Alex Medeiros
O ex-jovem fenômeno
Publicado: 00:00:00 - 22/09/2021 Atualizado: 08:13:18 - 22/09/2021
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

Quando a seleção brasileira varreu todos os adversários na Copa de 1970, no México, o mundo conheceu mais profundamente o homem que usava a famosa camisa que fora de Garrincha. Marcando gols em todos os jogos, Jairzinho ganhou o apelido de “Furacão”. Há muito mais ciência do que licenciamento poético na comparação do craque do Botafogo com o poderoso fenômeno climático. Tinha que ser do Atlântico aquela força tropical de derrubar defesas.

Em mil anos, nenhum lugar gerou mais furacões do que as Américas. Assim como eles levam o calor equatorial para as terras altas, Jairzinho soprou seu futebol na altitude mexicana e depois fez o mesmo em solo francês. E como um furacão só aumenta poder acumulando força de outros ventos, ele acabou sendo responsável pela reprodução de um fenômeno no ambiente do futebol. E tudo começou como um sopro nas ruas do bairro carioca de Bento Ribeiro.
Um menino pobre, feio, dentuço e tímido, que tinha todos os apetrechos para compor o perfil dos anônimos brasileirinhos - que tem a vida interrompida na infância ou juventude - trazia nos pés os poderes dos ventos e dos furacões.

E como em sistemas de baixa-pressão das terras tropicais, o “Furacão 70” viu que estava diante de uma força capaz de romper a escala Saffir-Simpson, que mede os fenômenos eólicos, ou de estourar a boca do balão e muitas bolas.

Ainda adolescente, o garoto Ronaldo exibiu no modesto time do São Cristovão um talento que só se via nos grandes craques. Craques como Zico, que o pobre menino sonhava ver jogando no Maracanã. E tudo veio na puberdade.

O final da década de 1980 lhe abriu os céus da oportunidade. E lá estava Ronaldo sendo tratado como um raro diamante em oficina de joalheria. Ainda um franzino menino, estreou nos titulares do Cruzeiro, no Brasileirão de 1993.

Naquele mesmo ano, o furacão teen encarou os zagueiros do Bahia, dando os primeiros sinais de que o mundo ainda seria varrido por sua força e agilidade. Com 16 anos, meteu 5 gols na goleada por 6 x 0, um recorde desde 1971.

A trajetória de Ronaldo se estendeu de 1993, no Cruzeiro, até 2002, na Inter de Milão, no mesmo ano em que dividiu com Rivaldo a glória da conquista do pentacampeonato da seleção brasileiro. Na Inter, foi apelidado “Il Fenomeno”.

De 1994 a 1996, vestindo a camisa do PSV, aquele jogador que desmanchava as estatísticas e ameaçava Pelé na relatividade entre gols e idade, arrebatava público e crítica da Europa com suas arrancadas de velocidade ciclônica.

Lançado muito cedo às feras e ao circo do futebol, teve que dividir sua vida em dois momentos: um de glória, com a bola nos pés; outro de drama, com a cabeça cheia das carências típicas dos adolescentes em universo de adulto.

O “fenômeno” que há em Ronaldo não está, ao meu ver, diretamente ligado ao futebol mítico dos gênios. Ele não jogou como Pelé ou Maradona, não marcou gols como Romário ou Gerd Müller, não teve a técnica de Zidane ou de Messi.

A fenomenalidade pertence à construção de uma conjuntura em torno dele; ungido como primeiro craque representante da era globalizante. Foi a versão chapliniana dos “tempos modernos”, mas distinguido como operário bem pago.

A fase madura de Ronaldo, em que interesses publicitários o fizeram craque reciclável, não pode nos fazer esquecer os verdadeiros momentos do seu talento. É no Barcelona e na Inter de Milão que reside toda a sua categoria.

Quando chegou na cidade catalã, Ronaldo revelou-se nos primeiros dias como fizera no Cruzeiro aos 16 anos. Seus gols incríveis geravam manchetes espetaculares, às vezes mitificantes: “Ronaldo é um bruxo? É um deus?.

No dia em que meteu 3 gols no goleiro Zubizarreta, um jornalista escreveu: “A Liga está adulterada. O Barcelona receberá uma advertência por inscrição indevida. Existem razões para crer que o tal Ronaldo é um extraterrestre”.

Imagino João Saldanha e Mário Filho, numa mesa-redonda de nuvens, analisando os dois momentos do craque, como fossem “althusserianos” da bola a comparar o jovem e o velho Ronaldo. Obvio que eles divinizariam o primeiro. 

É preciso resguardar historicamente o craque que encantou o mundo até 2002, concluindo as jogadas de Rivaldo. O Ronaldo fenomenal não deve ser retificado nas oficinas de mitos que constroem e destroem coisas belas. Hoje ele faz 45 anos.

Divulgação


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