Alex Medeiros
O intérprete do populismo
Publicado: 00:00:00 - 03/08/2021 Atualizado: 23:53:06 - 02/08/2021
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

Quando minha geração chegou na universidade, o sociólogo Francisco Weffort já estava por lá, compondo o sumário de leituras dos novos militantes que desembarcariam nos partidos de esquerda, devidamente aceitos na vida política restabelecida a partir da redemocratização de Ernest Geisel e Golbery do Couto e Silva, além, é claro, da carta de anistia assinada por João Batista Figueiredo. Weffort morreu anteontem e aqueles anos voltaram em cinemascope.

Os efeitos das greves sindicais do ABC Paulista (que alguns gaiatos bradavam repetir no ABC potiguar) chegavam como ondas de um surf cultural de subúrbio, virando temas de conversas a suprir carências sociais que quase sempre diminuíam alguns nas baladas onde brilhavam os surfistas de praia, herdeiros de fortunas e queridinhos dos docentes de Direito, Medicina, Engenharia. O nosso pretenso charme eram as teses de caras como Weffort.

Obvio que os imberbes militantes mergulharam de cabeça, com pranchas de doutrina, nos velhos textos dos luminares do socialismo. Mas éramos orientados a ler a conjuntura nas análises dos crânios da USP e da Cepal.

Com o País efervescendo novos ares, os exilados desembarcando como pop star da rebeldia política, os fantasmas de Getúlio e JK sobre as fábricas, Brizola e Lula insuflando as massas, era preciso entender para vivenciar.

E lá íamos nós, um magote de moleques de vintanos, catar o coquinho da selva geopolítica lendo Francisco Weffort, Luiz Werneck Vianna, Horácio Martins de Carvalho, José Álvaro Moisés, Florestan Fernandes, FHC...

Muitos naqueles anos escreveram e explicaram um pouco de muito, mas quase ninguém escreveu e explicou tanto o populismo na política brasileira do que Francisco Weffort. Ainda tenho um livro dele de 1978, do nosso batismo.

E quando quase todo mundo da minha relação foi engrossar o cordão do Partido dos Trabalhadores, lá estava Weffort na condição de referência na fundação da legenda. Ricardo Rosado ainda guarda uma foto ao lado dele.

Foi sem dúvida um dos intelectuais brasileiros mais consumidos pela minha geração, estava sempre presente com suas análises e teses nas páginas da revista Encontro com a Civilização Brasileira e em jornais como o Movimento.

Em 1984, quando ele lançou “Por Que Democracia?”, pela editora Ática, veio fazer uma palestra em Natal, a convite do pessoal da UFRN em parceria com a Fundação Dinarte Mariz, que confesso nunca ter entendido a dobradinha.

Sua presença aqui contribuiu por tabela para uma transformação na minha vida. Eu estava tentando me organizar materialmente para ir embora para São Paulo, e graças à visita de Weffort consegui juntar um troco para viajar.

Por indicação do professor Sebastião Carneiro, que depois seria candidato do PT a governador do RN, fiquei com a incumbência de criar um material publicitário para a palestra. Foi a primeira vez que fiz texto e também a arte.

Tal serviço me colocou na comitiva que foi ao aeroporto receber o cientista social. Lembro bem que uma das primeiras pessoas que ele cumprimentou foi Rubens Lemos. Ambos com bem menores idades do que eu nos dias atuais.

Almoçamos com ele, o acompanhei na palestra e durante dois dias decupei suas palavras para entregar na ADURN, que me pagou pelo serviço uma grana que somada a outra que me deu Lavoisier Maia, garantiu a viagem.

Nos meus dias em São Paulo, assinante da Folha, de vez em quando via um artigo dele e lembrava do evento, obviamente despertando saudades. Hoje ainda acho que o melhor momento de Weffort foi trocar Lula por FHC.

Divulgação


Abandonos
Na mesma semana, FHC desistiu de qualquer possibilidade de apoiar Lula para presidente (declarou apoio a João Dória e pode frustrar Eduardo Leite), e Roberto Requião abandonou o MDB, que ele diz que morreu de fisiologismo.

No paralelo
Na cidade de Niterói, chefes das quadrilhas do tráfico de drogas estão enviando mensagens aos moradores de alguns bairros, pressionando para que cancelem assinaturas com TVs e façam com empresas clandestinas.

Delinquência
Os partidos de esquerda, que diariamente tentam censurar pensamentos opostos, estão histéricos na defesa do Paulo Galo, o militante preso após incendiar a estátua do bandeirante Borba Gato no Centro-Sul de São Paulo.

Brinquedo
A onda do saudosismo ressuscitou um brinquedo dos mais populares nos anos 1990, o bichinho virtual Tamagotchi, que voltou em forma do personagem R2-D2, da saga Star Wars. Vem nas cores branca e azul escura.

Gatas
Quem está curtindo as madrugadas de Jogos Olímpicos não deixou de perceber a semelhança estética na beleza facial das atletas Rosa Maria (vôlei do Brasil), Zehra Günes (vôlei Turquia) e Ellie Carpenter (futebol Austrália). 

Halterofilismo
Não procede uma postagem que circula nas redes sobre uma suposta conquista de medalha por Laurel Hubbar, da Nova Zelândia, que se assume como mulher trans. Não conseguiu levantar os pesos, ficou sem medalha.

Ficou fora 
Laurel, que tem 43 anos, levantou peso na juventude, como uma forma de tentar escapar do bullying, mas com vinte e poucos anos desistiu e decidiu assumir-se mulher trans. Em Tóquio, as rivais tinham metade da sua idade.





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