Alex Medeiros
O comércio ideológico das paixões
Publicado: 00:00:00 - 21/12/2021 Atualizado: 22:15:21 - 20/12/2021
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

Circula por grupos de WhatsApp de todo o Brasil, além de outras redes sociais, um vídeo que mostra uma loja popular, dessas que encontramos nas ruas das pequenas cidades, onde toalhas com as estampas de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva são assuntos sobre vendas. Vê-se pessoas comentando que o rosto do presidente vende mais do que o rosto do ex-presidente. Um fato demonstrando que a popularidade de ambos estimula paixões eleitorais e lucros comerciais.

A venda de objetos e souvenires relacionados à política sempre existiu no Brasil desde às antigas campanhas do começo do século passado. E é também uma tradição nos EUA, a nação onde nasceu o marketing como ferramenta política de reforço da imagem. No tempo da minha infância, existiam no Centro e na Ribeira comitês e barraquinhas de rua vendendo flâmulas, broches, chaveiros e outras bugigangas em tons verde e vermelho, as cores de Aluízio Alves e Dinarte Mariz.

Grande parte das casas de Natal e do interior tinha bandeiras tremulando no telhado e cartazes de candidatos nas paredes, nas portas e janelas. Nos anos 80 surgiram camisetas, bonés e outros itens para atrair a atenção dos eleitores. 

Com a redemocratização durante o governo do presidente João Batista Figueiredo, o último general do regime militar, os partidos de esquerda – então legalizados - passaram a comandar o mercado informal de temáticas política, social e cultural. 

Nas universidades (a SBPC virou bazar), multiplicaram-se camisas com a foto de Che Guevara, os pôsteres de filmes de diretores engajados e as frases de músicas de protesto dos cantores que apoiavam legendas socialistas e comunistas. 

Desde então, a venda de produtos assim se tornou uma marca da esquerda, que agora vende até brinquedos, discos, livros e filmes. Durante a campanha do Lula Livre, voltaram as opções de sustentação financeira, inclusive a cerveja Lula Livre. 

Nas últimas décadas, isso virou uma constante na esquerda, reforçada por novos partidos como PSOL, PSTU e UP. Mas entre 2015 e 2016, com a figura de Jair Bolsonaro, os conservadores daqui resolveram copiar os republicanos dos EUA.

Na campanha de 2018 e com a eleição de Bolsonaro, isso ganhou mais força, até chegarmos nesses dias de briga comercial de toalhas em lojinhas de periferia. Mas na semana passada, uma ação ousada da direita preocupou a bodega vermelha.

Empresários eleitores do presidente da República, no interior do Mato Grosso, foram alvos de um tal “movimento de combate a corrupção eleitoral”, onde, dizem, há a participação até promotores públicos e agentes policiais simpáticos ao Lula. 

Os empresários lançaram com sucesso uma cerveja chamada Bolsonaro, que agora está sendo considerada ilegal por supostamente ter suas vendas para arrecadar recursos para a campanha de reeleição do presidente que lhe dá nome.

O que eu vejo nisso tudo é só mimimi da esquerda, que acaba de arrecadar uma grana preta num jantar de adesão ao Lula no luxuoso restaurante Figueira do Rubayat. O “probrema” é que, quem vendia tudo sozinho agora tem concorrência. Coisa de mercado. A direita aprendeu a botar banca no comércio das paixões.

Divulgação


Jantar
Enquanto Lula e Alckmin ciceroneavam políticos no luxuoso Figueira Rubayat, dezenas de vídeos de um esculhambando o outro circulavam nas redes. Até Arthur Virgílio, que prometeu surrar Lula, apareceu para comer no que cuspiu.

Televisão
Mais um fiasco na audiência da TV aberta na tarde do último domingo. Às 15h, a soma de todos os índices das emissoras era apenas 21,9%. A média abaixo dos 30% em diversos horários tem sido uma constante há duas décadas.

Televisão II
A fraca audiência da TV aberta só não foi percebida por políticos e analistas que continuam achando que o tempo dos partidos na TV ainda é determinante no aspecto eleitoral. Desde Barack Obama, a força está nas redes sociais.

Chimpanzés
Cientistas constataram que os chimpanzés estão se equiparando aos homens da Era Paleolítica, experimentando o surgimento da religião tratando árvores como um ser divino. Em Pirangí, até hoje homo sapiens cultuam uma árvore.

Seringa
Aliás, no segundo filme da saga Planeta dos Macacos, em 1970, há mutantes cultuando a bomba atômica como sendo a salvação. Hoje há o culto à seringa, que me lembra os “pinta” dos anos 70 ligados com Algafan e Glucoenergan. 

Ciência
Documentos da NASA sobre estudos nos satélites de Júpiter teriam vazado por e-mail revelando previsões e suspeitas da existência de seres gigantescos no oceano subterrâneo de Europa. A agência enviará naves para lá em 2022.

Gênero
O procurador federal e escritor Marcelo Alves adotou a “linguagem neutra” nas suas postagens em grupos de WhatsApp. Resta esperar se usará na Academia Norte-rio-grandense de Letras, a nossa casa representativa da norma culta.

Natal
Uma enxurrada de filmes com temática natalina nos serviços de streaming, canais de TV e no cinema. Além de dezenas de produções recentes, os velhos clássicos dos natais em Nova York e Paris já estão disponíveis no YouTube.

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