O herdeiro da camisa dez

Publicação: 2018-04-01 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Vicente Estevam
Repórter

A camisa dez, um número no futebol que da era Pelé em diante passou a ser um sinônimo de qualidade e construiu uma mística, volta ao centro das atenções no ABC, onde o novo dono da camisa passou a ser o garoto Fessin. Desde meados dos anos noventa, quando Silvério jogou com a camisa mais importante em campo, um jogador formado nas bases do clube não tinha a honra de ostentar a mesma. O treinador Ranielle Ribeiro autor do gesto, não tem dúvida que a camisa vestida por alguns dos maiores ídolos alvinegros, caiu muito bem em seu novo detentor.

Créditos: Andrei TorresO herdeiro da camisa dezO herdeiro da camisa dez


Numa consulta realizada a um grupo de abecedistas, para saber quem foram os camisas dez inesquecíveis, um nome frequentou todas as listas: Danilo Menezes. E o jogador uruguaio que fixou residência em Natal, foi direto ao definir o que o jogador que entra em campo com essa camisa tem de fazer.

“O camisa dez do ABC não tem de tremer. Ele tem de jogar bola, bailar em campo e fazer o time jogar. A responsabilidade é grande, mas se ele ganhou a camisa é por que tem condições de enverga-la”, disse.

Apesar de nunca terem se encontrado para falar de futebol, o garoto que acaba de completar 19 anos, já parece ciente de sua responsabilidade. Embora tímido na arte de se expressar fora das quatro linhas, a jovem revelação abecedista ressaltou que não sentiu peso algum ao vestir a camisa: “Não me afetou em nada, entro em campo e penso apenas em jogar meu futebol. Acho até que ela caiu muito bem em mim”.

Essa atitude tem muito da confiança que o reinador Ranielle Ribeiro depositou no jovem das bases abecedista, por isso ele encara o atual momento com muita tranquilidade. “Encaro tudo de uma forma tranquila, o treinador sempre mostrou confiança no meu trabalho e basicamente não ligo muito para o número da camisa que vou vestir. É claro que sei da importância de ser o dez do ABC e procuro trabalhar para ajudar a equipe”, disse.

Sem esconder um pouquinho de orgulho, ele disse que herdar a camisa ostentada normalmente sempre por algum jogador de destaque, já faz parte de sua carreira desde as divisões de base. “Sempre me deram essa camisa para jogar, desde de pequeno, então já tenho um certo hábito com ela”.

A sua ligação com o ABC começou quando ele jogava na Escolinha do Alvorada, na Paraíba, um time de sua cidade natal. Foi disputando uma competição Sub-15 onde acabou descoberto pelo treinador das escolinhas alvinegras, Tostão, no ano de 2014.Como era muito novo, ele ficou sendo monitorado por dois anos, antes de chegar em definitivo ao ABC, em 2016.

“Graças a Deus o pessoal do ABC me ajudou muito, Tostão e Fred que me trouxeram para as bases, planejaram um trabalho para que eu ganhasse peso e só tenho a agradecer ao que todos fizeram por mim. Hoje só tenho de retribuir aquilo que o clube fez por mim. Sou muito grato ao ABC”, destacou Fessin.

A bola foi sempre companheira do novo camisa dez abecedista, ele disse que nos tempos em que vivia em Campina Grande, sua diversão sempre foi jogar bola. Os primeiros passos foram dados no campo da creche do bairro José Pinheiro. O pai nunca jogou e ele acredita até que seu genitor não sabe sequer chutar uma bola. A habilidade Fessin acredita ter herdado dos irmãos, que também jogam bola pelos times de várzea do interior paraibano e conseguem ganhar algum dinheiro com isso. Mas a carreira de profissional no futebol, apenas ele está tendo a oportunidade de seguir.

Se apavorar frente a adversários mais fortes, jamais ocorreu com Fessin, o garoto que apresenta muita timidez fora de campo, disse que devido estar dando apenas seus primeiros passos no mundo profissional, chega até a ficar impressionado quando tem de atuar contra um clube de maior porte, porém jamais temeu jogar seja lá com quem for. A torcida do ABC, ele ressalta,  também vem contribuindo para que isso ocorra.

“Desde quando comecei a ter minhas primeiras oportunidades na equipe principal, a torcida vem me dando muito apoio. Então isso me dá tranquilidade para jogar. Fico até impressionado quando vamos enfrentar um clube grande, mas não tenho medo algum de enfrentar ninguém dentro de campo, isso por que simplesmente eu estou fazendo o que gosto e quem gosta de jogar futebol não tem medo de nenhum oponente”, frisou.

Quando perguntado sobre o seu maior sonho dentro do futebol, ele diz que é disputar uma Copa do Mundo, seguindo os passos de Marinho Chagas, que depois de passar pelo Alvinegro, alçou voos bem altos no mundo do futebol. A ambição parece não fazer parte do vocabulário desse garoto, que ao contrário de muitos na sua idade, não fala mais em chegar numa seleção brasileira, mas sim em atuar no futebol europeu.

Em relação a carreira, fora dos campos, Fessin não não fala. Ele disse que se preocupa apenas em jogar futebol e que as demais questões são todas tratadas pelo seu agente. “Não me preocupo muito com essa questão de carreira. Meu agente trata disso e seja o que for que vier pela frente, sei que tudo irá acabar da melhor forma possível, tanto para o meu lado quanto para o lado do ABC”, ressalta.

Os camisas 10 mais lembrados do Alvinegro

Alberi
Jogador de uma categoria ímpar, encantou os torcedores de sua época pela habilidade que apresentava e a imprevisibilidade.

Danilo Menezes
Considerado um meia clássico, de grande visão de jogo. O elo de ligação entre defesa e ataque sempre com passes precisos, surpreendendo os adversários.

Dedé de Dora
Na época em que o futebol já contava com o ponta de lança, foi o armador num dos maiores esquadrões montado pelo ABC, junto com Marinho.

Sérgio China
Vindo de Pernambuco, não teve uma carreira tão longa no ABC, mas era um bom armador de jogadas e fincou seu nome na história com o título de 1993.

Sérgio Alves
O camisa dez artilheiro, foi assim que marcou seu nome na história alvinegra, onde teve três passagens marcantes nos anos de 1998, 2000 e 2004.

Fessin
Primeiro jogo profissional: Brasil de Pelotas 14/11/2017 Série B.


Deixe seu comentário!

Comentários