O filé mignon

Publicação: 2020-02-16 00:00:00
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Lauro Jardim
com Guilherme Amado e Mariana Alvim

José Carlos Lavouras, ex-presidente do conselho da Fetranspor e há dois anos foragido em Portugal, fechou com o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro a parte financeira de sua delação. Ou seja, o quanto Lavouras terá que devolver aos cofres públicos. O filé mignon de sua colaboração é o Judiciário fluminense, mais especificamente histórias sobre oito desembargadores do Tribunal de Justiça.

Sem sono
Luiz Eduardo Falco, ex-presidente da Oi e hoje na CVC, não tem dormido muito bem com a volta do caso Gamecorp/Lulinha ao noticiário.

Bons ex-companheiros
A delação de Sérgio Cabral não deixou de fora alguns ex-companheiros de Senado e de partido - mais precisamente o ex-senador Romero Jucá e os senadores Valdir Raupp, Renan Calheiros e Rose de Freitas. Quando deputada, a capixaba Rose recebia uma mesada que ele próprio mandava pagar, sempre de acordo com a delação de Cabral.

Depois do ala-lá-ô
A propósito, a Lava-Jato do Rio de Janeiro volta depois do Carnaval. E volta com gás.

Os sais minerais do Eike
De tempos em tempos, Eike Batista elege alguém como o seu queridinho da vez para ajudá-lo nos negócios. Em geral, em um ano a admiração arrefece e se transforma em desapreço. Pois bem, o escolhido de agora é o baiano Denivaldo Araújo, a quem Eike só se refere como "professor" quando, enlevado, o apresenta aos que o visitam. Araújo é advogado, ex-integrante do PT e em 2005 depôs na CPI dos Bingos. É também dado a discursos metafísicos - algo que encanta Eike. Não só. O ex-bilionário já disse a um interlocutor que o "professor" receitou para ele um composto de sais minerais milagroso para o aparelho digestivo e para o reequilíbrio do seu organismo. Araújo não trabalha para Eike, embora já tenha sido brindado com um contrato para uma consultoria. É hoje a pessoa quem mais influencia Eike.

O mais longevo
Quando Rodrigo Maia completar o seu período como presidente da Câmara passará a ser o mais longevo dos presidentes da Casa desde 1968, quando a legislação sobre e reeleição para o cargo foi alterada pela ditadura. Ao final da atual legislatura, Maia terá ficado quatro anos e meio consecutivos no posto. (Michel Temer presidiu a Câmara por seis anos não consecutivos).

Marcha lenta
Há dez anos, estavam em construção no Brasil usinas hidrétricas, térmicas e etc, que somavam 18.101 megawatts. Desses, as hidrelétricas representavam 61,5% do total. Hoje, de acordo com dados da Aneel, somente 10 mil megawatts estão sendo erguidos. E somente 5% são de hidrelétricas.

A carvão
A propósito, a Aneel promove um leilão em abril para repor 1,8 mil megawatts de termelétricas movidas a óleo combustível que serão desligadas em 2023. Em vez de optar por fontes limpas e renováveis de energia, como hidrelétrica, eólica ou solar, o governo resolveu repor com gás natural e o poluente carvão.

Memórias de um czar
Vem aí, entre o fim deste ano e o início de 2021, pela Companhia das Letras, o livro de memórias de Delfim Netto, 91 anos de idade (92 em maio), czar da economia em três governos e ainda hoje uma das vozes mais influentes do Brasil. Há meses, o jornalista André Lahóz vem fazendo extensas sessões de entrevistas com Delfim, que está revisitando décadas de sua íntima convivência com o poder, com muitas histórias pessoais.

Madame Messer quer falar
Myra Athayde, namorada do doleiro Dario Messer, presa desde o dia 19 de novembro em Bangu, está negociando sua delação premiada. Assim como ocorreu com Antonio Palocci e Sérgio Cabral, as tratativas para o acordo estão sendo feitas com a PF.

Cervejeiro aposentado
Dentro de duas semanas será anunciada a saída de Marcel Telles do conselho de administração da ABInbev, a maior cervejaria do mundo. Marcel sai porque está completando - no dia 23 deste mês - 70 anos. É a idade-limite para que alguém seja conselheiro da empresa. Pelo mesmo motivo, seus sócios Jorge Paulo Lemann e Beto Sicupira foram substituídos. No lugar de Marcel no chamado comitê de gente do conselho entra Claudio Garcia, que começou a trabalhar na antiga Brahma em 1991.

O artífice
Não é uma mudança qualquer. O processo de construção da maior cervejaria do mundo teve em Marcel sua principal âncora. A Brahma era uma empresa estagnada quando foi comprada por ele, Sicupira e Lemann em 1989. Coube a Marcel chacoalhar a envelhecida cervejaria. Internacionalizou a Brahma, foi o artífice da fusão com a Antarctica e depois com a belga Interbrew. Mais tarde, em 2008, a tacada mais grandiosa: comprou a Budweiser. Para além das aquisições, foi Marcel quem criou e implantou na cervejaria o que se chama hoje de cultura corporativa que permeia os negócios reunidos sob o guarda-chuva da 3G. A partir de março, pela primeira vez em 31 anos, a gigante surgida a partir da Brahma vai caminhar sem Marcel Telles.






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