O Clima e o vinho

Publicação: 2017-09-07 00:00:00 | Comentários: 0
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O clima, assim como a composição físico-química do solo, seu relevo e o manejo do vinhedo têm uma importância decisiva na qualidade e estilo do vinho. No tocante às condições climáticas, é possível dizer, por exemplo,     que regiões de climas quentes geram naturalmente vinhos mais alcoólicos, com menos acidez, e, portanto, menos refinados. Estes vinhos, em algumas regiões, podem ser acidificados (corrigidos), e podem, inclusive, ter seu teor de álcool reduzido através de osmose reversa, tudo dentro da lei. No outro extremo da questão climática, regiões muito frias geram vinhos mais ácidos e menos alcoólicos, que nalgumas Denominações, amparados pela lei, podem ser chapitalizdos, técnica que consiste em colocar açúcar de cana ou de beterraba no mosto em fermentação, com o propósito de aumentar o teor alcoólico do vinho. Ainda falando sobre o clima, fatores como índice pluviométrico anual (quantidade de chuva), e horas de sol sobre os vinhedos (insolação), são fenômenos muito importantes para o bom desenvolvimento das uvas, e consequentemente para a qualidade final do vinho em questão.

O colunista em visita ao vinhedo Cos D’Estournel, em Bordeaux, uma das regiões mais importantes no universo do vinho

 O índice pluviométrico anual médio para a vinha gira em torno de 500 mm em locais frios e de 750 mm em locais quentes. Em regiões quentes, abaixo dos 400 mm, será necessário irrigar o vinhedo, ou o estresse hídrico comprometerá a planta. Em regiões muito frias, acima de 750 mm será necessário proteger o vinhedo (cobrindo-a), ou a umidade propiciará problemas fúngicos e o excesso de água será um problema para a consistência dos bagos. É importante notar que proteger assim como irrigar o vinhedo, bem como uma porção de outras medidas incorporadas ao manejo das vinhas, implicam em custos adicionais que se refletirão no preço do produto, como colheita manual, consultorias enológicas, etc. Há que se considerara ainda a variedade (uva) em relação ao terroir, porque há variedades que amadurecem precocemente, como a Tempranillo, assim como há variedades que são tardias, como a Carmenere, isso só para citar duas. Se eu planto uma variedade precoce num ambiente muito quente, vou ter de monitorá-la, de proteger os bagos com uma boa área folhear, além de hidratá-la para que não amadureça demasiadamente, perdendo acidez (frescor).

Já se eu planto uma variedade tardia num ambiente frio, a tendência é que os taninos não amadureçam e o vinho se torne excessivamente rascante. Como se vê o clima, que é apenas parte di processo enológico, tem um peso muito grande no resultado final do produto. O que dizer então de tudo quanto se precisa observar para ter na taça um vinho que, além de excelente, seja natural?

Viagem ao Universo do Vinho Nas Principais Lojas da Cidade
Aos amantes do vinho que não adquiriram o DVD Viagem ao Universo do Vinho, informo que este poderá ser adquirido nas principais lojas de vinhos da cidade: Perlage, Vinhedos, Grand Cru, Adega São Cristóvão, Videira, Adega Natal e Wine Store, ao preço de R$ 25,00. Viagem ao Universo do Vinho aborda em seus 4 blocos as principais dúvidas do dia a dia dos apreciadores, revelando uma nova perspectiva na apreciação do vinho.

Sobre a Fotossíntese
As folhas da vinha funcionam como painéis solares que fornecem energia à videira através da fotossíntese. Elas também funcionam como proteção contra o sol em excesso em regiões mais quentes. As videiras têm um interruptor de segurança natural que lhes permite parar de funcionar em condições extremas. Muito calor e as videiras param de fazer fotossíntese, muito frio e elas hibernam. Videiras gostam de temperaturas médias ES estações climáticas bem definidas. Por isso a altitude é importante. Isso propicia uma longa maturação das uvas, permitindo aos bagos concentrarem mais matéria corante, diversos outros componentes fenólicos, olfativos e gustativos para o bem do vinho e o nosso bel prazer. 

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