF, como os demais estados, que tem esse interesse e vamos aguardar como isso será feito. Se terá a colaboração da CBF, porque é uma despesa muito alta. Quando você traz só o árbitro de fora a despesa já é alta, imagine o VAR, que é uma empresa, que tem que deslocar pessoal.

Coronel, essas reclamações que existem são históricas. Elas são justas ou há preconceito com os árbitros? Ou pode estar servindo como carta de garantia para alguns clubes?
O ano de 2020 para 2021 tivemos alterações na regra. Já para esse ano realizamos um treinamento de alto nível aqui e a maioria dos clubes não acompanham isso. As vezes o jogador não conhece, o treinador não conhece essas mudanças. Tivemos uma mudança clara recente de regras e a comissão quer que eu vá lá fazer uns vídeos para mostrar o que é falta, o que é mão, etc. A reclamação do torcedor é normal e a gente está pronto para receber as críticas. Mas, quando se trata de dirigente é melhor a gente sentar e expor, explicar. Cliping de filmagem e foto a gente não vai ser influenciado com isso. Mas vídeo sim dá para a gente avaliar todo o lance. A gente está pronto. Escutamos, afastamos o árbitro, mas se tiverem errados mesmo. Trabalhamos em cima do livro de regras.

Uma das maiores polêmicas de nossa arbitragem envolveu o árbitro Zandick Gondim, que apitou a semifinal de 2021 entre ABC e Santa Cruz, anotando um pênalti que não houve em favor do Alvinegro. Ele confessou o erro, foi afastado, mas está de volta. Que avaliação o senhor faz dessa volta?
Zandick é um grande árbitro. Eu confio no trabalho dele. Ele, após aquele incidente, ele foi afastado, houve o treinamento, comunicados à CBF que acatou, mas logo em seguida ele voltou a trabalhar para a CBF tanto que atuou na Série B, onde desenvolveu um bom trabalho. Então, aquilo aconteceu foi uma fatalidade. Eu estava assistindo ao jogo e conversei com ele. Na hora que ele correu para a bola, que mudou a visão para dentro da área foi que ele perdeu a visão de que o jogador sofreu a falta fora da área e só viu o jogador caindo dentro. Mas, ele reconheceu, falou e hoje a gente confia muito no trabalho dele. Ele voltou e voltou bem. Erro de arbitragem vai acontecer. Somos seres humanos. É muito bom você estar lá dentro esperando parar o jogo e após a câmera mostrar dizer se foi dentro ou fora da área, se foi falta, se a falta é para cartão vermelho … É muito bom o VAR. Mas, hoje a gente trabalha o Brasil inteiro sem o VAR e a gente tem que estar muito bem fisicamente e tecnicamente para desempenhar nossa função. Em momento nenhum eu acredito em desonestidade. A nossa arbitragem no Brasil hoje é reconhecida pelo trabalho de excelência, a prova é que, dos 17 árbitros selecionados apenas o Pablo Ramon foi para FIFA. Queira ou não queira, hoje nós temos um árbitro FIFA no Rio Grande do Norte. Tínhamos um assistente e agora temos um árbitro. Então isso é um trabalho sério que a gente vem fazendo com a arbitragem. Caio Max estava na relação dos quatro para entrar na FIFA e por uma questão ou outra ele não entrou. Mas eu ainda espero Caio e outro na FIFA, desenvolvendo um bom trabalho nacional, internacional e principalmente aqui dentro do nosso campeonato para que não haja problema. Aconteceu o fato aconteceu, mas a gente tem que analisar tudo para poder concluir alguma coisa.

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