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O crescimento da Energia Solar Distribuída no Rio Grande do Norte
Publicado: 00:00:00 - 01/12/2021 Atualizado: 23:42:10 - 01/12/2021
José Maria Vilar
Economista, consultor e vice-presidente da Associação Potiguar de Energias Renováveis – APER

A energia solar distribuída, aquela instalada principalmente nos telhados das casas, estabelecimentos comerciais e indústrias, vem apresentando um vigoroso crescimento no RN.

De acordo com dados que levantamos junto à ANEEL, no ano de 2015 apenas 46 sistemas foram implantados e conectados à rede de energia elétrica no estado. Em 2021 (apenas até 30/09), já haviam sido conectados um total de 12.173 sistemas. Se considerarmos apenas a evolução nos primeiros nove meses deste ano, tem-se uma taxa média de crescimento da ordem de 8,3% ao mês.

Até 30/09/2021 o RN apresentava uma capacidade instalada acumulada da ordem de 150,2 megawatts (cerca de 11,0% de toda a potência instalada na região), ocupando a 4ª posição, abaixo apenas de BA, CE e PE. Estimamos que essa potência instalada representa um investimento que alcança a importante cifra de R$ 632,5 milhões, dos quais cerca de R$ 264 milhões investidos apenas de janeiro a setembro de 2021.

Estima-se que estejam atuando no RN cerca de 350 empresas voltadas à comercialização e instalação de usinas solares de geração distribuída. Considerando-se uma estimativa conservadora de 10 empregos gerados por cada empresa, já se teria no RN um contingente de cerca de 3.500 pessoas trabalhando diretamente com essa atividade. Se reunidas em uma só empresa, já seria uma das mais importantes do nosso estado.

E que vantagens a energia solar distribuída apresenta sobre os grandes projetos de geração centralizada? Muitas, a exemplo de: a) as empresas atuantes no setor são predominantemente micro e pequenas, gerando empregos permanentes dentro do próprio estado; b) os materiais elétricos e outros usados na instalação dos sistemas são adquiridos de fornecedores locais, contribuindo para fortalecer o comércio do próprio estado e gerar impostos localmente; c) a democratização do acesso a essa tecnologia, beneficiando principalmente milhares de pessoas físicas, micro e pequenas empresas; d) importante redução em um dos principais componentes de custo das empresas, proporcionando-lhes melhores condições de competitividade, em um mercado cada vez mais concorrido; e) interiorização dos investimentos, considerando que 97% dos municípios potiguares já contam com essa fonte de energia; f) redução da necessidade de investimentos em linhas de transmissão, uma vez que a energia é gerada e consumida, na grande maioria dos projetos, no mesmo local de geração.

Com o crescimento acelerado do setor, tanto os bancos públicos quanto privados despertaram para esse grande mercado, criando linhas de crédito específicas, que possibilitam o financiamento de até 100% do investimento, cujas prestações, na maioria dos casos, são pagas apenas com a economia a ser obtida nas contas mensais de energia, significando que o cliente não precisa retirar dinheiro do seu caixa tanto para fazer o investimento quanto para pagar as prestações. 

Nas condições atuais, em grande parte das situações o investimento retorna em pouco mais ou pouco menos de 3 anos, enquanto os sistemas apresentam vida útil estimada em cerca de 25 anos. Muito difícil (senão impossível), encontrar no mercado investimento com prazo de retorno que sequer se aproxime disso.

Merece ser destacado o apoio que o setor vem recebendo de instituições reconhecidas, como o SEBRAE/RN – que inclusive apoiou fortemente a criação da APER -, e o SENAI/CTGAS-ER.

A APER vem desenvolvendo importantes parcerias com essas duas instituições, com o propósito de suprir capacitação técnica e empresarial às suas associadas, dentro do objetivo de torná-las reconhecidas no mercado pelo diferencial de qualidade e confiabilidade dos produtos e serviços que oferecem aos seus clientes. E, assim, contribuir para o fortalecimento desse importante segmento econômico, que deverá continuar crescendo de importância ao longo do tempo, considerando-se o futuro cada vez mais promissor das energias renováveis – particularmente a solar - em todo o mundo.

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