O Eterno Longa de Curtiz

Publicação: 2020-03-31 00:00:00
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Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com 

Por mais de uma vez, ao longo dos anos de jornalismo – e lá se vão 34 desde os primeiros artigos assinados nas saudosas páginas do jornal Dois Pontos e da revista RN Econômico – conversei com amigos sobre as perspectivas daquele que eu acho o maior clássico do cinema ganhar um remake. Não sei quantas vezes assisti Casablanca, nem lembro quantas listas de melhores da história a obra de Michael Curtiz divide a ponta com Cidadão Kane, de Orson Welles.

Casablanca é um marco definitivo da sétima arte, um dos mais instigantes romances amorosos das telas e uma narrativa previamente planejada para alimentar otimismo e espírito coletivo nos soldados americanos e nos povos aliados durante a Segunda Grande Guerra. E foi também uma reação do executivo Jack Warner na retomada da indústria cinematográfica atingida em cheio pelo ataque japonês a Pearl Harbor no dia de 7 de dezembro de 1941.

Foi lançado um ano depois, em novembro de 1942, três semanas antes do desembarque das tropas do general Patton no norte da África francesa, onde foi feita a “Conferência de Casablanca” com Churchill, Roosevelt e De Gaulle.

Não sei quanto aos leitores, mas comigo e alguns confrades amantes do cinema, assistir Casablanca várias vezes provoca o desejo de algum diretor encarar a ideia de uma releitura. Há quem diga que não nasceu o corajoso.

Contam que em 1974, o diretor francês François Truffaut se encontrou em Los Angeles com Simon Benzakein, um dos bambas da Warner, que o convidou a realizar uma versão do longa de Curtiz. O gênio da nouvelle vague declinou.

Como tudo na vida não tem unanimidade (nem mesmo Pelé ou Beatles), Casablanca já foi criticado por ninguém menos que Umberto Eco, o semiólogo italiano, que o acusou de medíocre e de ser uma sequência de arquétipos.

Truffaut não teceu críticas à obra do húngaro, mas mesmo ciente da atmosfera francesa, não conseguia imaginar seus compatriotas Jean-Paul Belmondo e Catherine Deneuve nos lugares de Humphrey Bogart e Ingrid Bergman.

Aliás, quando mandou convidar Michael Curtis para dirigir o filme, Jack Warner pensava em Ronald Reagan e Ann Sheridan para interpretarem o casal Rick Blane e Ilsa Lund Lazlo. Ocorreu que o futuro presidente se alistou no Exército.

Esses detalhes citados até agora são do conhecimento dos muitos fãs do velho filme, mas outras coisas que esses muitos não sabem estão no filme “Filmando Casablanca”, que a Netflix disponibilizou no último dia 25 aos assinantes.

Aos meus amigos de papos cinematográficos, digo que não é o tão sonhado remake que desejávamos, mas é a história dos bastidores de Casablanca, um pedaço da vida conturbada do diretor Michael Curtis, as vísceras do rolo.

O jovem cineasta Tamas Yvan Topolanszky fez um belíssimo filme, numa estética noir de arrepiar, tudo em preto e branco e um desfecho luminoso em culto aos EUA e França, as duas nações envolvidas na trama de Casablanca.

Uma abordagem de pura arte para narrar conflitos e angústias de um diretor estrangeiro chantageado pela política americana em que a questão bélica estava acima de todas as coisas. Filmando Casablanca não é de novo Casablanca, mas nos atira de novo no longa inesquecível de Michael Curtiz. 

Créditos: Divulgação


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A fome
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Ditadorzinho
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