O fim de Peaky Blinders

Publicação: 2021-01-20 00:00:00
Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com 

Sou um maratonista compulsivo quando se trata de séries, vejo-as num fôlego só durante todas as horas de um fim de semana ou um feriadão. Sou capaz até de suspender a cerveja sagrada de todo dia para degustar episódios. A exceção eu só abro quando uma série vem carregada de perfeição técnica e de uma trama que de saída nos aponta sua condição de obra-prima histórica. Então, com pena do encerramento, faço operação tartaruga e desacelero.

Foi assim com Mad Men, que levei meses para concluir – saudoso – a sétima temporada. Repeti a assistência em slow motion com Dowton Abbey, O Tempo Entre Costura, House of Cards, Dark e As Telefonistas. Sempre que anunciam ou insinuam a conclusão, passo a curtir a temporada derradeira a conta-gotas, como estou prestes a fazer agora com Peaky Blinders, cuja sexta temporada está sendo vendida como a última e já experimento uma saudade da gangue.

Peaky Blinders tornou-se um fenômeno entre as muitas séries da Netflix. Eu não conheço ninguém indiferente à sua trama, nenhuma opinião com meio-termo. Parece o Flamengo e Corinthians: ou a pessoa adora ou então detesta.

É a trajetória de um gângster de Birmingham, Tommy Shelby, e sua família, um roteiro inspirado numa história real sobre um grupo mafioso do século 19. O criador da série, Steven Knight, cresceu em Birmingham ouvindo os relatos.

Fã de faroeste e filmes da máfia italiana, ele disse que queria fazer algo semelhante com sua cidade, um lugar antiquado da Inglaterra. Knight fez comparações: “Isso aqui é o Oeste, é Chicago, isso é mitologia, é magia”.

Um dos maiores sucessos já produzidos pela BBC, a série está no desde 2013 acumulando fãs pelo mundo. Está em sua quinta temporada, tinha promessa de ir até a sétima, mas a pandemia atrasou tudo e então encerrará na sexta.

Portanto, como tudo que é bom dura pouco, é exatamente isso que vai ocorrer com Peaky Blinders. A sexta temporada ainda não tem data definida para entrar na grade da Netflix, mas é provável no fim do ano ou começo de 2022.

Diante da triste notícia do fim, há um consolo divulgado pelo criador, que promete prosseguir com a saga da Family Shelby em outra plataforma, o cinema tradicional. É quase certo que a obra vai ter um filme longa-metragem.

É preciso dizer que Peaky Blinders não teve boa estreia aos olhos da mídia, inclusive a britânica (bando de casa não faz vinagre). “Apesar de armadilhas de época meticulosas, parece um aspirante a fraco”, blasfemou o The Guardian.

Mas já no ano seguinte, 2014, a série foi se popularizando ao ponto de ditar moda na Inglaterra, principalmente na região da trama, com os torcedores do Birmigham e do Aston Villa trajando os bonés e cantando hits da trilha sonora. 

O sucesso levou a BBC a organizar o Peaky Blinders Day e confeccionar os “caps” da gangue que esgotaram nas lojas em poucas horas. Naquele dia, o trailer da segunda temporada foi lançado no telão do estádio no jogo do Leeds.

E veio o golpe da navalha da glória: o escritor Stephen King meteu no Twitter: “assistindo uma série britânica bacana chamada Peaky Blinders”. E vieram outros, David Bowie, Brad Pitt, Julia Roberts, Ed Sheeran... E o mundo todo.

A série também levou turistas a Birmigham (me hospedei lá em 2013 sem saber que logo estrearia na BBC), que souberam da sua história industrial e do chocolate Cadbury’s Cream Egg, que os londrinos acham o melhor do mundo.

Um seriado instigante e envolvente, uma produção digna dos grandes clássicos de máfia do cinema, conquistando até os exigentes e antenados fãs da trilogia O Poderoso Chefão. As imagens de violência explícita são difíceis de ingerir.

Créditos: DivulgaçãoPeaky BlindersPeaky Blinders

Sarah e Poe
Num equívoco, inverti o tempo na nota de ontem, o que foi prontamente percebido pelo professor Bruno Neves, um craque das Letras. Na verdade, Allan Poe nasceu em 19 de janeiro de 1809, quando Sarah Helen fez 6 anos.

Assédio
O mesmo professor que assediou alunas na UFRN já foi demitido da UnP por transformar as aulas de comunicação em doutrina do socialismo e do sindicalismo. Mas a “Federalzinha do RN” faz um silêncio cúmplice e militante.

Companheiros
A “cumpanherada” do tarado vermelho lhe dá apoio tácito silenciando, como fez quando Lula disse que as mulheres do PT tinham “grelo duro”. O tão “combatente” sindicato de jornalistas não emitiu as famosas notas de repúdio.

Excursão
A mesma crítica aos artistas que fizeram fortuna com a Lei Rouanet deve ser a mesma com docentes esquerdistas que usam as facilidades das bolsas para curtir férias prolongadas na Europa, repercutindo as pautas do socialismo.

Sem saída
Do economista Leonardo Siqueira: “se o benefício é do outro, é privilégio. Mas se é meu, é direito adquirido. E com essa mentalidade, vamos perpetuando a desigualdade. Nós viramos o país dos concurseiros e dos subsídios”. 

Falácia
Do jornalista Guilherme Fiuza sobre o a Agenda 2030 do Fórum Econômico Mundial: “conseguir juntar empáfia e futilidade já é, por si, uma façanha – e esta é a alquimia da modernidade do século 21”. (Presunção da mediocridade).

Biden 
Circus Com as recentes nomeações em algumas pastas, só falta ao mister Joe Biden nomear um perneta, um anão 
russo, uma mulher barbada, um chinês negro, um lenhador gay e um índio nerd. Aí renomeia a Casa Branca: The Vaudeville.










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