O efeito do carboidrato na saúde dos nossos Pets

Publicação: 2019-05-19 00:00:00 | Comentários: 0
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Papo Pet
Dr. Tarcisio Barreto

No passado, a alimentação dos cães e gatos eram bastante incompletas já que eram oferecidos tudo o que sobrava da mesa, incluindo arroz, cuscuz, macarrão, farinha, um pouco de restos de ossos, carnes e gorduras. Não havia o importante balanço nutricional responsável para manutenção orgânica deles.

Dr Tarcisio Barretro

Com o passar dos anos, foi introduzido pela indústria a ração balanceada para cães e gatos domésticos. Num primeiro momento, todos nós médicos veterinários defendemos este evolução nutricional oferecidas aos nossos animais, já que iriamos oferecer um produto balanceado, com as ideais proporções entre o cálcio e o fósforo, ideais níveis de aminoácidos essenciais, lipídeos e vitaminas, além de ser prático a sua oferta.

A ração é um produto que possui alta tecnologia na sua fabricação, desde da seleção da matéria prima até seu beneficiamento industrial no processo extrusivo. Nesse processo estão envolvidos grandes profissionais nutrólogos e engenheiros do alimento, buscando as principais exigências nutricionais de cada espécie , assim como, utilizando as melhores práticas de biossegurança e qualidade sanitária.

Todavia os nossos animais de estimação, são oriundos de seus ancestrais, que eram animais de essência carnívora. Tudo o que eles comiam no seu habitat natural, eram a caça como fonte primária de alimento, faziam bastante atividade física na busca pelo alimento, além de só comer o que necessitava, tanto na qualidade do alimento quanto na quantidade. Os canídeos (caninos selvagens) na sua cadeia alimentar, também comem algumas frutas encontradas no caminho, além da caça, que é a sua principal fonte de aminoácidos, sais minerais, vitaminas e lipídeos como energia. Já os felídeos (felinos selvagens), são animais estritamente carnívoro na sua essência natural. Se alimentam apenas de carne e gordura como fonte de energia.

Diante desse quadro, a nutrição está diretamente ligada tanto ao seu adoecimento quanto à sua saúde. "Eles são o que comem".  E foi esse pergunta que me fiz de tanto vê no consultório animais com variadas doenças relacionadas a nutrição dos nossos carnívoros domésticos. Muitas doenças dermatológicas (atopias, alergias), ortopédicas (osteoarticulares), renais (cálculos), entre outras, estão diretamente ligadas a dieta oferecida aos nossos pets. O carboidrato é o principal vilão dos processos inflamatórios crônicos já estudados até hoje tanto para os seres humanos quanto para os carnívoros, em especial os felinos.

Os felinos e caninos não possuem a enzima amilase na saliva, que é a responsável pelo início da digestão dos carboidratos na boca, diferentemente do homem que a produz. Portanto sua fabricação fica canalizada apenas no pâncreas ,órgão responsável pela produção dessa enzima digestiva, que degrada o carboidrato no intestino delgado, aumentando sua capacidade funcional. Essa prática de oferecer carboidrato diariamente aos nossos pacientes carnívoros, permite que o órgão pancreático trabalhe mais dos que é de sua essência fisiológica, justificando a enorme quantidade de animais desenvolvendo pancreatite.  
   
A ração que oferecemos aos nossos mascotes possui elevados índices de carboidratos na sua composição, principalmente para que este produto consiga ser extrusado e oferecido em forma de grãos peletizados de baixa umidade.

Fazer o que é mais fácil, cortar caminho para chegar ao ponto de destino mesmo não sendo o melhor caminho, continuar no mesmo, são frase do nosso cotidiano que a cada dia se torna rotina do ser humano. Sabemos que toda mudança de hábito possui sua dificuldade, principalmente a alimentar. Oferecer o melhor alimento para os nossos animais também será um a grande mudança de hábito do que é fácil. Portanto não iremos repetir o fácil e sim fazer o que é certo para a fisiologia nutricional dos nossos melhores amigos. Evite carboidrato na sua dieta e procure oferecer o que a natureza determinou, dietas mais proteicas (aminoácidos) e energética lipídica (gordura) entre 8 à 10%. 
 







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