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O elefante e a visão do cenário brasileiro
Publicado: 00:01:00 - 30/06/2022 Atualizado: 23:34:45 - 29/06/2022
Alcyr  Veras 
Economista e professor universitário            
        
Em recente entrevista à TV Cultura, sobre o atual momento em que vive o Brasil, o escritor e doutor em ciência política, Jorge Caldeira, declarou: “se você olhar somente o que está errado, esquece de ver o que está dando certo!”

Há quem diga que existe uma diferença fundamental entre ver e enxergar.  Contam-se que dois amigos conversavam.  De repente, um deles perguntou ao outro: você já viu um Elefante?  O interrogado respondeu que sim.  O primeiro, então, voltou a perguntar:  você viu esse animal de frente ou de lado?

A depender do ângulo de visão, podemos fazer diferentes avaliações sobre a mesma situação socioeconômica de um determinado país.  A China, por exemplo, hoje é a segunda maior potência econômica do planeta, mas, ao mesmo tempo, é o país que tem o maior contingente de pobres e de famintos do mundo.  São cerca de 280 milhões de pessoas em grave estado de vulnerabilidade social. 

Todos nós sabemos as causas, de efeito retardado, provocadas pela pandemia da Covid-19 e suas variantes, que vêm castigando a economia de todos os países do mundo.  Uns mais e outros menos.  Mas, sem exceção.  A maior potência econômica e militar do planeta, os Estados Unidos, amargam a maior inflação dos últimos 40 anos.  A própria Rússia, histórica em “fabricar guerras” para invadir países vizinhos e assassinar pessoas, convive hoje com uma inflação de 18,73% ao mês.

Apesar dos efeitos colaterais danosos da pandemia, o Brasil ainda é a maior economia da América do Sul, a décima do mundo, e divide com o México a hegemonia econômica da América Latina.

O Brasil, dispõe, hoje, de dois grandes instrumentos pró-ativos para impulsionar o crescimento de sua economia.  São eles: o agronegócio; e o imensurável potencial de energias renováveis: eólica e fotovoltáica.  As exportações brasileiras de grãos, frutas e de carnes animais, chegam a abastecer quase 50% do mercado mundial de consumo de alimentos.  Segundo o relatório do Global Wind Energy Council, o Brasil está entre os cinco principais mercados mundiais em energia eólica.

Com a consolidação do ingresso do Brasil na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o país estará habilitado a participar da grande cadeia produtiva global. Mas, é preciso pensar grande.  No cenário mundial, o papel do Brasil não pode ser de um  simples país coadjuvante, mas de um país protagonista porque tem amplas potencialidades para isso.

Não somos mais um país de economia primária, nos moldes dos anos trinta, trocando nossas riquezas minerais e matérias primas brutas por manufaturados domésticos de baixo valor agregado.  Nem tampouco somos um “país delinquente” que esteja precisando de tutela internacional. Temos autonomia, pois, existem hoje, em nossas Universidades e Instituições culturais e científicas, uma considerável plêiade de recursos humanos de elevada qualificação profissional, obtida em países mais avançados em ciência e inovações tecnológicas.

É claro que o aumento da inflação não é unicamente devido a pandemia, mas sobretudo pelos recorrentes aumentos dos preços dos combustíveis, em consequência de uma espoliativa matriz financeira da PETROBRAS que privilegia altos salários para executivos e paga gordos e generosos dividendos para acionistas anônimos.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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