"O destino ideal precisa ter mobilidade”

Publicação: 2015-03-15 00:00:00 | Comentários: 0
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3 por quatro por Anna Ruth Dantas

Presidente da organização sem fins lucrativos São Paulo Convention & Visitors Bureau (SPCVB) – órgão que busca fomentar o turismo e negócios na capital, Toni Sando fala com propriedade sobre o turismo. Enaltece a importância dos eventos e para os empresários que estão com ares de grande preocupação sobre a crise econômica, Sando destaca as oportunidades que surgem a partir do delicado momento.
CedidaToni Sando é presidente da organização sem fins lucrativos São Paulo Convention & Visitors Bureau (SPCVB) – órgão que busca fomentar o turismo e negócios na capitalToni Sando é presidente da organização sem fins lucrativos São Paulo Convention & Visitors Bureau (SPCVB) – órgão que busca fomentar o turismo e negócios na capital

“Uma crise também gera oportunidades. Com o dólar em alta, o turismo doméstico e dentro do continente podem ganhar mais protagonismo. Ainda assim, o Brasil segue como destaque mundial, uma vez que acabou de receber a Copa do Mundo e, em 2016, receberá as Olimpíadas”, analisa.

O empresário enaltece a imagem vendida pelo país durante o mundial de futebol. “O sucesso da competição de 2014, no ponto de vista da hospitalidade aos visitantes, divulgou em grande escala uma imagem do Brasil como um destino preparado e desejado”, comenta.

Ao analisar a disputa das cidades brasileiras pelos grandes eventos, Toni Sando ressalta que a infraestrutura é determinante para  a escolha da sede. Há diversos pontos que podem ser decisivos. “Entre os principais (itens) está a infraestrutura, a hotelaria, as opções de centros de convenções e espaços para eventos, a mobilidade tanto para chegar no destino quanto para o local do evento e hospedagem, apoio governamental e, em caso de eventos associativos, a representatividade da associação brasileira em relação à internacional”, observa.

Questionado sobre qual o destino ideal. Toni Sando é direto: para atrair o turista é preciso ter mobilidade,   opções de consumo, hospedagem e serviços de qualidade.

Toni Sando será um dos palestrantes do 6º Fórum Estadual de Turismo do Rio Grande do Norte, que acontecerá na próxima quinta e sexta-feira no Centro de Convenções. Ele estará em um painel com representantes do Natal Convention Bureau, em uma troca de experiências entre as duas instituições.

Confira a nossa entrevista do 3 por 4 deste domingo:

Até que ponto a crise econômica do país atingirá o turismo?
Uma crise também gera oportunidades. Com o dólar em alta, o turismo doméstico e dentro do continente podem ganhar mais protagonismo. Ainda assim, o Brasil segue como destaque mundial, uma vez que acabou de receber a Copa do Mundo e, em 2016, receberá as Olimpíadas. O sucesso da competição de 2014, no ponto de vista da hospitalidade aos visitantes, divulgou em grande escala uma imagem do Brasil como um destino preparado e desejado.

É possível crescer no turismo com a crise?
Sim, pois a cadeia produtiva de viagens, turismo e eventos não para. Os consumidores vão buscar por alternativas e é importante que todas as entidades, associações e empresas gerem essas alternativas. Como a melhor defesa é o ataque, o SPCVB continua trabalhando firme para captação de eventos nacionais e internacionais, na capacitação de profissionais do setor e na divulgação do destino.

Qual o papel dos conventions na atual conjuntura do turismo brasileiro?
Os CVBx, tomando o SPCVB como exemplo, têm três missões principais: captar eventos, divulgar o destino e capacitar os profissionais responsáveis por bem receber os visitantes.  Em primeiro lugar, com mais eventos acontecendo nas cidade, mais visitantes nacionais e internacionais o destino recebe, fazendo girar toda a cadeia produtiva de turismo, eventos e viagens. E com divulgação do destino, sua  estrutura, cultura, hábitos e atrativos, o trabalho de captação se torna possível. Por fim, receber  bem o visitante é fundamental para  gerar a melhor experiência logo na chegada. Como resultado, o visitante desejará retornar em um futuro breve, consumindo de forma sustentável mais produtos e serviços do turismo, que envolvem transporte, comércio, gastronomia, cultura, vida noturna e muito mais.

Há uma disputa entre cidades para sediar os grandes eventos. O que define para uma cidade ser sede de um grande evento?
Existe o processo de candidatura para eventos, no qual várias cidades participam. Há diversos pontos que podem ser decisivos. Entre os principais está a infraestrutura, a hotelaria, as opções de centros de convenções e espaços para eventos, a mobilidade tanto para chegar no destino quanto para o local do evento e hospedagem, apoio governamental e, em caso de eventos associativos, a representatividade da associação brasileira em relação à internacional.

Passados oito meses da Copa, qual o reflexo nesse primeiro momento do mundial?
As cidades-sede, e o Brasil como um todo, precisam se apropriar dos grandes eventos que recebem. Assim como o evento se aproveita de todas as qualidades de um destino, o destino precisa aproveitar o palco que lhe é dado. No caso de São Paulo, a oportunidade está sendo valiosa para desenvolver o turismo de lazer, uma vez que a metrópole, em sua maioria, recebe visitantes de negócios e eventos. Muitos veem com pessimismo para uma metrópole um ano com muitas emendas de feriados. O SPCVB vê como uma oportunidade de trabalhar o turismo de lazer e entretenimento, e aproveitar a estrutura que a cidade já tem para bem receber o visitante, com, por exemplo, a 4ª melhor vida noturna do mundo.

Como tornar um destino atraente para o turismo? Até que ponto a gestão pública determina o sucesso de um destino turístico?
Um destino pode ter alma, ser encantador e/ou hospitaleiro. O importante é identificar o que é mais forte no destino e trabalhar nisso. Esse esforço deve ser conjunto com a gestão pública, entidades de classe, associações e empresas privadas. Um destino atraente para o turismo é aquele que tem boa mobilidade, tem opções de consumo, hospedagem e serviços de qualidade.

Se o senhor tivesse que apostar hoje em um destino no Brasil, qual seria e por que?
Natal. A cidade recebeu a Copa do Mundo e também recebe grande eventos, com um bom destaque na captação de eventos internacionais reconhecidos pela ICCA e grande vantagem competitiva no turismo de lazer. Desde sempre Natal é um destino referência para viagens no Brasil e isso tende a crescer com esse bom momento.

Como o senhor avalia a relação hotéis x agências x companhias aéreas x operadoras?
É uma relação conexa. O trabalho de um influencia e possibilita o do outro, gerando benefícios ao cliente, que pode ganhar em opções e preços, e para as empresas, que podem ganhar em volume de negócios.

Qual sua análise sobre o mercado do turismo com a consolidação das vendas de pacotes pela internet e até em sites de compras coletivas?
Neste momento, além de vendas de pacotes pela internet e site de compras coletivas, há outras formas de se experimentar o turismo, como sites como o Airbnb e compartilhamento de residências.  É preciso crescer lado a lado com todas as inovações tecnológicas, pois isso democratiza a possibilidade de viajar para mais pessoas, algo muito positivo para a economia de um destino.

Qual sua visão hoje sobre o turismo do Rio Grande do Norte? O que há de complicado e de vantagem?
Assim como acontece no Estado de São Paulo, o Rio Grande do Norte não trabalha apenas na capital, uma vez que cidades ao redor têm grande potencial para atração de visitantes, com ecoturismo, praias, aventura, religioso, cultural e mais, e até mesmo para turismo de negócios, não centralizando apenas em Natal. Essa versatilidade, unida à hospitalidade dos moradores, torna o estado um diferencial.

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