O futuro apocalíptico de Ômicron

Publicação: 2016-01-27 00:00:00 | Comentários: 0
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Yuno Silva
Repórter

Para Fred Zero Quatro, homem de frente da banda pernambucana Mundo Livre S/A, “o futuro é uma câmara de gás!”. Mas enquanto ele (o tal 'futuro') não chega, o cineasta potiguar Edson Soares apresenta sua própria visão do que 'está por vir' na série de ficção científica “Ômicron”. Profecias à parte, no mundo pós-apocalítico imaginado por Soares a Amazônia finda loteada por chineses, russos e norte-americanos. Em 2080 o Nordeste está em escombros após a queda de um meteoro, a região Sudeste mergulhou em uma guerra civil sem precedentes, o Centro-Oeste sofre as consequências de um desastre atômico enquanto o Sul conquistou sua independência e isolou a fronteira com o Brasil.
Roberto MoraisO ator Marcello Melo Jr se divide entre ser o herói da história e o papel de co-produtor da série, sendo responsável por articular participação de outros atoresO ator Marcello Melo Jr se divide entre ser o herói da história e o papel de co-produtor da série, sendo responsável por articular participação de outros atores

Em meio a esse cenário desfavorável, onde gangues de mercenários e traficantes ditam as regras, uma tribo com ares holísticos guardiã de sabedoria ancestral pode ser a única esperança para garantir a sobrevivência da espécie – pelo menos aqui na América do Sul.

Esse é o clima de Ômicron, cujas gravações estão em curso desde o dia 11 de janeiro. As filmagens seguem até o mês de abril, e a meta do diretor é finalizar os 12 episódios mais um longa-metragem ainda este ano. Toda a equipe técnica é local e o equipamento também foi arregimentado por aqui, incluindo grua, traveling, steadicam, drone e as duas câmeras digitais que gravam em 2,5k e 4k. Na medida que as cenas são gravadas, o material captado já segue direto para a pré-montagem.

A reportagem do VIVER esteve no set de gravações em Macaíba para acompanhar a preparação de mais um dia de trabalho debaixo de sol forte; e ao contrário do que se imagina, a chuva que caiu na cidade esses dias ajudou: “Afinal, estamos na Amazônia. No dia que não choveu tivemos que fazer chover para concluir a cena”, contou o diretor. Além de Macaíba, há locações externas em Parnamirim e Pium; toda a parte de estúdio é rodada em Natal.


Edson Soares informa que estão sendo gravados seis episódios de uma vez. “Depois a história dá uma virada e muda de ambiente: saímos da Amazônia e voltamos para o Nordeste”. Até agora, segundo ele, não houve necessidade de adaptar o que já estava previsto no roteiro. Cada episódio terá 40 minutos, mas há proposta de reduzir para 30 minutos (alteração que precisa passar pelo crivo da Ancine). O projeto, orçado em R$ 1 milhão, foi viabilizado via edital do Fundo Setorial do Audiovisual / Ancine / Ministério da Cultura.

A distribuição e a exibição ainda estão sendo negociadas, mas o objetivo é chegar às salas de cinema, serviços de exibição por demanda (streaming), TV aberta e/ou fechada.

Elenco misturado
A série é protagonizada pelo ator carioca Marcello Melo Jr (dos filmes “Cidade de Deus” e “Alemão”) e pela atriz baiana Ildi Silva (das novelas “Gabriela” e “Morde e Assopra”). O casal Ômicron e Adara vive na aldeia Arara Azul, em algum lugar da Amazônia, e são liderados pelo veterano Mestre Tau interpretado por Jonas Bloch. O aparente sossego da tribo é interrompido por uma gangue de grileiros mercenários chefiados por Goiano (André Di Mauro) e pela Galega de Pernambuco (Letícia Birkheuer).

Além de encarnar o herói, Marcelo Mello Jr também assina como co-produtor da série – reverteu parte do cachê em participação no que o filme render. “Ele abriu portas no eixo Rio-São Paulo, fez contatos com atores que se interessaram pelo projeto quando souberam que ele estava envolvido. É uma pessoa dedicada, dá sugestões, ajuda na direção do elenco durante as cenas, quer saber se as coisas estão correndo bem”, disse Soares.

O terceiro núcleo dessa primeira fase da trama é a tribo Jarawara, cujo cacique é guardião do elixir da longa vida (apelidado no set de 'suco gummy'), bebida que lhe confere a imortalidade, e, já cansado, enxerga em Ômicron seu sucessor. Como a tribo fica sobre uma jazida mineral, alvo de mineradoras chinesas, os grileiros farão de tudo para tomar as terras.

“Esse núcleo é todo potiguar. Os atores estão aprendendo a falar jarawara (nome real de uma tribo do Xingu) com ajuda de um consultor casado com uma nativa do Xingu”, explicou Edson Soares. O diretor também destaca que as cenas de luta (sem dublê) são coreografadas por professores natalenses de Kung-Fu de duas linhas diferentes. Ainda estão no elenco César Ferrario, Enio Cavalcante, Priscilla Vilela, Júnior Minhoca/Shakira, entre outros cujos nomes não foram divulgados. Ao todo a produção conta com cerca de 30 figurantes.

Ainda irão aparecer na trama, quando o quarto núcleo (o dos traficantes) for revelado a partir do sétimo episódio. Maurício Mattar fará o chefe dos traficantes, e o ator Humberto Martins fará uma participação especial. “Os atores e realizadores locais precisam entender que a série, assim como todo e qualquer filme, é um produto audiovisual que precisa ter o alcance potencializado. Ômicron será exibido em rede nacional, então tenho que equilibrar o elenco de fora com o local”, esclarece Soares.

A equipe técnica principal é formada por Roberto Morais (diretor de fotografia), Alessandro Sousa e Beto Maciel (câmeras), Riccardo San Martini (figurino), Luiz Molinar (diretor de arte), João Guimarães (cenário), Alessandro Sousa e Diego Tupã (montagem), Cayo e Cássio Pantoja (efeitos especiais), Edeisiane Moreno e Mônica Fonseca (produção), Márcia Lohss (preparação de elenco), Mariana Ferreira e Gessiany Araújo (maquiagem).

NÚMEROS

2080
ano em que se passa a trama de Ômicron

30
figurantes e outras 30 pessoas fazem parte da equipe

1
milhão é o orçamento da série aprovado pelo FSA/Ancine/MinC

12
episódios compõem a série


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