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Cena Urbana - Vicente Serejo
O mal do século
Publicado: 00:01:00 - 24/06/2022 Atualizado: 23:44:16 - 23/06/2022
Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

Divulgação


Ninguém deve deixar suas ilusões perdidas nas mãos do mal do século que é intolerância, para usar o título clássico de Balzac, Honoré de Balzac, o gênio da Comédia Humana. Não são os radicais, os apegados às raízes de suas ideias ou mesmo os sectários. O pior é o intolerante. Aquele que leva suas convicções ao fosso da insensatez. Não quer combater e vencer o outro, calar o gesto e a voz. O intolerante é o enlouquecido de fúria que deseja destruir o adversário. 

Neste primeiro quarto de século, o inimigo da democracia monstrificou-se, inaugurando um novo verbo de quem foi gerado como uma deformação nascida nas entranhas democráticas. O mal do século vinte tinha nome e método próprios e claramente definidos: o nazismo, para uns e o fascismo, para outros. Ou os demonizados da esquerda, como Stalin; ou da direita, como Hitler. Agora é um filho deformado da democracia, mas nascido no caldo de cultura do poder. 

É por sua autenticidade como produto da democracia que a intolerância é difícil de ser combatida. Há os que sequer se percebem intolerantes. Quase sempre, são incultos e populistas, se a cultura é civilizadora e formadora da consciência crítica. Mas são informados, alimentados pelas redes sociais reveladoras não das visões legitimamente formuladas, mas dos recalques na forma bruta dos ódios latentes que agora explodem no anonimato garantido pela impunidade. 

E o pior: a intolerância monstrificou nos intolerantes o conceito e a prática da liberdade. Criticá-los é restringir a liberdade na medida em que a crítica não é praticada como uma busca da compreensão. Não aceitam a discussão das questões políticas, sociais e econômicas como a busca da verdade, mas o confronto maniqueísta e estéril. Como se o conhecimento pudesse nascer e florescer na solidão burra da opinião única, sem a boa riqueza da pluralidade de visões. 

A humanidade precisou viver as ideias iluministas, sem desconhecer suas deformações nascidas do poder, para entender que a cultura é libertação. Mais que ser livre, é ser livre na comparação bem-humorada com o Agente 007 a serviço de sua majestade, a Rainha da Inglaterra. No caso, invoca-se a concepção criativa e alegórica do seu criador, Ian Fleming. Livre não é quem mata, mas defende o exercício do livre-pensar como conquista humana universal. 

Nem por isso, os radicais precisam ser negados e os sectários proibidos da palavra. Seria lançar mão da intolerância no escamoteio de uma liberdade de expressão que jamais poderia ser negada. Para enfrentar os intolerantes basta a consciência de que eles não são construtores. Não irão além da vociferação, da agressão e dos linchamentos virtuais. Seu desejo é destruir o outro e o beneficiado pode ser qualquer um. Sem compromisso nem com a própria intolerância. 

LUTA - Sem aliança e sem apoio, o deputado Rafael Motta mantém a candidatura de oposição a Bolsonaro. Livre para lembrar um passado que o ex-prefeito Carlos Eduardo não vai assumir. 

COMO? - Tempos estranhos. O MP acha que agora deve dizer quanto tempo um prefeito pode aparecer nas promoções públicas que ele realiza. Pobre democracia. Oh tempos! Oh costumes! 

VENDIDO - Dura a entrevista do deputado Luciano Bivar, presidente do União Brasil, à ‘Isto É’. Acusa Paulo Guedes de vender a personalidade e os princípios pela vaidade de ser ministro.

ANGICOS - A edição da Super Interessante dedica oito páginas à importância de Paulo Freire - ‘A Mente de Paulo Freire’. Com destaque para sua experiência de alfabetização em Angicos.

LÉXICO - Não há o verbo monstrificar, é bom avisar aos mais exigentes. Mas, há seu uso na prática. É nesse sentido que alguns se monstrificam. O poder absoluto é a força monstrificadora. 

AREZ - Os professores Francisco Firmino Sales Neto, Aldilene Marinho Almeida Diniz e Diego Firmino Chacon lançam ‘Conhecer Arez: histórias, memórias, cultura’. Edição Arribaçã. 

LENINE - Neste sábado, das nove ao meio-dia, no calçadão do Sebo Vermelho, o lançamento da segunda edição o livro de Lenine que lançou a tese do descobrimento do Brasil em Touros. 

AMOR - De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, diante de um amigo com medo de ouvir um fora: “Declare. Nos jogos do amor quem diz o que sente pode ouvir o que deseja”.   

PROUST - Sai em Paris o volume com as vinte cartas de Marcel Proust dirigidas ao banqueiro Horace Finaly diante das dívidas contraídas por um amante do escritor, o suiço Henry Rochat. Mandado para o Brasil, Rochat terminou seus dias em Recife, mas vivendo uma vida luxuosa. 

CORDIAL - A editora Boitempo marca, com uma bela sacada, os cem anos de fundação do Partido Comunista e lança, num box, os cinco volumes da obra completa de Astrojildo Pereira: ‘O Revolucionário Cordial’. Livros raros, nascidos de pequenas tiragens, algumas clandestinas.

SERTÕES - A Ateliê lança em pré-venda, no site, por R$ 135,00 - nas livrarias vai custar R$ 280,00 - a sexta edição de Os Sertões, preparada por Leopoldo M. Bernucci. Com 840 páginas, três mil notas, vocabulário, índice onomástico e o texto de Euclides rigorosamente restaurado.

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