Artista cria objetos e figurinos do folclore na casa 704

Publicação: 2018-08-10 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter

Há tempos que a cultura popular alimenta o trabalho artístico de Carlos Sérgio Borges. Quando criança, nos veraneios em família na praia de Pirangi, ele lembra de se encantar com a passagem de fandangos, galantes, bois calembas e tribos de índios no carnaval praiano. “Eu tinha 12 anos. Seguia com o pessoal de Pirangi até Búzios”, conta o artista em seu atelier na Cidade Alta. Os paramentos, adereços, objetos, o colorido, o movimento, todos esses aspectos que atraiam o olhar Sérgio Borges ajudaram a determinar seu caminho na arte.

Em seu ateliê-galeria da rua Santo Antônio, Carlos Borges homenageia Inácia Nanan dos Santos, que lhe criou.  Os ilustres Câmara Cascudo e Deífilo Gurgel são lembrados, entre dezenas de peças  — bois, burrinhas, jaraguás e indumentárias dos grupos folclóricos do RN
Em seu ateliê-galeria da rua Santo Antônio, Carlos Borges homenageia Inácia Nanan dos Santos, que lhe criou

Neste mês de agosto, quando se comemora o Dia do Folclore, o artista montou uma exposição dentro da temática. A mostra “As Cores do Folclore II”, como o título diz, é a segunda edição de um projeto apresentado pela primeira vez em 2005.

Desta vez a montagem abrange obras inéditas em pintura, boizinhos, burrinhas, jaraguás, figurinos, chapéus, e peças do acervo pessoal, como croquis e registros fotográficos de alguns de seus trabalhos para espetáculos de teatro e dança relacionados à Cultura Popular. A exposição está montada em seu atelier (rua Santo Antônio, 704, Cidade Alta) – o ponto foi inaugurado em fevereiro deste ano, como local de trabalho e espaço cultural. A vernissage acontece nesta sexta-feira (10), das 9h às 16h, com entrada gratuita.

A reportagem visitou o atelier na véspera da abertura da exposição e pôde conferir a montagem. Os trabalhos estão à mostra na galeria Inácia Nanan dos Santos – batizada assim em homenagem a mulher que lhe criou junto com a mãe. O espaço está ornamentado com o colorido das bandeirinhas e fitas de grupos folclóricos, além das próprias peças, que ocupam as paredes e áreas centrais.

Borges decorou espaço com bandeiras e fitas dos grupos folclóricos
Borges decorou espaço com bandeiras e fitas dos grupos folclóricos

As pinturas, que preservam o traço do artista, misturando tinta acrílica e caneta posca, abordam todas as danças do RN, como Caboclinhos, Pastoril, Boi Calemba, Fandangos, Coco de Zambê, Coco de Roda, Congo de Calçola e Araruna. O figurinos e adereços dos brincantes podem ser vistos vestindo os manequins. Os boizinhos, de tamanhos variados, ganham espaço de destaque. Tudo está à venda. Na vernissage, a trilha sonora será alusiva à temática.

Com 35 anos de carreira como artista visual, cenógrafo, figurinista e aderecista, com trabalhos para grupos de teatro, dança e escolas de samba, Sérgio Borges conta que sempre foi solicitado para confeccionar peças folclóricas. “Para os grupos parafolclóricos do Marista e UFRN eu sempre fiz cenografia, figurino e adereços”, diz o potiguar. “Nossa Cultura Popular sempre foi uma inspiração pra mim. E ao longo da minha carreira, fui bastante procurado para produzir peças nessa temática. É algo que me sinto bem fazendo”.

Segundo Sérgio Borges, fora as encomendas para projetos e de exposições específicas, a procura do público por trabalhos nessa temática é pontual, se restringindo mais aos períodos do carnaval e São João. Sérgio não reclama, embora tenha a impressão de que boa parte dos potiguares não tem apreço pela cultura popular. “Temos uma cultura riquíssima, ótimos artistas populares, pintores naifs. Às vezes sinto que a população daqui não gosta do nosso folclore, do nosso colorido, preferindo expressões de outros lugares”, reflete o artista. “Geralmente quem se interessa pelas peças do folclore são pessoas já envolvidas com cultura, que estudam a Cultura Popular, que têm origem no interior mas mesmo vivendo na capital não perderam o carinho pelas raízes. Essas pessoas não apenas gostam das peças como costumam colecionar”.

Além de figurinos, pinturas representativos da cultura popular
Além de figurinos, pinturas representativos da cultura popular

Visitação e parceria com escolas
Inaugurado em fevereiro deste ano, o Atelier Carlos Sérgio Borges foi instalado numa casinha colonial de longo corredor, típica do Centro Histórico da cidade. A fachada foi toda restaurada, deixando intocáveis os traços originais. Na parte interna, o piso é praticamente o mesmo da construção original e até uma parede de taipa foi preservada. Embora esteja com a mostra “As Cores do Folclore II” em cartaz, algumas peças da exposição permanente do artista estão no local, mas especificamente na última sala, onde há suvenirs e uma homenagem a sua  mãe, costureira e que também é inspiração.

Sérgio Borges comenta que nesses primeiros meses de funcionamento da casa chama atenção a frequência de visitas de turistas. “Tenho recebido bastante argentinos e chilenos. Eles vêm visitar a Igreja do Galo e como o atelier é vizinho, aproveitam para conhecer o espaço. Eles gostam do colorido, querem saber a história da casa, das peças. Quando não têm dinheiro na hora, voltam no dia seguinte para levar alguma obra”, comenta o artista.

Com a exposição “As Cores do Folclore II” Sérgio Borges pretende receber visitas de escolas. Já há três confirmadas e outras em fase de agendamento. Segundo o artista, a exposição também foi pensada para ter um viés didático, mostrando os elementos da cultura popular, os aspectos visuais, além de lembrar pensadores importantes, como Câmara Cascudo e Deífilo Gurgel. “Estou propondo às escolas que o valor arrecadado para a visitação seja convertido na aquisição de uma obra para ficar no acervo da escola”, explica. O próprio artista recebe os visitantes. Dependendo da ocasião, é possível até vê-lo trabalhando em sua oficina.

Escolas e grupos privados podem agendar visitas pelo telefone 84 99983-8659. A exposição “As Cores do Folclore II” ficará em cartaz até o dia 30 de agosto. O atelier funciona de segunda à sexta, das 9h às 16h, e no sábado, de 9h às 13h.

Serviço
Vernissage da exposição “As Cores do Folclore II”, de Carlos Sérgio Borges;

Dia 10 de agosto, das 9h às 16h.

Atelier CSB (rua Santo Antônio, 704, Cidade Alta)

Entrada gratuita




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